27.2.09


 


Papéis pequeninos e coloridos, fitas compridas e encaracoladas enfeitam as ruas no único dia do ano em que todos têm permissão para “ser louco”.


Parada num muro, com as minhas orelhitas de tigre, observo com entusiasmo o desfile de máscaras, personagens e pessoas, e interrogo-me sobre a possibilidade de cada um encarnar o que gostaria, sonharia ou imaginaria ser.

Existe um dia em que se pode dar asas à imaginação, liberdade às fantasias e espaço para todas as “tolices”, em que as máscaras são personagens fictícias que cada pessoa escolhe.

 

Vemos:

Bebés deliciosamente mascarados de abelhas, coelhos, gatinhos.

Crianças, que “já sabem o que querem” e escolhem as suas fantasias transformando-se em verdadeiros super-heróis ou encantadoras bruxinhas. E vemos a mais pura das fantasias a ganhar forma na vontade, no desejo de uma criança acreditar que, por um dia, é um grande mágico e consegue tirar um coelho da sua cartola enquanto anda de bicicleta, ou que é uma princesa e acredita que tem um reino feito de doces e chocolates.

Adultos que descontraidamente se transformam em crianças, em monstros ou apenas em alguém do sexo oposto.

 

E assim…

Todos, mas todos, tem permissão para brincar, mascarar-se, fantasiar, colorir, berrar, sem o perigo inerente de ser conotado de “louco”.

Podemos transformar-nos em heróis, em princesas, em guerreiros, em bichinhos. Podemos, pura e simplesmente, ser “loucos”, fantasiar livremente, levar a vida com humor.

Rir de nós e com os outros é uma experiência obrigatória para ser vivida num dia e não um direito para a vida toda.

E assim, apenas num dia do ano, pode ser-se ou fazer-se aquilo que gostaríamos ou queríamos o ano todo.

 

Mas para mim, a maior “loucura” não é fazê-lo ou sê-lo apenas num único dia. É, mesmo querendo, não o ser nem o fazer no resto dos dias.

 

Susana Cabral

 
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Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 00:07  Comentar

De carla ferreira a 8 de Março de 2009 às 19:58
Susana,

O Problema não é saber onde começa a loucura, mas sim quando termina.
Nem sempre somos capazes de enterder o que significa limite.... nem sempre nos aprecebemos que atingimos esse mesmo limite, entao continuamos em circulos construindo um fundo de loucura ....

De Susana Cabral a 7 de Março de 2009 às 23:23
Carla

Quando se atingido um limite e continuamos a viver nesse limite desconhecendo o seu fim poderá ser um alerta...
Um alerta que te esta a avisar que talvez tenha chegado a hora de mudares de direcção procurar e permitir a ti mesmo um bocadito de "loucura" se isso significar fazeres o que tens vontade para te sentires feliz.

De Filipa Rocha a 4 de Março de 2009 às 17:52
Carnaval é sinónimo de fantasia, humor e alegria... Estas deviam ser regras para todos os dias, sem claro ferir susceptibilidades, acho que deveríamos aproveitar um pouco do que é o espírito que se vive no Carnaval e aplica-lo ao dia a dia que muitos teimam em tornar cinzento e sem graça! Ás vezes uma boa gargalhada faz milagres por nós.
Carnaval podia ser "quando o homem quiser"... onde é que eu já ouvi isto??? :)

De carla ferreira a 4 de Março de 2009 às 15:43
Loucura??? Tens toda a razão no que escreves, loucura é ter vontade e não poder e ter de conviver com isso.
Loucura é deixar tudo na vida para correr a procura de algo... loucura é atingir o limite sem saber qual é o fim.

Gracias

De Liliana a 4 de Março de 2009 às 12:24
É verdade. O Carnaval é o único dia em que todos se podem transformar no que mais desejam sem ser condenados. Para mim quem mais aproveita este dia são mesmo as crianças. Elas sim gozam este dia como ninguém. Mas, no fundo, no fundo, o que eu queria era que todos os dias fossem um Carnaval...

De Pat a 2 de Março de 2009 às 22:27
porque a sociedade não nos permite ser "loucos" todos os dias... na verdade será essa a nossa maior loucura...

De Liliana a 2 de Março de 2009 às 02:11
De facto no Carnaval é o único dia do ano em que podemos libertar as nossas folias, tolices, e muitas vezes mostrar como realmente somos ou gostaríamos de ser. Rir e fazer rir deveria ser uma constante na nossa vida e não uma obrigação deste dia, pois deveríamos enfrentar a vida com um sorriso e ultrapassar os obstáculos com a mesma energia contagiante com a qual o Carnaval nos transforma.

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