26.2.13

 

Havia qualquer coisa no tema proposto que não estava a assentar bem, que me estava a fazer mexer na cadeira, procurando uma melhor, mais confortável posição.

Só tomei consciência dessa “qualquer coisa” quando fui assaltado pela pergunta: vencedores ou vencedor?

Era isso, cada vez mais, “vencedor” é um resultado e uma busca singular, individual.

 

A ideia individualista tem feito, desde há largas décadas, o seu caminho, ocupando cada vez mais espaço na sociedade, estando talvez este modelo a atingir os seus limites. Como a História do mundo ocidental nos ensina, de cada vez que um processo ou modelo de desenvolvimento se esgota, há um passo atrás para se iniciar outro caminho de desenvolvimento. Mas isso já é outro assunto…

 

Vencer, ganhar é a medida de (quase) todas as coisas. É o que interessa (não é ideia assente e aceite que o segundo mais não é que o primeiro dos últimos? – note-se como aqui o plural já fica bem)! Logo, o que se pisou, esqueceu, amarfanhou, ignorou, amesquinhou para se ser visto como vencedor, fica na penumbra, na escuridão do esquecimento.

 

Fica mesmo?

Talvez não. Talvez o custo desta escuridão para sair vencedor, seja terreno fértil para os pesadelos. Talvez fosse por essa via que, na realidade, a nossa sociedade se tenha tornado ambivalente, em que nessa sombra germina um vago e massacrante sentimento de culpa. Talvez venha daqui uma explicação para que os discursos não sejam consequentes com os atos das pessoas. Vivemos hoje numa sociedade informada e livre de preconceitos, subjugada, no entanto, pela ditadura do politicamente correto.

 

A luta pela vitória – se imediata, instantânea, ainda melhor - a todo o custo, tem o seu lado B, uma “coroa” na penumbra, onde fervilha um exército mortífero de vencidos da vida.

 

Jorge Saraiva (articulista convidado)


Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 10:00  Comentar

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