28.4.17

Engagement-KarenWarfel.jpg

Foto: Engagement – Karen Warfel

 

Livre. Leve. E solta.

Calma. Tranquilidade. Leveza.

Faz-me sentir como se eu perdesse o peso que carrego de ser quem sou. O mesmo que eu sinto contigo: eu sossego, abrando, sou translúcida e transparência. Porque me dispo para ti, porque me deixo descobrir, porque deixo que me descubras.

Porque sou quem sou contigo e porque sinto que tu és quem és comigo, sem filtros ou máscaras. Somos dois seres no estado mais genuíno e puro do ser, como se um se envolvesse na mente do outro, E o mais bonito é que o outro permite isso. Conexão mental. Liberta-me a mente.

És o meu ponto de luz. Que me conduz. Que tira o véu da minha alma e a liberta. E voa: livre, leve e solta.

 

“Segue o Sol

Ele é que é o teu farol

Olhos na altura

Swing na cintura

Pé no chão, carapinha no céu

Coração leve, pulsa no sabor da aventura

A vida é um rio que desliza até ao Sol

Daqui para adiante, horizonte fundo, alto, largo

Só luz

Segue o teu Sol

Siga”

Sara Tavares; Ponto de Luz (tradução livre do crioulo)

 

Sandra Sousa

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

26.4.17

Child-Petra.jpg

Foto: Child - Petra

 

O seu olhar era sábio, profundo e doce, alimentando-nos a alma. O seu sorriso iluminava tudo à sua volta. Dizia que o medo era o maior dos males. À custa do medo atrocidades se cometiam. Nada a amedrontava e ela, nada afrontava. Delicadamente aproximava-se dos animais mais selvagens, aqueles que qualquer adulto não ousava sequer olhar, e acariciava-os com amor, um amor irradiante, luminoso. Toda a natureza se harmonizava na sua presença, como se uma onda transformadora de um puro e amplo amor banhasse tudo à sua volta.

Com amor, amor incondicional por todos os seres, o medo desvanece e a vida refloresce com mais vigor e harmonia.

Era ainda uma criança, mas continha em si toda a sabedoria milenar: o AMOR incondicional tudo transforma!

 

Tayhta Visinho

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

24.4.17

Pregnancy-AlbaRomá.jpg

Foto: Pregnancy – Alba Romá

 

E, de repente, o tema Amor.

Mote preferido dos poetas, inspiração maior dos que, não sendo poetas, escrevem versos. Tema nunca esgotado pelos pensadores, matéria viva e pulsante que alimenta livros, sustenta a eternidade dos melhores romances e confirma a intemporalidade dos contos infantis.

Seiva da própria vida, elixir de juventude, fome do espírito, alimento da saudade. Tempero sensorial das palavras mais simples. Ingrediente básico para as declarações mais requintadas. Tema de apetência natural e conhecimento transversal a todos a quem é pedido que fale dele - do Amor.

 

E, de repente, eu aqui, ser amante e amado, sem saber o que escrever sobre Ele. Eu, que já escrevi cartas de amor ridículo, já sonhei romances de amor eterno, já persegui sonetos de amor espartilhado, já senti amor de versos livres, já magoei poemas de amor inocente, já rimei saudades com amor vivo, eu, que já sublimei tantas palavras de amor... temendo dissertar sobre Ele sem cair em fossos comuns, ou tropeçar em palavras já exauridas de sentido e originalidade.

Eu que, como todos vós, sabe da sua importância nas relações humanas, e em todos os pontos e nós do tecido que nos interliga, eu, sem saber que parábola escrever para o explicar. Em que pequena frase o definir. Em que longo depoimento o interpretar. Em que simples palavras o elevar ao princípio e fim de tudo o que existe. Direi que o sinto, que o tenho dentro de mim, que nasci dele e para ele. Direi que dele necessito como pão para a boca. Direi que preciso de dar desse pão aos outros, para poder sobreviver. Que há vezes em que me sinto, simultaneamente, a explodir de saciedade dele e a mirrar de fome dele. Direi que sou humana - e que muitas, muitas vezes, não consigo manter equilibrado o fluxo desse sentimento que, como o sangue do nosso corpo, tem uma circulação própria e fundamental no corpo da sociedade - receber para respirar, dar para viver.

Mas sei que respeitar a circulação vital do Amor dos outros em tudo o que nos cerca, é o primeiro passo para conseguir ser feliz. Ou, pelo menos, para continuar capaz de Sentir - sem precisar ou saber explicar o silêncio onde cabem todas as memórias do ventre da nossa mãe.

