27.1.12

 

Já são onze e quinze… Tenho de ir para casa. Mas ainda não me apetece ir para casa. Fico mais um pouco, ou vou embora? Mas se for, vou para onde? Mais um cigarrito e pode ser que aquela rapariga olhe para mim. É bem bonita. Mas não olha para mim. Nunca olham para mim. Mas se olhar, de nada adianta. Se olhar, o que é que eu faço? Não sei o que faça. Bom mesmo, seria eu conseguir falar com ela. Mas isso é impossível. O que lhe diria? Engasgar-me-ia todo. Ela podia vir falar comigo, seria mais fácil… Está frio. Apetece-me enroscar na cama e adormecer. Mas não me apetece ir para casa. Eu deveria ir para casa. Amanhã tenho de acordar cedo para ir trabalhar. As férias acabaram. O que era bom acabou. Bom? Seria bom se eu tivesse feito alguma coisa nas férias. Duas semanas de férias, e nada fiz. Há duas semanas estava cheio de ideias. Ir para algum lado, estar fora do meu mundo de todos os dias. E comprar roupa. Umas camisas, umas calças. Talvez uns sapatos; também preciso. Mas para onde ir? Para Norte ou para Sul. Para Norte está mais frio e eu gosto de frio. Para Sul tem mais Sol e eu gosto de Sol. Frio ou Sol? Como decidir? E a roupa? E se em vez de camisas, comprasse camisolas? E que calças comprar? Jeans, ou mais formais? E onde comprar? Posso fazer más compras se não escolher bem. Aquele amigo do meu colega, no outro dia, disse que havia uma loja onde se comprava bem e em conta. Mas onde era? Já não me lembro… Lá é que seria bom para eu comprar. Mas não sei onde é. E amanhã vou ter de levar aquelas calças outra vez. Os meus colegas vão voltar a gozar comigo: então!? continuas com essas calças coladas às pernas? Olha que ainda caiem de podres… Porque não se metem na vida deles e me deixam em paz? Estão todos bem na vida, na casinha deles, com mulher e filhos. Eu também gostaria… Sortudos. Eu, se quisesse, também poderia ter uma casa minha. E quero. Mas como será melhor? Arrendo ou compro. Arrendar tem vantagens. Comprar também tem. O que devo fazer? Sei lá… E se depois me arrependo? Uma casa não é coisa que se encare com ânimo leve. Eu não sou nenhum leviano. Convém ponderar, com calma, com tempo. Tudo tem o seu tempo. Há cinco anos que pondero essa coisa da casa. Para outra pessoa pode parecer muito, mas eu acho que a coisa é séria e tem de ser bem pensada. Ela está a levantar-se. Vai embora. É bonita e tem um corpo bem feito. Gosto. Olha para mim, olha para mim… Se olhar para mim, poderá ser um sinal. Olha para mim… Não olhou. Talvez tenha sido melhor assim. É, foi melhor assim. Deveria ser uma empertigada, cheia de esquisitices e eu não gosto disso. São todas umas empertigadas. Porque é que as mulheres, se simpatizam – vá lá – se gostam de um homem, não tomam a iniciativa? Porque têm de ser os homens a fazer tudo? Ainda falam de igualdade… Quando eu tiver a minha casa, aí sim, já poderei meter conversa com uma mulher e se me agradar, já poderei convidá-la para casa. Essas coisas são importantes. Nada de pressas, cada coisa no seu tempo e no seu lugar. Talvez compre… Não, não, talvez seja melhor arrendar. E qual será o melhor lugar? Não posso ir assim, para um sítio qualquer. Onze e trinta. Já deveria estar a dormir. Vou agora, ou espero até às onze e quarenta e cinco? Será mais tarde, mas ainda será antes da meia-noite. E se os meus colegas, amanhã, voltarem a gozar comigo por não ter comprado as calças? Porra, acabei por não fazer nada nas férias… Teria sido melhor ir para Norte, ou para Sul?

 

- Oh amigo! Queremos fechar! Queremos ir para casa! Ainda vai demorar muito a resolver ir embora?

 

Fernando Couto

 

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24.1.12

 

Este ano já me decidi. Basta! Para este ano decidi… viver! Onde anda a minha lista? Aquela que fui colecionando ao longo dos anos? Devo tê-la perdido vezes sem conta! E porquê? Porque nunca tinha sequer tempo para reparar que ela existia. Cheia de desejos íntimos, sonhos, aventuras e propósitos nobres! Porém embrulhei-me num novelo de obrigações banais, a que tanto gostam de chamar vida, e quando dei por ela tinha já todo o tempo do mundo!

E agora que tenho todo o tempo do mundo, vou passar esse tempo à procura? Não me parece! Agora que tenho todo o tempo do mundo e toda a incerteza do tempo que me resta, quero fazer vida com o tempo que ainda tenho, ou que tão humanamente me iludo que tenho! Mas será que agora ainda posso viver essa longa lista que fui colecionando pelo tempo fora? Não serei já demasiado velho para essas aventuras? Para esses saudáveis devaneios? Ai, o que estou para aqui a pensar?! Então, já não me decidi a Viver?! Não já decidi soltar as amarras de toda uma vida de obrigações, contribuições, sacrifícios pedidos por este e por aquele, exigido por outros tantos que insistiam em governar a minha vida, e que me fizeram acreditar que assim deveria ser?

Vamos! Agora que tenho todo o tempo do mundo, vou saborear cada amanhecer, vou apreciar cada raio solar quente na minha testa, vou deixar o primeiro pingo da chuva cair no meu nariz e vou sorrir em vez de franzir o sobrolho! Vou olhar ao espelho e admirar cada ruga, recordar cada memória e criar memórias nos que ficarão para além de mim, e que recordarão ainda esta minha cara engelhada. Vou cheirar cada alimento, e demorar-me encantado de lhe tomar cada gosto! Vou ficar a ouvir quem tem que falar e vou opinar sem medo e com toda a razão! Vou escutar a melodia do mar, lentamente, enquanto o mundo à minha volta se agita freneticamente, mas ao meu olhar, vagarosamente. Vou rir desalmadamente e amar com um abraço toda a minha gente! Vou rabiscar os meus sentimentos e oferecer gentilmente os meus pensamentos! Não vou apressar o passo… vou viver a cada momento, porque afinal agora tenho tempo!

Este ano decido então viver a minha longa lista. Na base desta lista está o desejo mais profundo - ser feliz. Quero ser feliz em cada coisa que faço. Quero terminar a começar de novo, ter pelo menos essa oportunidade numa vida inteira! Há quem diga que há uma primeira vez para tudo… porque não viver tudo pela primeira vez?

