1.2.13

 

O ano de 2013 entrou de rompante aqui por casa!

O vírus da gripe chegou em força e determinado a ficar por muito tempo, o que me obrigou a uma ida não programada ao Centro de Saúde.

Enquanto esperava pela consulta vi entrar na sala, repleta de utentes, uma amiga que não via há algum tempo.

Estava desolada!

A irmã tinha recentemente perdido o marido, vítima de cancro.

“Foi tudo muito rápido!” – disse-me – “Abriram e fecharam… nada mais havia a fazer…” – acrescentou entre soluços descontrolados.

Infelizmente, uma história como tantas outras.

A minha amiga estava particularmente preocupada com a irmã que, não tendo aceite a situação de início, materializou a sua revolta contra os médicos a quem acusou de nada fazer pelo marido.

E enquanto se perdia numa batalha de papéis e formulários, queixas e reclamações, o marido morria-lhe!

Longe dela… distante do seu coração… e só!

O momento em que recebeu o telefonema do hospital pareceu-lhe uma eternidade e foi como se o mundo explodisse e ela sucumbisse com ele.

Abriu-se-lhe uma ferida no peito, tão grande e profunda que ela se perdeu por lá e por lá ficou!

Esta história deixou-me triste e a pensar na nossa impotência perante estas coisas da vida e da morte.

Convencidos de que somos donos da vida, negamos aceitar que nesta vida tudo é efémero.

Não temos uma vida imensa pela frente, como queremos acreditar.

Tudo quanto temos é tempo!

Tempo para viver, viver bem se essa for a nossa opção, mas nem sempre é.

O tempo é um dos bens mais preciosos de que dispomos e é o único que, quando perdido ou esgotado, não conseguimos recuperar.

Às vezes penso no tempo que já vivi e no tempo que ainda tenho para viver e acabo sempre por chegar à mesma conclusão: não quero chegar ao fim com a sensação de que a vida me passou ao lado, simplesmente porque não me dei conta do tempo que passava por mim!

A propósito desta época menos boa que vivemos, alguém me dizia que sendo tudo passageiro nesta vida, por vezes deveríamos parar para recomeçar, determinados a fazer sempre o melhor de forma a nunca termos motivos para arrependimentos.

Estas reflexões trazem-me à lembrança a história que escrevi há uns anos, por ocasião do Natal, para um livro que oferecemos a amigos e familiares.

 

“Bolinhas de sabão

 

A bolinha de sabão perguntou a outra bolinha de sabão:

- Para onde vais? Quero ir contigo!

A outra bolinha de sabão respondeu-lhe:

- Todos me querem seguir… sou o máximo! Vou tentar bater o record de voo das bolas de sabão… vem se quiseres.

Dito isto rebentou.

A bolinha de sabão ficou de boca aberta e, de boca aberta, voou mais alto… até que um pássaro a debicou… rebentou em paz.

Uma outra bolinha de sabão que tinha assistido a tudo, sorriu e exclamou:

- Tudo é efémero! – e rebentou quando o passarinho lhe cagou em cima…”

 

Cristina Vieira (articulista convidada)


Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 10:00  Comentar

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