 

Teresa Teixeira

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

21.4.17

Granny-BenjaminBalazs.jpg

Foto: Granny – Benjamin Balazs

 

Podia dizer do amor sobre muitas coisas… ao dinheiro, a um objeto, a um animal, a uma profissão, etc., mas… isso não é amor.

A palavra amor até pode ser polissémica, ou pelo menos dar-se a várias interpretações consoante o sujeito e o objeto dele. Também se reconhece ser difícil de definir, pelo que é preferível personalizar, projetar em alguém esse sentimento para poder falar dele com mais propriedade e substância: o amor de mãe.

A mãe certamente terá muitos defeitos, muitas inconsistências ou, pelo menos, algumas imperfeições. Quem as não tem? Mas regra geral ela dá tudo o que tem e sabe para a defesa, crescimento e desenvolvimento das suas “crias”. A mãe dá-se, doa-se, divide-se, multiplica-se, sofre, supera-se, enfim, ela é capaz de tudo para proteger e fazer crescer o seu filho. Tira à sua boca para dar ao filho; coloca-se sempre em último lugar; esquece-se de si mesma; sofre por antecipação; sofre com e por; vive todas as angústias, todas as ansiedades e dores do filho. Nunca pergunta pelo troco; nunca dá a pensar no retorno; nunca quer recompensa a não ser o carinho e a memória de que é merecedora. A mãe que é mãe não hierarquiza nem privilegia pois preocupa-se com todos e cada um conforme as suas necessidades e caraterísticas, encontrando sempre uma solução, uma forma, um jeito de fazer ou resolver qualquer dificuldade, prevenindo e antecipando possíveis desencontros que a vida vai construindo. A mãe é sábia e a experiência adquirida dá-lhe autoridade em todos os momentos. À sua maneira, ela prolonga-se, projeta-se e, às vezes, realiza-se no filho É uma incondicional defensora e admiradora do filho, pois tenha ele a idade que tiver, ele é sempre o seu menino!

Assim é uma mãe e, se conseguir multiplicar o dito por dez, aí tem a minha mãe, muito amada.

 

Fernando Lima

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

19.4.17

Mom-Unsplash.jpg

Foto: Mom - Unsplash

 

- Quero subir para aí contigo, mamã! - dizias, como se fosses embarcar numa aventura inelutável. Os teus olhos grandes a engolir o mundo brilhavam enquanto, impaciente, saltitavas em pontas.

Segurei-te pelo tronco e puxei-te para mim. O sol tímido roseava-te o rosto pousado no meu peito. Devagar, baloicei-nos e deixei que a brisa nos afagasse os cabelos. Dancei os meus dedos pelas tuas sobrancelhas e desenhei-te a face vezes sem conta. As tuas pestanas longas, negras, cerravam-se aos poucos. Estavas ali. Meramente ali, comigo, nesse dom, que só as crianças possuem, de estar verdadeiramente e completamente onde estão.

E naquele instante, todos os relógios pararam. Eras outra vez o bebé que há anos embalei no meu regaço. Sussurrei-te em silêncio as saudades que me trouxeste. Sei que me ouviste. Como me ouves de todas as vezes que te sorrio sem nada dizer. E eu fui criança também, eu estive ali, meramente ali, contigo, connosco e com os ponteiros de todos os relógios do mundo, interrompidos, suspensos, como nós, naquela cama de rede, sob o abraço do sol.

Amo-te, amo-te em paz. Amo-te tão tranquilamente, tão intensamente e tanto… como todos os amores deveriam amar. Esse amor que se balança, sustado e eterno.

 

De repente, olhaste para mim, olhos enormes a engolir o mundo outra vez:

- Mamã! Quero ir jogar à bola com o mano!

Saltaste para o chão depressa, correste e os relógios regressaram ao seu compasso. Deixei-te ir, como te deixo ir “crescendo” a cada dia que passa, escapando-me das mãos. Sei, porém, que sabes (tão bem) que no meu coração não habitam relógios. Podes voltar ao meu regaço que eu prometo que o tempo para de novo e que não digo a ninguém que te balanço como em criança, neste amor sustado e eterno.