 

Cecília Pinto

 

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20.1.12

 

Na minha lista de resoluções do ano passado havia apenas um item. Uma tarefa de vital e absoluta importância: mudar a alcatifa. Não havia aparentemente mais nada na minha vida que me incomodasse tanto quanto aquela alcatifa. Gostava do carro, da casa, da conta bancária, do metabolismo, dos filhos mas, aquela alfombra, incomodava-me solenemente. De tal forma, que se tornou obsessiva a minha repulsa. Havia gostado muito dela, lembro-me bem. Adorava caminhar descalço e sentir-me confortável e relaxado. Fechava os olhos e conseguia ouvir os pêlos a eriçarem-se-me nos braços, a cada passo que dava. Escolhi-a, coloquei-a. Falava dela com orgulho. Mas um dia, não sei bem quando, aquilo deixou de ser agradável. Passei a andar de chinelos para não a sentir debaixo dos pés; era estranho, picava, deixava-me desconfortável. Entrava em casa e fitava o teto porque, cada vez que olhava para ela, descobria mais um defeito, uma sujidade, um sinal da deterioração inevitável. Esqueci os primeiros anos, o quão feliz havia sido naquela alcatifa, as gargalhadas, abraços e lágrimas. Esqueci as migalhas e os banquetes. Esqueci a história comum. Queria pôr-lhe um fim. Substitui-la por um destes chãos modernos que transformam uma kitchenette num salão de jogos. Inteirei-me do mercado, pedi orçamentos, vivi a adrenalina da iminente mudança. Estive várias vezes para tomar a decisão mas, quando chegava o momento, o espantoso soalho perdia o encanto e eu acabava a preferir a alcatifa.

Quase no final deste ano percebi que, a minha única resolução do ano anterior, se havia pura e simplesmente desvanecido. E o quão sortudo havia sido por não ter feito, provavelmente, a pior asneira da minha vida. Eu não queria trocar a alcatifa. Eu não quero. Eu gosto desta alcatifa. Gosto da história, da cor, do cheiro, da capacidade que tem de me fazer sentir o rei do mundo. Vou investir nela, cuidar das suas fragilidades, tirar-lhe aquele pó entranhado que quase me fez esquecer o quão bonita é. Vou cuidar da minha alcatifa para que se torne de novo brilhante e macia e me dê gozo sentir a pele nua sobre ela. Vou lembrar-me que não é justo esperar que ela se cuide sozinha, precisa de mim para o fazer. Por isso este ano, reformulo o meu pedido: cuidar da alcatifa. Fazê-la durar no tempo. Realçar a sua beleza. É isso que vou fazer. Está decidido. E depois, vou…

- Querido, estás a ouvir-me? Não estás… estás com a cabeça noutro sítio. Podia passar-te uma rasteira, puxar-te o tapete que nem davas conta…

- Não preciso de tapete quando te tenho a ti para me amparar: uma linda e suave alcatifa…  

- Estou a ver… sou o chão que tu pisas…                                                      

- Não, tonta, és o chão que me sustém. Sem ti, não caminharia seguro. Não seria feliz. Conheces alguém que consiga chegar ao céu sem ter alguma vez sentido um chão seguro debaixo dos pés?

 

Alexandra Vaz

 

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17.1.12

 

Entendo a resolução como o passo que se segue ao da decisão. A resolução é um projeto de ação: goza já de algum movimento. E sobre este assunto quero lançar uma pergunta: o que é uma resolução acertada?

Vejamos os seguintes exemplos: divórcio e demissão de um emprego.

Pegando no primeiro, um casal faz-se, constrói-se com o tempo e com o convívio, certo? Um casal é o produto de uma corrente coerente de resoluções, portanto. Leva tempo. É uma aprendizagem e um crescimento de mão dada. Um casal vai-se consolidando como entidade, chegando ao ponto de muitas vezes ter uma personalidade própria e uma série de caraterísticas distintivas dos demais casais. A páginas tantas um dos cônjuges porta-se mal e o outro parte para o divórcio, "esquecendo" tudo o que havia sido construído até então. Passado algum tempo, depois da separação consumada, é provável que quem pediu o divórcio venha a dar mais importância a toda a construção anterior ao litígio, relegando para segundo plano as razões do conflito. E aí alguém fica à deriva por algum tempo, entre um misto de arrependimento e placidez.

Imaginemos agora um funcionário descontente com o seu trabalho, que pede demissão e fica desempregado. O processo de demissão é, tal como o do divórcio, o resultado de um conjunto de construções, decisões e resoluções. Com o decorrer do tempo e o inevitável aperto da carteira, será de esperar uma certa relativização dos motivos que o levaram a rescindir o contrato.

Estes dois exemplos, que têm por caraterística comum não terem um desfecho irreversível (ninguém morre na sequência da resolução, como seria no caso do suicídio ou do aborto), servem para centrar o leitor no momento e contexto de tomada de uma resolução. Pergunto: será que as variáveis que concorrem para uma resolução são as mais adequadas? Ou seja, se uma resolução é o produto de um momento, de um contexto, de uma história e das expetativas, não será razoável deduzir que a maioria das resoluções tomadas têm sempre uma validade temporal? Serão justas e adequadas num momento e contexto, porém injustas, desajustadas e por vezes catastróficas noutros.

Uns dizem que uma resolução acertada é aquela na qual se acredita, isto é, aquela que, reunidas as informações possíveis, melhor soluciona determinado problema ou aperfeiçoa determinada situação. Mas então posso questionar o que se entende por "acreditar", dado que a crença também é função de um momento, contexto, história e, principalmente, de um conjunto de expetativas.

Cabe a cada um julgar da justiça de uma resolução tomada. Tal como cabe ao tempo comprovar se essa resolução foi bem tomada. Ora, dado que o tempo filtra e separa o essencial do acessório, é muito natural que estejam a ser tomadas toneladas de resoluções erradas por esse mundo fora. O que me leva a crer que, por sermos criaturas regularmente acometidas por golpes emocionais, raras são as resoluções (principalmente as pessoais) isentas de paixão, calor e demais influências irracionais.

Por outro lado, uma resolução não tem que ser necessariamente bem tomada. Só tem que nos fazer andar e dar-nos a ilusão de que estamos a consertar qualquer coisa. Conviver com as consequências de determinada resolução tomada é um processo de aprendizagem e de adaptação. Ou então um processo de correção dessa decisão, porque não?

 

Joel Cunha

 

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13.1.12

 

Quando é que a página fica virada? Quando tomamos a decisão que o vamos fazer? Quando já fartos do marasmo de sentimentos recalcados erguemos a cara para cima, para apanhar um pouco de ar mais fresco? Quando conseguimos deixar de pensar naquilo, nele ou nela, todos os dias, a todas as horas? E quando conseguimos passar horas sem pensar e de repente nos lembramos que conseguimos não pensar nisso, será que estamos a melhorar ou a regredir? Como se força o esquecimento?

Se me esqueço, a dor adormece e não sofro tanto, mas uma parte de mim também adormece com a tentativa de esquecimento. E como se esquece aquilo que está sempre presente na nossa mente? Quando nos acorda de noite? Quando não impede de comer? Esperamos que passe? Damos tempo ao tempo, temos paciência? A frase que mais me irrita é quando me dizem para ter paciência. Quando ouço isso sou capaz de bater em alguém. Dizem que o segredo da paciência é distrair-se enquanto esperamos. Se me tento distrair sei que é apenas uma farsa, porque o sofrimento mantém-se, enterrado e cada vez mais enraizado. Não me consigo entregar totalmente porque sei que estou apenas a tentar ludibriar-me, como se engana o coração? Tento mudar os meus hábitos, reorganizar a minha vida… Não consigo ignorar, não consigo esquecer. Sempre que me lembro tento contrariar o meu pensamento com outra coisa, outra ideia, mas tudo parece tão oco.

