19.10.12

 

A falha é sempre encarada, na nossa sociedade, como algo a evitar e como uma tragédia. O projeto falhou, o sonho falhou. Que desgraça! O que vai ser da minha vida? Provavelmente vai ser outra coisa qualquer. Ou ainda melhor! Esta tendência de negar o erro, esta obsessão em evitar o erro, em aclamar apenas a excelência, faz-nos sentir a toda a hora uns fracassados! Uns fracassados na vida! Como se não fosse o erro que levasse à excelência! Quem nunca errou, nunca experimentou, nunca viveu! Esse sim, desfez o sonho da vida! Sonhar é essencial, como também é fracassar! Falhar num projeto, numa ideia, numa relação, não faz de nós fracassados. Faz de nós vividos. O erro é essencial à aprendizagem de qualquer matéria, quanto mais à aprendizagem da vida! Arriscar na busca dos nossos sonhos, é sim viver! E nesse risco, está comtemplada a falha. Faz parte! Falhar não faz de nós fracassados. Insistir em não aprender com a falha, aí talvez já nos faça!

Sonhei um sonho e ele não aconteceu. Ou aconteceu ao contrário. Ou seguiu por caminhos que não esperava. E o que aconteceu ao sonho? Inevitavelmente transformou-se noutro sonho. Essa é a função dele. Segui-lo, encontrar novos caminhos, optar por novos caminhos, desafiar novos caminhos, ousar novos caminhos. Essa é a função estruturadora do sonho. O sonho culmina sempre numa realidade. Por vezes, surpreende-nos de uma forma positiva. Outras vezes, desilude-nos. E o que fazemos então, em cada uma das opções? Ficamos por ali?! Pode haver quem! Mas a tendência natural, é seguir como qualquer ciclo, como qualquer etapa. É seguir, sonhando. Sonhando novo, evitando caminhos conhecidos, que a falha nos permitiu conhecer. Sonhar e falhar não se limitam, promovem-se. Cabe a nós perceber onde queremos chegar, quando falhamos e quando sonhamos. Se pretendemos seguir caminho. Ou ficarmos presos ao que foi. Eu acredito que, inevitavelmente, continuaremos a sonhar. Até podem ser sonhos irrealistas. Mesmo que a falha tenha sido dolorosa demais. Porém, no tempo e com o tempo, o sonho insistirá. Irrealistas ou não, serão eles que nos manterão presos à vida e acenderão a chama da esperança.

 

Cecília Pinto

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 20:05  Comentar

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