 

Vanessa Brandão

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

17.4.17

Girl-CherylHolt.jpg

Foto: Girl - Cheryl Holt

 

Disse-te, na única vez em que nos demoramos nas palavras, que nem todas as figuras geométricas me agradavam, sobretudo triângulos. Respondeste com uma sonora gargalhada e uma apaixonada dissertação sobre os três vértices que a ti te faziam tanto sentido. Apesar de eu gostar das palavras que pincelaste, dos sons que, juravas, contavam histórias de amor, dos cheiros que inebriavam a alma, não encontrei harmonia em nenhum dos teus predicados: quanto mais falavas sobre eles, mais eu rodopiava no vórtice do teu desconcerto. Deixei de te escutar quando te disse que nada tinha para te oferecer e tu continuaste, alheio à minha vontade, argumento atrás de argumento. Se não estivesses tão empenhado em queimar razões a troco de nada, poderia ter-te dito que também tu nada tinhas para me oferecer e que esse é o teu caminho, não é o meu. A tua insistência nunca poderia recrutar-me mas a tua arrogância impediu-te de perceber que nem todos vibram na tua frequência. Não está certo nem errado, não é bom nem é mau, é o que é. Queremos coisas diferentes, sabes? O amor na tua vida tem três vértices e arestas afiadas, nunca descansa e salta refeições a troco de uns petiscos. Na minha, deita-se numa cama de dossel iluminada pela luz de um vitral de Fibonacci e repousa num par de braços onde se espelha. Na sua ausência, só a completude do Ser, e apenas ela, me alimenta. Nada disto te faz sentido, pois imagino que não. Vá, não percas mais tempo a explicar-me as mil vantagens do “amor moderno” e as triangulações da tua intimidade. Olha, está ali alguém com Pitágoras escrito na testa. Faz-nos um favor a ambos: vai lá vender-lhe o teu peixe e deixa-me aqui com o Marvin que canta, só para mim, este amor antigo e gostoso.

 

Alexandra Vaz

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

14.4.17

Love-ЮрийУрбан.jpg

Foto: Love – Юрий Урбан

 

Simpatia, beleza, empatia, química - sim, também, até pode ser tudo isso que entrechoca, faz chispa e produz faísca, lança a chama, lavra um fogo crepitante. E depois?

As dúvidas, as hesitações, as culpas, o lastro? Os mal-entendidos, os outros amores, os desencontros e os desmerecimentos. Sim, oh sim!

A carne é boa, muito boa; é inebriante, explosiva, sufocante, ardente e vê-se, sente-se, toca-se, arrepia-se, transpira-se. Da capo!

Sim, outra vez.

Também a música, a voz; tocar, cantar podem ligar-nos. E ligam.

O prazer da mesa, no prato e no copo, multiplicado pelo prazer da presença dos amigos múltiplos.

O sexo e a mesa compram-se ou trocam-se. Não é por aí, portanto.

O que faz o amor, com que haja amor? Tem parcelas? É total, inteiro, digo eu. Não vem de volta? É igual. Que interessa? Interessa, mas o mais importante, faltando muito, muito para ser tudo, é podermos e sermos capazes de amar, termos como e quem amar.

O amor dá vida, traz vida. Ainda que não tenha razões, é razão de vida. Sem o amor, o quê?

Que bom, como eu sou capaz de amar, de saber que o amor pode ser eterno, aconteça o que acontecer. Sim, incondicionalmente!

O amor precisa de tudo, o amor não precisa de nada. Não é à escolha, é assim. O amor é! Permanece. Pereniza.

Precisamos de ser amantes e chegamos ao amor. Vivemos com amor.

 

Jorge Saraiva

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

12.4.17

Couple-Pexels.jpg

Foto: Couple - Pexels

 

O amor é a expressão mais terna da humanidade. A transcendência elástica que abriga o possível e o impossível no seu âmago.

Quem habita a atualidade cravejada de sofrimento e de lamentos diversificados entende o quão urgente e necessária é essa força silenciosa. Esse grito mudo que reclama por um sentir traduzido positivamente nos gestos e nas palavras. Mais do que nunca é importante agir. Mais do que nunca é importante amar. E basta que um coração bata e uma mão se estenda para iniciar a revolução individual, que pela acumulação de sinergias transformará a realidade. Nesse ato simbólico reside o princípio da comunhão global, colmatando as falhas cruas que despontam em cada canto, rompendo eficazmente com o ódio, o medo ou a ignorância que afligem e ferem os pilares que nos sustentam como sociedade.

 

Refugiemo-nos no que nos torna humanos, tanto pelo mitigar das diferenças, como pela procura das semelhanças, usufruindo do milagre da coexistência que traz conhecimento e crescimento conjuntos, necessários à progressão dos tempos e união ambicionados. E assim a vida será tanto mais doce quanto maior for o amor.

 

Sara Silva

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

10.4.17

Beautiful-PanaKutlumpasis.jpg

Foto: Beautiful – Pana Kutlumpasis

 

Ela é a verdadeira fonte de amor. Mas, antes e primeiro que tudo é fonte de vida, o que já é muito. Mas mais do que isso, é igualmente uma força da natureza viva que procura ser ela própria, sempre a mesma, una e múltipla: una em relação a ela, múltipla em relação a todo nós, cujas paixões de amor são várias e em todos os sentidos. Nela começa o mundo; nela começa a vida, com o seu intenso amor dá vida à vida; nela só há amor para dar e receber. Só ela sabe dar vida ao mundo com inigualável amor.