Não consigo… não consigo ignorar. Preciso de me entregar à dor. Choro de noite, choro ao acordar, choro na casa de banho, choro no carro, grito no carro, choro no elevador, choro em casa, digo palavrões, choro, digo mais palavrões, choro, tenho soluços, choro, choro. Fico surpreendida com a quantidade de lágrimas que consigo produzir e com o meu vasto vocabulário, mas continuo, centrada no meu choro. Fico cansada mas choro mais um pouco e desfaço uma almofada. Durante o dia consigo reter-me, sei que mais tarde terei a desforra. Apresso-me para chegar a casa para ter mais tempo para chorar. E choro, com vontade, parece que quanto mais choro mais me apetece. Já não me lembro de chorar tanto. Já nem sei bem porque choro tanto, na minha cabeça atropelam-se várias tristezas e amarguras, nem todas relacionadas umas com as outras. Nem percebo porque me vêm agora essas lembranças. Mas choro por isso tudo. Deixo as lágrimas soltarem a dor, libertá-la e deixá-la cair. Choro até me rir de mim própria por tanto chorar. Lembro-me que preciso de beber água se não vou desidratar-me… não quero saber, vou chorar mais.

 

Até que começo a chorar menos. Já não me isolo para chorar, para ser sincera já começo a ficar cansada de chorar. O fluxo de lágrimas parou. Já não me apetece.

Ainda não esqueci nada mas já não há lágrimas para soltar. Sinto que não vou esquecer, nem quero. Não posso dizer que a dor tenha passado mas estou muito mais calma. Acho que sim, agora o tempo vai ser meu aliado. A minha perspetiva muda, eu estou a mudar, não propositadamente, mas apenas como fruto do meu processo. Um dia, vou arrumar as recordações, as boas e as más, arquivadas, como se faz com os casos resolvidos.

 

Estefânia Sousa

 

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10.1.12

 

Resoluta! Era assim que todos a viam: uma mulher resoluta, ou resolvida, como costumavam dizer quando se lhe referiam. Maria Francisca não desvalorizava nenhum problema, mas não lhe atribuía mais importância do que a que devia ter. Discernia com tanta facilidade o que era importante, ou desprezível, exibia uma destreza tal a resolver os problemas, que passou a ser adjetivada de “resolvida”.

Em pequena, rapidamente aprendeu a cativar, meio de ajuda à prossecução dos seus objectivos.

Direta e determinada, se queria, tinha; se não queria, de nada valia tentar convencê-la - pura perda de tempo.

Muito jovem ainda, conheceu o Gonçalo, logo aí resolveu que casaria, ele seria o seu marido e o pai dos seus três filhos. Assunto resolvido.

Ensinou os filhos a ter atitude perante os problemas: resolvem-se, se resolúveis, desprezam-se, se não têm resolução. Ilustrava a sua teoria com uma caixa de madeira e pequenos pedaços de papel. Um papel representava um problema. Se digno de atenção, metia-o na caixinha de madeira; se desprezível, deitava-o fora. Na caixinha não deviam acumular demasiados papelinhos, apenas e só os suficientes para desafiarem a capacidade de ação e resolução; demasiados poderiam levá-los a desistir sem os resolverem. O fundo da caixinha deveria manter-se sempre visível.

Os filhos de Maria Francisca viam nela um muro indestrutível que de tudo os protegia.

Os filhos dos filhos, quando procuravam os pais, era com a avó que acabavam a resolver os seus medos, as suas angústias, os seus problemas relacionais da escola, da casa, ou da rua.

- O Manelinho bateu-te? Se o professor não resolve isso vou eu à escola e mostro ao Manelinho com quem se está a meter, sempre quero ver se é menino para voltar a bater-te!

Desta forma, simples, sacrílega aos olhos de hoje, resolvia mais um problema com um dos seus pequenitos.

Tudo resolvia Maria Francisca. Tudo? A morte a resolver a doença do marido foi a sua grande derrota. Não foi tida nem achada, não foi ouvida, não pôde fazer nada. Bem se esforçou mas o resultado foi apenas o de se confrontar, pela primeira vez, com os limites do seu querer e da sua existência. A derrota não era a sua marca; chorou sozinha e em silêncio a morte do seu querido companheiro, mas sem se desviar do seu objetivo: não criar problemas, antes resolvê-los.

Quando anos mais tarde adoeceu e acamou, isso não a impediu de ajudar os filhos a gerir os seus recursos, dando orientações: os títulos na bolsa estão a descer, comprem; os títulos estão a subir, vendam; afundam, parem.

A festa do seu aniversário foi preparada no quarto, para maior comodidade da doente. Depois de aí terem almoçado, Maria Francisca mandou sair toda a gente, queria fazer uma sesta. Encontraram-na morta duas horas depois.

Diziam os familiares que resolveu morrer no seu aniversário para resolver duas datas numa só.

 

Cidália Carvalho

 

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6.1.12

 

Em momento algum do ano se resolve tanto como neste mês. É típico do português deixar tudo para o fim. Aposto que quase 100% de nós passa os 11 primeiros meses do ano a tomar “decisões” e dezembro a formular “resoluções”. Dito isto assim, torna-se curioso. Apesar de as duas palavras serem sinónimas, quantas vezes ouvimos dizer, ou dissemos, “decidi tomar uma resolução para o próximo ano”? Ou seja, decidimos decidir, ou resolvemos resolver e depois logo vemos o que sai daí. E geralmente o que sai? Para alinhar com o espírito festivo – em verdade vos digo…

Para mim, as resoluções só existem quando são concretizadas. Quando executado e levado a bom porto o proposto, o planeado. Quando há um início e um fim. No entretanto, podemos classificá-las de várias formas:

Intenções – quando somos mais esperançosos que propriamente determinados, estando presente uma dúvida mais ou menos persistente que coloca em causa a suposta resolução.

Complicações – quando formulamos uma suposta resolução e acreditamos piamente que a conseguiremos concretizar, investindo e mobilizando o necessário para tal, percebendo mais tarde que se tornou noutra coisa, no mínimo desconfortável, quando compreendemos e temos de aceitar o rotundo falhanço. Neste caso, não existindo uma dúvida inicial, ela sempre aparece, por vezes insidiosa, outras sem apelo nem agravo, algures no decurso desta transmutação suposta resolução – complicação.

Mentiras autoimpostas – quando sabemos perfeitamente que a suposta resolução não passa de uma mentira. Um placebo do momento. Uma operacionalização mental de objetivos que sabemos bem cá dentro serem nados-mortos. Aqui, não existe qualquer dúvida.

 

Para que o próximo ano corra melhor que este (objetivo principal das supostas resoluções de fim d’ano), DECIDI (processo que já teve início mas não fim) pensar na minha quota-parte de intenções, complicações e mentiras autoimpostas. Para que não seja muito doloroso, costumo colar os objetivos por grau de DÚVIDA da sua execução às classificações sugeridas. Vejamos três exemplos que ilustram tal: a) fazer mais exercício e alimentação mais saudável – intenção; b) comer uma só francesinha por mês – possível complicação; c) pagar o condomínio dentro dos prazos – mentira autoimposta.