 

Governasse ela o mundo, com a ternura e amor que nela existem, certamente que tudo seria diferente: haveria mais paz e concórdia; mais fraternidade e solidariedade; mais justiça e compreensão entre os homens e mulheres. O seu papel na vida não se esgota apenas no embalar do berço do recém-nascido e muito menos se resume ao papel de musa inspiradora, quando considerada pela sua beleza física. Graças à sua inesgotável capacidade de amar e de poder dar tanto do seu amor, ela poderá embalar a humanidade para a evolução de uma sociedade mais justa, fraterna e humana.

 

As qualidades femininas são sempre evocadas de forma especial na comemoração do dia mundial da mulher, em 8 de Março de cada ano, que ocorreu há dias, mas nem sempre se reconhece, na prática quotidiana, a sua dedicação e ponderação, a sua intuição e o seu sentido de amor que imprime nas relações humanas. Apesar de subestimado muitas vezes o seu papel na sociedade, temos de convir que é na mulher que reside o amor supremo da humanidade.

 

José Azevedo

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

7.4.17

Female-CherylHolt.jpg

Foto: Female - Cheryl Holt

 

Não se vê mas sente-se. Sente-se tanto que por vezes sentimos um grande formigueiro na barriga, só de ouvir falar.

Dói. Sentimos tanta dor por tê-lo como por não tê-lo. Dores diferentes, é certo, mas dores. Sem perceber bem porquê, secretamente desejamos sentir essa dor só para sabermos que estamos vivos e em relação com alguém.

Ele não se vê mas é ele que nos faz mover. É ele que nos faz ir de norte a sul do país por uma mera causa, só nossa apenas.

Vem de dentro e nada cá fora pode alterar isso. Pode tentar, influenciar, deturpar a visão mas... na verdade, nada altera. Por vezes até fortalece.

Faz-nos rir e chorar quando pensamos no que foi vivido, sentindo saudades e vontade de repetir certos momentos e sensações.

Dá-nos energia de continuar a fazer o que fazemos apenas por amor, apenas por acreditar.

Se correr bem, é recíproco e duradouro. Para sempre. Se correr menos bem, fica mais uma história para contar. Mas devemos sair dela a sorrir porque vivemos e amamos com todas as nossas forças. Afinal, não é para isso que existimos?

 

Sónia Abrantes

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

5.4.17

Couple-Lambhappiness.jpg

Foto: Couple - Lambhappiness

 

Olhou-me nos olhos. As mãos, de detalhes e traços únicos, acariciavam-me o rosto. Havia sensação naquelas carícias, de resto como em tudo que tocavam, porque eram mágicas. Os dedos longos percorriam livremente o meu rosto, conheciam-lhe os pormenores e os sinais que me distinguiam das demais e me individualizavam. E, nesta divagação, colhia uma felicidade explosiva e o sentimento de eternidade.

 

Olhou-me nos olhos mas não me viu. Não viu o meu interior, não podia vê-lo, escolheu-me para materialização da mulher com que tinha sonhado. Eu vi no seu olhar essa mulher que ele acreditou ter encontrado e, transformei-me aos poucos no que ele quis que eu fosse. Mudei e quase acreditei na transformação. A simplicidade deu lugar à sofisticação e eu quase gostei. Esqueci referências do passado, adotei novos modelos e quase parecia verdade. Mas esta mulher que o desejo idealizou quase matou a mulher verdadeira. Vivíamos uma alegre mentira. Enganávamo-nos. Ele, a ver em mim o que queria ver mas que eu não era, eu, esquecida do que fora, a fingir ser o que não era.

 

Mas, amor não se engana.

Olhou-me nos olhos e eu não lhe devolvi a imagem que ele queria ver, mostrei-lhe a minha alma ferida de mentiras.

Viu-me. Amou-me ainda mais!

 

Cidália Carvalho

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

3.4.17

Family-OmarMedinaFilms.jpg

Foto: Family – Omar Medina Films

 

“Amor” não é, para mim, um tema que tenha leitura fácil e traz-me algumas dificuldades. Por um lado, não consigo definir “amor”, por outro, tenho a sensação que há várias formas de o sentir por diferentes pessoas e, por outro, tenho a convicção que, às vezes, para além do bem-estar, também me provoca (muito) sofrimento.

 

Com a primeira dificuldade não estou preocupada, porque penso que o amor é apenas para sentir e dar, e ter a tarefa de o definir não me leva a lado nenhum.

 

Com a segunda, é assim mesmo. Amor pelo pai, amor pela mãe, amor pelos filhos, amor pelos irmãos, amor pelo companheiro… Há qualquer coisa de diferente entre estes amores, mas sinto-os como amor.

 

Com a terceira fico preocupada, porque também me faz sofrer. Mas, provavelmente é assim; se não sentisse amor, talvez não sofresse da forma que sofreria se o sentimento não fosse amor, digo eu, com todas as dúvidas.

 

O amor preocupa, inquieta, perturba, apazigua. Aqui, ou noutro local, sinto a liberdade de expressar que o amor me provoca diferentes sensações e, a propósito dessa liberdade, também esta precisa de ser pegada ao colo e cuidada com amor.

 

Ermelinda Macedo

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

31.3.17

Woman-EfesKitap.jpg

Foto: Woman – Efes Kitap

 

A luz da manhã chegou-se à janela, colou-se ao caixilho, avançou para a ombreia e para o parapeito, deslizou pela parede, tocou na cadeira, raspou no armário e derramou-se sobre a cama, dos pés à cabeceira. Quando lhe tocou o rosto, ele acordou, de repente. Ele gosta de ser acordado pela luz das manhãs de primavera. Deixou-se ficar por uns instantes, imóvel, a sentir a luz nas pálpebras fechadas, no calor que se lhe acendia suave no rosto. Saiu da cama num salto que o levou a bater com os dedos do pé direito na cómoda, que ali ao lado se acomodava para mais um dia. Gritou de dor!

 

Talvez tenha dito um palavrão, logo abafado pelo armário. Acariciou os dedos magoados e percebeu que não havia fraturas. Avançou para a casa de banho. Após algumas funções que ele definiu para si como sendo a melhor forma de começar o dia, e que vou evitar explicar, entrou na banheira. Percebeu que já estava atrasado. Abriu a torneira e a água precipitou-se sobre ele, como só a água sabe precipitar-se. Instantaneamente percebeu que, na precipitação, esquecera de rodar o manípulo para o lado da quente. Gritou de frio!

 

As manhãs de primavera provocam-lhe fome – é sabido. Na cozinha, percebeu que tinha apenas uma fatia de pão. Excelente para uma torrada. Ligou a torradeira que, nas última semanas vinha a torrar-lhe a paciência, ora não torrando o pão, ora queimando-o. E dedicou-se a pensar sobre o que preferia colocar na torrada. Marmelada, manteiga e um lençol de geleia, doce de mirtilo ou doce de limão, limão, limoeiro, que lindo estava o limoeiro nessa manhã… e os amores-perfeitos logo ao lado, tão perfeitos, sobre os quais se debruçavam os narcisos procurando espelhos, todos inebriados com o cheiro das rosas… a queimado… Gritou de raiva!

 

Caminhava e sorria. Era primavera, estava sol, o ar estava frescamente a aquecer. Sorria e caminhava. Olhava as pessoas na rua, apressadas e com roupas leves. Caminhava e sorria. Olhava os decotes e as pernas descobertas. Sorria e caminhava. Atravessava as ruas como que esvoaçando, apreciando aqueles prodígios da primavera. Caminhava e sorria. “O metro está hoje encerrado por motivo de greve. Agradecemos a sua compreensão”. Gritou de fúria!

 

Atrasado e indo a pé para o trabalho. Até era bom, pois assim fazia uma caminhada naquela deliciosa manhã de primavera. Excelente para perder algumas das gorduras que lhe engorduravam a barriga e outras partes. Na esquina, uma criança gritava com a mãe. E como gritava forte… Não tinha mais de cinco anos. E a mãe envergonhada no silêncio. No tempo em que fora criança, não era assim. Os olhos colados na dinâmica da progenitora e do seu rebento. Quando ele era criança, as mães é que gritavam com os filhos. E chamavam-lhes nomes. Alguns nomes, elas chamavam a elas mesmas, certamente entusiasmadas com a gritara. Mas agora anda tudo ao contrário – são as crianças que gritam. E o poste ali tão perto do nariz… Gritou de dor (mais uma vez) e de desespero (por não ter sensores de proximidade, como os carros)!

 

E foi passando assim aquele dia de primavera. Apreciou o ar quente, a luz, o sol, as pessoas, e celebrou a alegria. Gritou de alegria (em silêncio) por tantos prodígios que um dia assim revela. Por vezes distraia-se e gritava (baixinho e envergonhado) ao tocar o seu exuberante nariz, burilado a poste.