 

Esta é a prenda que vos quero dar este ano, para gozarem no próximo. Não digam a vós próprios ou aos outros que tomaram resoluções. Digam simplesmente que “tenho a intenção de…”; “será complicado mas quero…”; “sei que estou a mentir a mim mesmo mas gostava de…”. O que ganham realmente com isto? Não faço ideia. Acabei de tomar a resolução de voltar a oferecer os três pares de peúgas que a minha tia-avó me deu no Natal passado. Tenho INTENÇÃO de as oferecer a alguém que goste delas, o que vai ser COMPLICADO, e sei perfeitamente que estou a MENTIR A MIM MESMO quando digo que ela vai gostar.

 

Rui Duarte

 

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3.1.12

 

Ao limpar meu armário achei a lista do ano passado, de resoluções. Envolvida no clima de fim de ano fiz promessas de emagrecer, mudar coisas que eu não gosto da minha vida e mudanças no trabalho. Não fiz tudo; eu diria que muito pouco. Emagreci nestes últimos meses porque havia engordado muito.

É comum para mim e para muitos fazer, essa lista de fim de ano. Parece que serve para torturar quando lemos e vemos que não avançamos. E por que não se avançou? Porque às vezes a vida impõe um caminho distinto a essa lista. As circunstâncias, o destino, a vida, não estão muito preocupados com nossa lista.

Mas quem desiste? Poucos. Ficamos insistindo em resoluções de ano novo, de fim de ano, de começo de ano, de aniversário, qualquer data que sirva.

Diante da minha frustração no fracasso dessa última lista, fiz outra, uma nova resolução para 2012.

Se vou emagrecer? Não sei, não coloquei na lista. Pretendo, mas não vou colocar na lista. Se vou achar o trabalho que me faça feliz? Também não sei e não vai para a lista. E quanto ao coração? Será este ano um bom ano? Não sei.

Escrevi apenas uma coisa, uma só resolução, que espero possa me guiar todos os dias dos próximos 365 que me esperam, uma linha define o ano: Ser feliz.

Ser feliz com o que a vida me trouxer, decidir, fizer. Pouco posso diante das coisas que acontecem fora do meu controle, mas posso escolher ser feliz. É minha única escolha deste ano, minha única resolução.

Escrevo uma só linha, a vida já vai se encarregar de preencher as linhas que faltam. É esperar para ver.

 

Iara De Dupont (articulista convidada)

 

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30.12.11

 

A Ana era ainda uma jovem menina quando foi violentada pela primeira vez. Uma dor que lhe tomou a alma de tal forma que deixou de se reconhecer. "Porquê eu?" era a sua pergunta mais frequente. Apesar de ter sido um estranho, sabia que em casa ninguém compreenderia o que tinha passado e, por isso mesmo, nunca contou a ninguém. Para a família e amigos, continuava a ser a criança que era, responsável e com boas notas, apenas um pouco rebelde na sua maneira de ser.

 

Passados dois anos o seu avô, a única pessoa que a conseguia confortar apenas com o olhar, morreu de um acidente estúpido que nunca ninguém lhe soube descrever. Mas como seria possível morrer assim de forma tão rápida e inesperada, sem que ninguém lhe dissesse uma única palavra? Como poderia aceitar esse vazio inexplicável?

 

Meses mais tarde a sua família desconstruiu-se e já nada era reconhecível: nem o estar, nem o ser, nem o ficar. E foi nesse momento que Ana soube que tinha que partir. Como poderia ela ficar no meio daqueles escombros de uma família com que não se identificava? Mas na verdade, no momento que se preparava, surgiram mil argumentos e desculpas e não foi... ficou!

 

Os anos foram passando e aqueles escombros que inicialmente repudiou, tornaram-se a sua casa, a sua forma de estar e até mesmo o seu ser. Sabia que nada de bom poderia vir e a descrença pela vida e pela felicidade era total. Como poderiam existir pessoas que se diziam felizes? Achava que certamente o diriam apenas da boca para fora, porque acreditava que a felicidade não existia e nada poderia ser tão cor-de-rosa quanto a tentavam pintar.

 

Depois de terminar o curso, de ter um bom emprego e um bom carro, Ana poderia ser considerada uma pessoa bem sucedida. Mas ela sabia-se derrotada. Derrotada por eles, derrotada pela vida e por uma série situações que não controlou e que agora já não conhecia o caminho inverso. Nessa altura sentiu que tinha chegado a um cruzamento: lutar ou desistir eram apenas as duas opções.

 

Desistir sem dúvida era o mais fácil, mas… como fazer o mais fácil se toda a sua vida tinha sido difícil? Porque não procurar o tal pincel da vida cor-de-rosa de que lhe falaram em tempos?

 

Pouco mais de um mês depois, estava sentada na esplanada de uma pastelaria na rua mais agitada da cidade. Faltavam poucos dias para o Natal e a agitação de carros e de pessoas era tanta que lhe fazia confusão. Ela estava simplesmente ali sentada, estática, com o seu interior apertado e sem reação... mas aquele momento não a preocupava, sabia que não era vazio o que sentia, mas nervoso. Olhou para o relógio: Faltavam 20 minutos para a primeira sessão que tinha marcado na semana anterior. O nome recomendado era Rita e essa era a única coisa que sabia dela. Depois de pagar a conta do lanche, seguiu para o prédio que olhava de longe. Subiu ao terceiro andar e entrou naquela pequena clínica embalada por uma música dos anos setenta. E tal como a música, todo o ambiente parecia ter parado décadas atrás. O que a esperaria para além daquela outra porta fechada que adivinhava ser a do consultório?

 

A verdade é que por detrás daquela porta saíram longas conversas, que ela não sabia se eram com a Rita ou se consigo mesma. Semana após semana, apenas as duas sabiam o que se libertava ali, um mundo construído muito para além dos escombros que vivia.


Os anos passaram. A Rita continua a trabalhar naquele pequeno gabinete e a receber pacientes hora após hora. A Ana, essa, já seguiu o seu caminho. Saiu de casa, deixou a família que a maltratava sem saber, encontrou um amor que vive em pleno e está grávida de 8 meses. Ficou radiante quando soube que iria ter uma menina, e já lhe pintou o quarto… de cor-de-rosa!

 

Cátia Azenha (articulista convidada)

 

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28.12.11

 

O Mil Razões... está em destaque na homepage dos Blogs do SAPO Moçambique.

Obrigado SAPO!!

 

Mil Razões...