 

Avançando, que todos temos afazeres…

 

Quando o sono o assaltou, resolveu deitar-se. Mas antes, assegurou-se de que a janela estava preparada para receber a luz do dia seguinte, que também deveria ser de primavera. Já com o pijama colocado, esticou-se na cama. Esticoooouuu-se e espreguiçou-se, que é uma coisa muito boa, sobretudo numa noite de primavera. Gritou (longamente) de satisfação.

O vizinho bateu na parede e gritou (irritado):

- Não te estiques!

 

Fernando Couto

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

29.3.17

Seagull-2905102.jpg

Foto: Seagull - 2905102

 

Quando dei por mim, todo o meu ser jorrava para o mundo um surto de emoções. A minha voz percorria tudo à minha volta, atravessava as paredes, penetrava a terra e enchia o céu de um tenebroso trovão. Tal como o pássaro que, de asas abertas, abraça o ar para levantar voo, eu cobria de braços estendidos o universo que me pertencia.

 

Subitamente tomo consciência do meu ato e fico espantada com a força do som que emana de dentro de mim. Não sei onde fui buscar tanto fôlego mas não é hora de parar. O estrago já está feito e ainda há muito para libertar. Conscientemente, ganho novo lanço, empenho o meu corpo na sua desencarceração e descubro um atordoante prazer em soltar-me até ao ponto mais alto.

Lentamente, vou perdendo altura e sinto-me a planar acima das minhas amarras. Deixo a minha alma varrer os últimos vestígios de ar. Desço devagar à terra onde o meu ser e o meu corpo se unem em sincronia.

 

Olho à minha volta, expressões de incompreensão questionam esta minha repentina forma de expressão.

Vazia e de joelhos ao chão, despeço-me em silêncio desta catarse que se evapora na minha exaustão.

Agora sim posso recomeçar.

 

ESM

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

27.3.17

Scream-Mandyme27.jpg

Foto: Scream - Mandyme27

 

Sobre o Grito:

Deu origem a uma obra de arte norueguesa que retrata o desespero e a angústia;

Não é possível dar um grito na fase REM do sonho pois, com a exceção dos músculos dos olhos e respiratórios, os músculos ficam paralisados.

Ajuda a diminuir a dor física. Alguns estudos indicam que enquanto se grita, o cérebro fica com menos espaço para assimilar a dor, fazendo com que a perceção da dor diminua.

Gritar ajuda a espartilhar a dor que vai na Alma. E aqui Gritar não é no sentido de gritar com raiva para as outras pessoas. É gritar para o Universo, é soltar a voz, é deixar que a dor seja vomitada sob a forma de um som. É a antítese do silêncio que grita o som mais perigoso de todos, que é o silêncio do já nada mais vale a pena.

A vida vale um Grito... vale todos os gritos que tiverem que ser lançados no ar.

Gritar.... gritar muito. Depois, com tranquilidade no rosto, seguir em frente rumo à vida!

 

Sara Almeida

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

24.3.17

San-Francisco-ItsaWaB.jpg

Foto: San-Francisco – Itsa WaB

 

Já era tarde. Ana estava deitada, já fazia algumas horas. Rolava na cama, mas não conseguia dormir. Ana levantou a cabeça e olhou o relógio que herdou da avó, e o barulho do relógio a fazer tic-tac-tic-tac, fazia lembrar que prometera se desfazer do relógio já fazia tempo, mas toda manhã quando se levantava e pegava o relógio, lembrava-se de ouvir o mesmo som na casa da avó, quando despertava. Era sempre domingo e cheirava a bolo de banana. A promessa da madrugada se desfazia e ele ali permanecia.

Estava calor e as folhas das árvores não se movimentavam. Ela sentia-se sufocada, trocou a roupa por uma mais leve, mas nada parecia ajudar. Já faltavam poucas horas para se levantar quando ela, enfim, pegou no sono.

Sonhou que caia num buraco muito profundo, ela gritava com toda sua força para alguém resgatá-la, mas ainda que ela gritasse muito, ela só ouvia o silêncio. Era como se aquele buraco fosse o espaço, onde o som não se propaga. E mesmo que ela gritasse até não ter mais forças, ninguém conseguiria ouvi-la.

 

Ana acordou cansada, foi para o banho a pensar naquele sonho estranho que tivera.

Lembrou o quanto se sentia sufocada por ter um trabalho que detesta, mas fica calada. Lembrou, também, há quanto tempo não tem férias e nem sabe quando terá, mas segue calada. Também lembrou que precisa buscar as crianças e ir ao mercado depois do trabalho. Estava exausta. Vestiu a roupa apressada e seguiu.

Enquanto estava guiando, lembrou novamente do sonho. Ouvia música. Sentiu uma vontade de chorar imensa. Soltou um grito. Há muito barulho na cidade, ninguém pode ouvi-la.

 

Leticia Silva

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

20.3.17

Doll-Alexandra.jpg

Foto: Doll - Alexandra

 

Logo de manhã, cerca das nove horas, ouve-se o primeiro grito. Claro que este é seguido por outros, curtos, intensos como os gritos devem ser. Sentado na secretária capto o estímulo auditivo. Preciso apenas de uma fração de segundo para o integrar e compreender. A única ação da minha parte é partilhar com a minha colega de gabinete: "É o F.". Evidentemente que tal era desnecessário. A minha interlocutora não precisava que lhe dissesse de quem se tratava. Não porque o F. seja o único a gritar no local onde trabalho. É sim apenas mais um que também grita. O grito é-nos familiar pelo volume, timbre e colocação. O F. não fala. Nunca o fez. Também não anda e depende de terceiros e de uma cadeira de rodas. Geralmente o F. tende para a indisposição e isolamento. Comunica de forma muito rudimentar e maioritariamente as expressões comunicativas prendem-se com a satisfação de necessidades básicas. Comunica com o corpo, mobilizando as partes que consegue e expressa-se com o som, ausente de palavras mas com contundência relevante.

 

A M. entra de rompante no meu gabinete. "Ó Rui..." inicia ela antes de ser interrompida por mim com um "Bom dia M.". A interrupção surte o efeito desejado e ela responde de volta "Bom dia Rui", colado ao que a levou ali: "Bom dia Rui, quero o desenho de um palhaço". A rapidez com que entrou, a forma como se mexeu, o modo como falou e a sua imagem corporal revelam imediatamente que a M. não está bem. Dou-lhe o desenho e digo-lhe para ir para a oficina de pintura. A experiência por vezes antecipa de forma rigorosa o futuro e, claro, passado algum tempo ouço os gritos. Vêm da esquerda da minha porta e são os habituais. Alguns sem conteúdo, outros insultuosos. Murros nas portas, vidros e cuspidelas. E mais gritos e insultos. A M. é acompanhada para uma sala para efeitos de vigilância e segurança.

 

O C. passa grande parte do seu dia sentado na cadeira de rodas adaptada. Tem paralisia cerebral e não fala. Abre o sorriso quando me vê e agita os braços descontroladamente. Fá-lo não por querer, apenas porque não consegue controlar a tonicidade muscular. Quando olha para a minha mão ele percebe ao que venho. Tal como lhe prometi trago-lhe uma revista nova de automóveis. Recebe-a nas mãos e quase a rasga, enquanto expressa a sua gratidão com sorrisos e gritos. Muitos.

 

O grito é um instrumento comunicativo poderoso. É universal. Pode comunicar uma situação de urgência, dor, desconforto, necessidade e até alegria. A comunicação Humana, como todos sabemos, é extremamente complexa. Reveste-se das mais variadas formas e intencionalidade. O grito é apenas mais um veículo de comunicação. E este foi apenas mais um dia.

 

Rui Duarte

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

17.3.17

Crayon-MariKanezaki.jpg

Foto: Crayon – Mari Kanezaki

 

Eu gostaria de perceber por que motivo é tão difícil ser-se mediana numa vida mediana. O esforço deveria ser mínimo, o sofrimento residual.

Mas, em vez disso, corro. Corro sempre. Atrás de comboios que não consigo apanhar – porque são mais rápidos do que eu, ou porque eu sou realmente mais lenta.

E, sempre a correr, QUERO AGARRAR TUDO, TODOS! Alguma coisa, alguns... um quase nada.

Tomar consciência de que não consigo alcançar o que me proponho e de que cada vez alcanço menos, apesar do esforço ser cada vez maior é… frustrante (não era bem esta palavra que gostaria de utilizar, mas ficamos assim).

 

E porquê? PORQUÊ?

Decerto é a idade que já me pesa nos ombros (não, a idade não é muita; os ombros é que são fracos). Ou então, um excesso de falta de alguma coisa que não consigo bem identificar. Coragem? Paixão? UMA CERTA DOSE DE REALISMO?!?!

E por vezes, apetece… Era pegar numa borracha, apagar o que está mal. Como quando em miúda desenhava no Paintbrush; ali era sempre possível começar de novo, tentar fazer melhor.

Mas, pensando bem, eu nunca tive muito jeito para desenho.