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27.12.11

 

O sol quente teimava já em entrar pelas frinchas distraídas da persiana. O quarto ia-se iluminando devagarinho, descobrindo a pouco e pouco um corpo entorpecido na cama, desajeitado, deitado ao acaso e ainda com as pantufas nos pés. A cama ainda por desfazer e, na colcha, a forma desenhada e amarrotada do peso do António. Lenta e dolorosamente, deixou-se tombar para o lado e esfregou os olhos contrariado. Com o peso do seu mundo sob as costas curvadas, levantou-se e apertou melhor o roupão folgado. Vagarosamente, deixou-se arrastar até à casa de banho onde um espelho pequeno e frio lhe devolveu um rosto sonolento e amargurado. Repetiu os seus rituais de sempre e regressou ao quarto. A cama esperava por si, sedutora e apetecível. Mas naquele curto instante, mesmo antes de se deixar levar pela força da gravidade e afundar no leito dormente da cama, António hesitou e deu um passo atrás. Naquele momento começou a ser um dia diferente, algo inédito nos últimos meses. Sentou-se na escrivaninha e arrastou para os lados as pilhas de livros desarrumados. António pegou numa folha perdida e numa caneta e fez algo que nunca tinha feito antes: escreveu uma carta ao seu pai. “Pai, as tuas críticas foram sempre muito duras e sinto que nunca estive à altura das tuas expetativas. Estou magoado contigo… Mas amo-te muito e tenho muitas saudades. Lamento tanto nunca te ter dito isto, tanto… porque somos tão orgulhosos?” A tinta continuou desenhar letras e palavras naquela que seria a primeira e última carta que António escreveria ao seu pai que havia sofrido um AVC fatal na Primavera. Quando terminou, quem estivesse muito atento poderia ver o atenuar subtil da sua curvatura.

“Uma já está!” – pensou António. Um pouco animado e sem saber muito bem como ou porquê, via-se agora decidido a arrumar cada uma das gavetas da sua alma. Aqueles sítios secretos onde vamos colocando tudo aquilo que nos toca e que nos dói, às vezes tanto ao ponto de as fecharmos a sete chaves. O pó que se vai acumulando dentro delas vai-se tornando cada vez mais dolorosamente denso, pesado. Juntamente com a poeira, cresce o medo e a vontade de evitar mexer ou remexer nestes compartimentos escondidos cuja morada apenas nós conhecemos. Porém, um dia acordamos e sentimos que já temos pouco de humanos, pois tudo aquilo que nos define e que nos impulsiona, as emoções, as angústias, os desejos, ficaram presos nestes pequenos baús. António, nesse dia, sentiu-se um pouco mais vivo. Guardou a carta num envelope distinto e vestiu-se à pressa. Ainda meio zonzo por todas as decisões que havia tomado em tão pouco tempo, apalpava freneticamente a desarrumação do seu quarto em busca das chaves de casa. O quarto, assim como toda a casa, era um pequeno caos. A sua alma, essa, começava agora a ser desempoeirada, aos poucos, gaveta a gaveta. Já na rua, António caminhava tranquilo, com as mãos nos bolsos e numa passada segura e decidida. O frio daquele entardecer de outono beijava-lhe a face e um sorriso desenhou-se nos seus lábios. A casa da sua mãe ficava a uma dezena de minutos de distância e, no entanto, desde o funeral do seu pai que não se falavam. Era tempo de arrumar mais uma gaveta…

 

Liliana Jesus


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23.12.11

 

“Desorganize-se! Tenha uma nova experiência de vida. Ajudamos a desorganizar-se. Contacte-nos.” Logo por baixo aparecia um número de telefone, um e-mail, uma morada.

Carolina ficou imóvel a reler tão estranho anúncio, impresso no seu jornal da manhã de sábado, habitualmente consumido com uma cevada dupla e um queque, no conforto do café, em mesa junto à montra, de onde lançava olhares esporádicos ao jardim fronteiro. Pensou ser absurdo. Absurdo, não – estúpido, é mesmo estúpido, acrescentou. Deve haver alguma ideia, alguma coisa por trás disto… Surpreendida e intrigada, Carolina esticou-se nas costas da cadeira. Toda a vida se esforçara em ser organizada, em otimizar a sua organização, em alguns aspetos tinha mesmo conseguido algum requinte organizacional. A sua casa, a sua família, o seu contributo laboral, eram claramente o resultado do seu esforço organizativo e gostava de pensar em tudo isso como um relógio em perfeito funcionamento.

Já em casa, após uma passagem pelo supermercado para as compras de sábado, o desassossegante anúncio não saía do pensamento de Carolina, provocando-lhe alguma irritação. Tinha de fazer alguma coisa! E fez. Telefonou para o número do anúncio.

A conversa, com aquele homem de voz suave e calma que transmitia tranquilidade, foi ainda mais surpreendente. Ele representava uma empresa que ajuda as pessoas a deseorganizarem-se, a sentirem a vida de forma diferente, a serem verdadeiramente felizes, como ele explicava. E como fazem esse trabalho? Fácil! Deslocam-se ao domicílio do cliente, analisam a sua vida em pormenor e entregam um plano de desorganização, para que o cliente o coloque em prática. E acompanham a aplicação do plano, dando consultoria e, eventualmente, introduzindo alterações no plano original, se a experiência revelar essa necessidade. Todo o processo está terminado ao final de trinta dias, ou seja, um mês depois o cliente está garantidamente desorganizado e feliz, ou então será reembolsado. Carolina estava paralisada. E todo aquele trabalho de análise, planificação e desorganização, até era em conta… Como não experimentar? Como provar ao idiota que criou tal empresa que tudo aquilo era completamente estúpido e impossível de concretizar? Carolina só encontrou uma resposta – contratar os serviços da “Não quero saber… – Consultores”. Nessa mesma tarde, em casa de Carolina, começou o trabalho de análise.

 

Uma semana depois, Carolina recebia o seu “PPD - Plano Pessoal de Desorganização”. Leu atentamente os seus sete pontos-chave e os detalhes pessoais que se seguiam a cada um deles: 1 – Guarde tudo pois um dia pode ser útil; 2 – Coloque qualquer coisa em qualquer lugar; 3 – Trate de tudo sempre na próxima semana; 4 – Nunca arrume - procure o que quer no meio da confusão; 5 – Use apenas a sua memória; 6 – Esteja sempre atrasada; 7 – Perca pelo menos um objeto pessoal por dia.

Ficou sem palavras, mas num impulso, o seu consultor pessoal de desorganização colocou mãos à obra.

 

Seis meses depois, Carolina sentia-se mais feliz do que nunca, sem vestígios de stress. Luís, o homem de voz suave e calma que transmitia tranquilidade, perguntou a Carolina, ao verificar o seu percurso de sucesso para a desorganização e felicidade:

- É possível viver com organização?

Carolina respondeu prontamente:

- Sim, mas não é a mesma coisa…

 

Fernando Couto

 

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20.12.11

 

Uma venda nos olhos... Não vendo os outros com este par de olhos, vejo-me a mim, melhor...

 

1º Passo. Respiração caótica. Expira, expira, expira, só expira! Pelo nariz, boca fechada. Sem ritmar pela música, deixo variar a batida da respiração, às vezes forço essa batida. Ah, seria tão mais fácil se a cabeça tivesse só um botão liga/desliga! Mas que posso fazer se é por aqui o caminho! Vai, vai, ajuda com o corpo, os braços fazem de fole. Chega o abismo, vou morrer! Com tanta expiração não sei por onde entra o ar. Não pode entrar ar! Será que quem inventou isto sabia o que fazia? Abro ligeiramente a boca, bebo um gole. Aldrabei... É para continuar! O tempo avança. “Último minuto”, diz uma voz tocando o meu botão de fogo. Vou todo, então. Sinto desfazer-se a coroa por cima da cabeça, enquanto as lágrimas já se formam no canto dos olhos...

 

2º Passo. Catarse! Explosão! O sonho mais secreto que cada um tem e reprime. Poder ser um louco absoluto por uns minutos. As lágrimas que se formavam jorram agora entre os meus olhos e a venda. Agarro uma almofada, um abraço a mim próprio... Vem mais, não sei bem o que há ali. Violento, assusta! Raiva condenada, mas raiva de quê? Teatro. Deito-me no chão e bato no colchão sem ter razão. Dois murros e as razões aparecem tão rápido que não sei como não me dava conta de que lá estavam. Não sabia que ainda estavas ali... Não sabia que já estavas ali... Foste. Agora mexo o corpo. Apetece-me tremer como se me preparasse para voar. Volta a tristeza, deito-me e choro. Eu sabia que estavas por ali... Assim me encontrou o sinal para o próximo passo.

 

3º Passo. Huu Huu Huu. Entre o céu e os pés no chão, um Huu saído ali abaixo do umbigo. Salto batendo com o pé todo no chão, enquanto os braços se mantêm erguidos ao alto, descobrindo esse som bem no fundo de mim. Assusta a batida forte dos calcanhares no solo. Parece que o corpo se pode desintegrar a qualquer instante. Mas sabe-me bem, cada vez me vai sabendo melhor. Sentir o pulsar daquela vibração pelo corpo acima. Começam-me a doer os ombros... Sei bem o que é, as dores da responsabilidade. A responsabilidade sobre o que está fora, com a qual ainda me entretenho, mais esta nova responsabilidade funda sobre mim próprio. No próximo passo vou passar mal... Esquece o próximo passo! Agora é este e devolve-me o eu.

 

4º Passo. Stop! Parou nesta posição! Sem mexer. Observo primeiro o fluxo de energia correr corpo acima. Mas vêm as dores nos ombros. Os braços começam a baixar um pouco, um pouco mais, baixam mais ainda. Vem o julgamento, o meu julgamento... Não me importa. Vou aproveitar como posso, como sei. Isto é meu, não é de quem inventou a meditação. Observo estas duas forças, a que me leva os braços para baixo e a que os mantêm em cima. Num momento sinto os braços muito em baixo e volto a levantá-los ao alto. E assim fico até a música começar.

 

5º Passo. Dança! Celebração! Milagre! Estou só ali a balançar ao vento do meu ser. Sinto o nascer do sol aparecer por detrás da venda e viro-me para ele. Cai uma lágrima em mim. Feliz por estar vivo. Feliz por estar eu.

 

Um mergulho no lago, nu, e o dia pode começar.

 

Vladimiro Fernandes (articulista convidado)

 

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16.12.11

 

Quando era pequena, adorava brincar à florista. O meu quarto tornava-se a minha loja, a minha cama era a minha bancada. Nela colocava os mais diversos recortes de flores com o maior cuidado, separadas por tipos e cores. Demorava horas a instalar a minha bancada, este era o propósito da minha brincadeira. Sentia-me dona do meu jardim, nada me escapava. Uma vez a minha bancada montada, já me sentia tão cansada que as minhas poucas vendas eram muito rápidas, só serviam “para picar o ponto” e de seguida arrumava tudo até uma próxima vez. As minhas brincadeiras acabavam sempre por adotar o mesmo esquema, estivesse eu a brincar à florista, às casinhas ou à cozinheira, espalhando flores, panelas ou roupas, adorava expor, organizar e arrumar, só pelo prazer de colocar tudo em ordem.

 

Hoje posso dizer que sou uma pessoa metódica mas já lá vai o prazer das arrumações. Tenho pouca paciência para dispor as coisas por cores ou tamanhos. Sou organizada porque não consigo viver de outra forma. Não posso dizer que sinta prazer em arrumar e muito menos em limpar; tornou-se um mal necessário, talvez porque o “fazer de conta” deu lugar ao “ter que ser”. A minha finalidade deixou de ser a viagem mas sim o destino, de preferência rápido, para poder fazer mais coisas, para cumular mais tarefas. Quando era pequena, brincava às arrumações porque tinha tempo, agora, faço arrumações para não perder mais tempo. Detesto procurar algo que não encontro simplesmente porque não estava arrumado. Cada segundo que perco a procurar faz nascer em mim uma fúria descomunal, prefiro mil vezes despender tempo em organizar do que em procurar aquilo que perdi; parece-me mais compensatório.

Mesmo assim, há alturas da minha vida em que o meu quarto parece um campo de batalha ou o cesto da roupa suja ameaça explodir. Há dias em que não faço nada, deixo para o dia seguinte, que vem a seguir ao seguinte. São geralmente fases que não duram muito tempo. Deixo-as vir e ir. Aos poucos, consigo recuperar alguma energia e alguma ordem na minha vida, que coincide geralmente com alguma ordem na minha cabeça. Quando tudo fica arrumado, volto a sentir-me mais segura, mais ativa e divirto-me a pensar que assim controlo melhor a minha vida.

 

Estefânia Sousa

 

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13.12.11

  

Abro a mala. Está completamente desorganizada. Peças espalhadas, misturadas entre si, numa confusão que revela o meu desleixo. Não me apetece organizar. Aliás, não me apetece. Nada! Sinto-me um caos. Olho em redor e todo o mundo parece estilhaçado. A vontade de fechar os olhos e assim permanecer, é forte em mim.

Olho-me ao espelho. Deixei-me cair nesta trapalhada. Quantas vezes a vontade de fechar os olhos, na esperança que ao abrir tudo está no seu devido lugar. Tudo está correto. Tudo está no sítio. Tudo faz sentido!

Porém, o desalento instala-se. A vontade de me organizar é nula. Quero esquecer, ou melhor, quero avançar para o futuro sem passar pelo processo intermédio. O da organização. Mental! Estalar os dedos e… voilá!

Mas não dá! Estou presa neste vício de olhar para o lado. Ignorar o caos que me rodeia, que não é mais do que um reflexo de mim. Dos meus estilhaços interiores.

 

Quem é que, em algum momento da vida, não se sentiu assim?

 

Cecília Pinto

 

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9.12.11

 

18:16.

Ok, ainda tenho tempo.

Deixa-me lá lembrar onde pus a receita para a farmácia…

 “Fogo! Que gajo doido! Passou-me cá uma tangente!” Há cada vez mais malucos na estrada. Ok, eu não sou muito melhor...

Se bem me lembro, acho que enfiei a receita naquele monte de papéis que andam na carteira há semanas. Tenho mesmo de fazer uma limpeza àquilo. Já não sei o que tenho p’ra lá. Não faz mal, quando estacionar, procuro.

Se tiver tempo, ainda passo no supermercado. Do que é que eu preciso mesmo?! Leite… água… sumos… raios! Falta-me mais qualquer coisa. Não faz mal… quando chegar lá, tento lembrar-me.

“Oh pá! Desliga-me esses máximos!” Outro maluco.

Amanhã, quando chegar ao trabalho não me posso esquecer de enviar aquele mail. Já o devia ter enviado. Como é que pude esquecer-me?! “E o trânsito que não anda!...” A culpa é minha, devia ter saído mais cedo. E o mais estúpido é que podia tê-lo feito, mas pus-me na conversa…

Por este andar, já não vou poder ir ao supermercado! Será que falta algo para o jantar? A propósito: O que vou eu fazer para o jantar? O que há no congelador? Devia ter encomendado carne no talho… Não faz mal, quando chegar a casa vejo o que há e desenrasco qualquer coisa.

Ei… é verdade, lembrei-me agora que não deixei comida para a cadela. Será que ela ainda tinha comida na tigela? E água? Raios! Que cabeça a minha!

Espero que a caldeira hoje funcione. Ontem foi lindo, sem água quente. Esqueci-me de lembrar o João para telefonar ao técnico. Será que ele se lembrou? Por falar nisso, hoje não lhe liguei durante o dia. Espero que ele não tenha ficado chateado comigo. Não faz mal, logo dou-lhe mais miminhos para compensar.

 “Que música irritante!” Mais vale ir de rádio desligado.

 

18:35.

Boa! Já estou atrasada. Era bom que houvesse um lugar para estacionar.

”Vá lá! Saia da frente!” Que mania desta gente, parece que estão aqui a morrer na estrada. Se não têm pressa que vão a pé!

Ok carrinho, vais ficar mesmo aqui. A polícia não deve aparecer hoje.

Receita, receita, onde estás tu? Tanto papel que eu tenho p’raqui. Boa! Ainda tenho rifas para o sorteio do Natal do ano passado. Tenho mesmo de limpar isto. Ah ah! Aqui estás!

Pronto… tinha de começar a chover agora!

Eu tinha um guarda-chuva… Eh… deixei-o ontem na casa da minha mãe. Por falar nisso, não me posso esquecer que os convidei para almoçar lá em casa no dia… ah sim, dia 11. Isso é de aqui a quanto tempo? Hoje são… 7. Raios, é já no próximo domingo. Que vou eu fazer para o almoço? Tenho de pensar numa receita fixe e que não seja muito complicada. Amanhã, no trabalho, quando vier da reunião vou um bocadinho à net para me inspirar. Por falar nisso, ainda não preparei os pontos para a reunião. Penso nisso logo, enquanto estiver a fazer o jantar.

Pronto, vou sem guarda-chuva. Que se lixe! O chato é que estou a ver que já não tenho tempo de ir ao supermercado.

 

- Desculpa filhote. A aula já acabou há muito? A mãe atrasou-se…

- Não faz mal mamã. Já estou habituado…

 

Teresa Moura (articulista convidada)


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6.12.11

 

Não quero nada. Nada, ouviste bem. Estou farto de tudo que me tens dado. Se isto é tudo, não quero nada. Quero que me deixes em paz, que não me sugues mais a alma e o tutano. Desgraças-me. Destróis-me. Desorganizas-me. Raios te partam, mulher, és o tornado da minha vida. Quero odiar-te, descobrir em ti pormenores horrendos, curvas de enjoar, algo que me faça virar-te as costas e respirar de alívio. Quero gritar contigo, gritar na tua cara, encher-te de perdigotos ácidos. Gritar a sério. Quero que me odeies. E vais odiar-me quando eu gritar, para um quarteirão inteiro ouvir, que sou miserável a teu lado. Que não me fazes feliz, que me irrita profundamente essa tua maneira de ser. Imaginar-me contigo, daqui a vinte anos, dá-me vontade de chorar como um menino. Tira-me o sono. Revolve-me as entranhas. É isto que te vou dizer e tu vais odiar-me, ah vais. Como é possível ser-se assim, como tu és, esse ser irritante que defrauda o meu sonho de felicidade, sempre que respira o meu metro quadrado de oxigénio?

 

Mais ou menos aqui no meu discurso, vais sentar-te (sim, até agora estiveste de pé), com os olhos marejados e o lábio inferior a tremer, e olhar para mim como se o mundo pudesse acabar nesse instante. E achas, porventura, que isso não me preocupa? Preocupa, pois. De tal forma que ainda não consegui fazê-lo. No entanto, gosto de imaginar que acontece, tal e qual como o visualizo, e que nem chegas a percebê-lo. Sonho que te arranco o tapete debaixo dos pés e te deixo cair, desamparada. Era bem mais fácil se me desses um motivo para o fazer. Um erro teu, pequenino, uma incongruência que encobrisse a minha covardia e me deixasse escapar incólume. O José queixou-se da mulher uma noite destas, num dos nossos jantares das quintas-feiras. Pelos vistos, a Amélia tem tido mais aulas de Pilates do que as que paga. O homem não dorme, não sossega. E eu, a ouvi-lo, cheio de vontade de o abraçar e dizer: “Parabéns, amigo. Que sorte a tua! Já podes mandar essa deslavada à fava e viver à grande.” Era o que eu queria ter dito mas os olhos cheios de lágrimas do José impediram-me de abrir a boca. Quão patético consegue ser um homem destroçado pelo ciúme?

 

Quem me dera, Leonor, que fizesses algo assim. Que arranjasses um amante, um vício, uma mania, uma desculpa cómoda para eu te deixar. Insistes em ser a mulher perfeita, tudo absolutamente imaculado: a casa, as minhas roupas, as refeições. És pontualíssima. Sorridente. Competente. Bonita. Inteligente. Paciente. Irritantemente fiel. Todos te adoram. Todos me lembram o quão perfeita és e a sorte que tenho em te ter como mulher. E eu, furioso e cáustico por dentro, sorrio, simplesmente. Como lhes poderia explicar que a perfeição, afinal, não chega, se eu próprio não sei porquê? Como lhes ousaria revelar que, aquilo a que chamam perfeição, talvez não passe de total concordância, insossa e violenta? Como? Só me resta esperar de ti a falha, o erro que não vou perdoar, para me ver livre de ti. Então erra, pelo amor de Deus, erra. Faz qualquer coisa que transgrida a estrutura organizada da tua – nossa - vida. Deixa-me usar o teu erro a meu favor e sair bonito na fotografia. Deixa-me culpar-te por não te querer, assinar em baixo com letra sofrida, e abrir os braços ao mundo para que este me absolva da minha sacanice. Vá lá, Leonor, não sejas egoísta…

 

Alexandra Vaz

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2.12.11

 

Bom, agora coloco aqui este monte de papel, as esferográficas ali e aquele canto fica para os arquivos. Está impecável. Limpinha. E cheira a novo. Assim dá gosto. Vou mantê-la sempre assim. No dia seguinte, no fim do dia, verifico se está tudo no sítio, desligo o candeeiro e abalo satisfeito. Dois dias depois, no resto da semana, todo o mês, todo o ano, todo o tempo, o mesmo procedimento, a mesma energia, a mesma motivação: deixo sempre a minha secretária imaculadamente asseada. Ao meu mundo mantenho-o assim, arrumado, estável e controlado. Sou feliz assim.

 

A secretária da minha colega, por seu lado, está arrumada com a delicadeza de uma escavadora. Não sei como é que é possível! Está tudo fora do sítio. Aquela mesa envergonha os piores teatros de guerra. Por vezes nem o computador desliga. O mundo dela é um caos. Ninguém pode ser feliz assim. Ela dantes não era assim. Há muito que não nos falamos. O trabalho não deixa. E eu também não quero. Ela andava a cansar-me lá com as coisas dela.

Ela é uma besta, só pode. Quem é que consegue trabalhar naquelas condições? E aposto que aquelas gavetas estão cheias de tralhas velhas e inúteis. Se bem que raramente as abra. Provavelmente para que eu não sinta o cheiro de uma fatia de pizza por lá esquecida há dias, sei lá. Ou para que eu não veja o resto da anarquia. Ou, o mais certo, não as abre porque não cabe lá mais nada. Ah Ah!

 

As minhas não: na de cima estão as coisas de uso comum, os clipes, o agrafador e o furador, as minas, os marcadores fluorescentes e as cargas para as esferográficas, claro; na do meio, que é maior, estão as pastas dos documentos urgentes e a correspondência a expedir; na última, a maior de todas, estão as minhas coisas pessoais, postais, fotografias, recordações da minha infância, gentes da minha história, uma bola de golfe autografada, o número do jornal da empresa quando fui o funcionário do mês em 2003, o recibo do jantar com a Isab… Hum… Não! Com a Elsa (aquilo não deu em nada mas comi lagosta), o galhardete da Junta de Freguesia pela participação no torneio de xadrez do ano passado… Eu sei, eu sei: sou um pouco vaidoso.

 

Agora que penso nisto, talvez espreite as gavetas dela… Deixa-a ir-se embora… Não! É melhor não mexer. Pode notar… Notar o quê? Naquela confusão? É! Ela hoje sai mais cedo e eu vou aproveitar. Aposto que estão cheias de lixo.

Foi-se. É agora. Hum… Deixa cá ver: gaveta de cima… Tal como suspeitei: lixo. Batons, vernizes das unhas (alguns abertos e secos), escova de cabelo, uma almofada de pó-de-arroz esquecida, uns cartões de lojas, uma lima das unhas, coisas de gaja. Deixa ver a segunda: revistas, recortes de vestidos, fotografias de quintas para casamentos, um livro sobre decoração de interiores, outro sobre maternidade e este aqui, eh eh, dicas de autoajuda. Deve ser para a ajudar a arrumar a secretária. Agora estou curioso: o que é que ela terá na terceira? Hum… Está leve. Parece vazia. Está vazia! Vazia? Deixa-me espreitar. Não! Vou abri-la toda. Que é isto? Uma rosa em cima da fotografia da filha?

 

Joel Cunha


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29.11.11

 

Colocam-se cinco macacos em frente a um cacho de bananas. Quando um dos macacos arranca uma banana e a come, sobre os outros cai um balde de água fria. Segue-se outro macaco que, de igual modo, arranca uma banana e come-a. Os outros são molhados com água fria. O terceiro, o quarto e o quinto macacos também têm a sua banana enquanto os outros são molhados com água fria. É então que, quando mais uma vez um dos macacos tenta chegar às bananas, os outros batem-lhe e impedem-no.

Substitui-se um dos macacos por outro que não tenha sido sujeito aos banhos de água fria e logo ele se dirige para as bananas, mas os outros batem-lhe e impedem-no. Substitui-se um segundo macaco por um novo, sem a experiência do banho de água fria e logo tenta chegar às bananas, sendo também impedido de o fazer - os outros macacos batem-lhe; o primeiro que foi substituído, copiou os outros e também ajudou. Substitui-se um terceiro macaco e também acabou num fracasso a sua tentativa de comer uma banana, impedido pelos que tinham levado os banhos de água fria e pelo primeiro e segundo substituídos. A experiência continua até se substituírem os cinco macacos.

Conclui-se que todos eles, mesmo não tendo sido sujeitos aos banhos de água fria, batem nos macacos que tentam comer as bananas.

Se lhes pudéssemos perguntar porque batem no macaco que tenta comer a banana, a resposta provável seria: - Não sei, mas foi sempre assim.

Esta experiência científica servirá com certeza para explicar muita coisa, reflexos condicionados, conhecimento baseado na experiência e tantas outras, mas o que me parece mais revelador é a perigosidade de se aceitar uma organização sem a pôr em causa. Questionarmo-nos porque é assim e não de outra maneira, não significa o fim de uma organização, o resultado pode ser uma melhor estruturação e uma melhor funcionalidade. Assim, em nome de uma boa organização, perguntemos sem medo e tenhamos a coragem de fazer a diferença.

 

Cidália Carvalho

 

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25.11.11

 

1. Pensar sobre o assunto

O que querem dizer com (Des) Organização? Trato o tema como uma questão laboral? Não fazia mais sentido se o fizesse do ponto de vista pessoal? No fundo somos todos mais ou menos desorganizados… Com tudo aquilo que se passa hoje em dia nas nossas vidas, cada vez mais difícil tomar o pulso às coisas… Vá organiza-te… E se fosses para o campo da Psicologia? Caraças, mais um texto chato debitado para o mundo não! E se imprimisses um pouco de humor no mesmo? Pronto, lá estás tu a divagar outra vez. Desorganização vs. Organização? Estou perdido…

 

2. Procurar referências

Ok… pode ser que te ajude. Organização – s. f. 1. Ato ou efeito de organizar; 2. Organismo; 3. Estrutura; 4. Fundação, estabelecimento; 5. Composição. (in www.priberam.pt). Bem, tens aqui alguns ângulos que não tinhas pensado. Desorganização – s. f. s. f.

Falta de boa organização; confusão; desordem. (in www.priberam.pt). Aha! Podem não ser bem polos opostos. Lembra-te disto. Melhor! Sê organizado! Sublinha! E no Google? Bem, as sugestões para organização são: organização mundial de saúde, organização de eventos e organização curricular. Desorganização: desorganização mental, desorganização do pensamento, desorganização cerebral. LOL Então no Desorganização vs. Organização ganha esta última. Tudo o que é da primeira remete para a doença. Bem, parece que vamos ter mesmo de abordar isto da perspetiva da Psicologia…

 

3. Estrutura

a) Vai ao e-mail e faz download do modelo para escrever;

b) Define o título (ideia: (Des) Organização: Opostos ou só diferentes?);

c) Definição de cada uma;

d) Aborda primeiro a Organização (menos interessante sob o ponto de vista escolhido);

e) Aborda a Desorganização e faz aqui a ponte para a Psicopatologia (nada muito técnico…). Também podes ir para o lado da Psicologia Organizacional… Fala com o Ricardo Carneiro.

f) Remata o texto sublinhando o óbvio: a organização não é só ter tudo direitinho nas várias componentes da vida e a desorganização não é só e apenas o seu oposto. Não te esqueças de referir a componente subjetiva da coisa. Escreve um comentário humorístico sobre a tua própria (des) organização para haver alguma identificação com os leitores.

 

Nota: Não te esqueças que é até dia 10. Escrever na próxima 5ª, sem falta! Coloca lembrete no Mac.

 

Rui Duarte

 

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