 

Sandrapep

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

15.3.17

Reading-Unsplash.jpg

Foto: Reading - Unsplash

 

Diariamente, cumpria com minúcia a sua rotina. Acordava, aprumava-se com o seu fato bem passado e asseado, alimentava os peixes do aquário e saía para o trabalho rotineiro no escritório de contabilidade. Durante o dia, raramente levantava os olhos da secretária. Abstraído no seu trabalho, nem reparava nos colegas, aliás estes nunca lhe ouviram uma palavra sequer! À hora marcada saía e regressava a casa para mergulhar nos seus livros, ou então ocupava o tempo a pesquisar e comprar novos livros online. Repetiu todo este ciclo de rotinas anos e anos.

 

Naquele dia, enquanto tomava o seu café na pausa da manhã, percebeu que os colegas falavam dele, que o achavam estranho e desinteressante, alguns sentiam até medo dele, temendo que fosse um gélido psicopata. Mas o maior choque foi o dar-se conta do nome que lhe chamavam: o Senhor Silêncio! Para eles, silêncio era algo oco, insípido, sem vida. Perguntou-se o que é o silêncio? O silêncio é o som inaudível! O seu silêncio era cheio de vida, um turbilhão de ideias, desejos, pensamentos, sons e movimentos agrilhoados dentro de si, querendo explodir!

 

Nessa tarde, saiu mais cedo do trabalho e dirigiu-se ao ponto mais alto da sua ilha, uma bela escarpa sobre o oceano. Nunca tinha visitado aquele local e, por entre as árvores, subiu a escarpa até atingir o seu limite. Contemplou maravilhado toda a extensão daquele mar de um azul intenso que se dissolvia na suavidade do azul do céu. Subitamente, um borbulhar de movimentos dentro do seu peito deflagrou num potente, prolongado e lancinante grito que rasgou os céus. Aves esvoaçaram precipitadamente sobre as árvores, o mar agitou-se desenhando ondas gigantes que se desfizeram na escarpa. Liberto de todo um mundo paralelo, encarcerado dentro de si, desceu a escarpa cantando alegremente em direção à povoação.

 

Tayhta Visinho

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 09:30  Comentar

13.3.17

Water-MartinWinkler.jpg

Foto: Water – Martin Winkler

 

O acaso é tramado. Foi ele que nos apresentou. Deu-nos a conhecer um ao outro, sem ele próprio antever no quão profundo isso se tornaria. Mas o acaso também é trapaceiro e malandro: tira em igual medida que dá e, hoje, ao acaso junta-se a distância.

Hoje, o acaso deu-nos a distância de sermos duas ilhas separadas por um oceano que nos parece imenso. Mas nem essa quantidade de mar abalou a primeira cumplicidade que se sentiu, apenas, nos nossos olhos. Sim, as palavras vieram depois. Ah, as palavras! E com as palavras a partilha, o conhecimento do ser, a descoberta do ser que quer ser só contigo. Se o acaso nos apresentou, a distância foi a responsável por nos juntar.

Descobriste-me o mundo, aquele que fui e que vou sendo; descobri-te o mundo que és e vais querendo ser. Sossegámos os gritos ensurdecedores, mas silenciosos, de ser-se quem se é e que habitam nas profundezas de algo obscuro, que guardámos nem sabemos onde. Os segredos mais íntimos, não partilhados, agora revelados e descobertos nas palavras escritas à distância.

E porque sossegaram esses gritos? Porque ousamos partilhá-los um com o outro nesse mundo onde nos libertamos do peso de ser quem somos.

Agora, o grito silencioso que ecoa é o da distância, esse que percorre todo o mar que nos separa e que acaba na onda que banha a areia dessa praia. Por enquanto, resta-nos o eco daquilo que poderia ter sido. Também pode ter-se saudade daquilo que não aconteceu, não pode?

 

Sandra Sousa

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 09:30  Comentar


Maputo | Moçambique

Pesquisar
 
Destaque

 

Porque às vezes é bom falar.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Estefânia Sousa Martins

Fernando Couto

Fernando Lima

Jorge Saraiva

José Azevedo

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Vanessa Santana

Abril 2017
D
S
T
Q
Q
S
S

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
13
15

16
18
20
22

23
25
27
29

30


Arquivo
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


Comentários recentes
gostei muito do tema artigo inspirado com sabedori...
Não podia concordar mais. Muito grata pelo comentá...
Dinheiro compra uma cama, mas não o sono...Compra ...
Caro Eurico,O cenário descrito neste artigo enquad...
Grande artigo, que enquadra-se com a nossa realida...
Presenças
Outras ligações
Música

Dizer que sim à vida - Carlos do Carmo:

 

Dizer que sim à vida - Luanda Cozetti: