5.4.13

 

Infelizmente, no mundo que vivemos, a palavra “violência” acompanha a vida de muitas mulheres.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, sete a cada dez mulheres serão agredidas ao longo de sua vida. E não só fisicamente, nem sexualmente, mas verbalmente também, essa violência muitas vezes velada confunde as pessoas.

A grande maioria acredita que agredir uma mulher verbalmente é dizer palavras de baixo nível e coisas ofensivas, mas existe outro tipo de violência, mais silenciosa, que todas as mulheres escutam todos os dias.

Quem nunca escutou: Só podia ser mulher? É coisa de mulher. Ela está nervosa porque é uma histérica, por que contratar se daqui a pouco vai engravidar? E quem mandou usar essa roupa curta? Isso deve ser coisa de mulher da vida... E assim vai, frases soltas, que se dizem todos os dias. As mesmas mulheres decoram o texto e não pensam que estão reproduzindo um padrão machista, quando se referem a outra mulher que não gostam chamam ela de prostituta, vadia, fácil, leviana. Quando fazemos isso, eu também já fiz, repetimos um padrão sexista que determina que existem dois grupos de mulheres, “as de respeito” e as de “vida fácil”.

Está tão presente no nosso dia-a-dia, essa divisão, que sem querer repetimos à exaustão.

Não depende só dos homens parar a violência, depende também de nós mulheres, primeiro quebrando nosso padrão mental, entendendo que estamos muitas vezes repetindo a agressão que recebemos, simplesmente porque não sabemos que é agressão; de pequenas somos acostumadas a pensar em nós como sub-seres, sub-humanos, sem ter nossos direitos respeitados, acreditamos não merecer nada mesmo.

Eu cresci escutando que mulheres são histéricas e dispostas a fazer a vida de qualquer homem um inferno. Mas ninguém me disse que ataques histéricos, ou fazer da vida de alguém um inferno, pode ser uma caraterística humana, não uma questão de gênero. O machismo leva de muitas de nós a noção de quem somos, e dos direitos que nos são subtraídos.

O verbo não é tão inocente assim. Namorados que sempre estão lembrando que erramos muito, ou não somos magras o suficiente, são namorados que estão agredindo.

Mas ele não bateu! Não, ele bateu sim e bateu muito forte, ou alguém aqui nunca ficou magoado com alguma coisa que escutou do ser amado?

Palavras podem não parecer muito, mas são capazes de quebrar barreiras e construir novos mundos. No dia em que o machismo abandone o nosso vocabulário, provavelmente a palavra violência também possa desaparecer.

 

Iara De Dupont (articulista convivdada)


Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 09:00  Comentar

Maputo | Moçambique

Pesquisar
 
Destaque

 

Porque às vezes é bom falar.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Landa Cortez

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Abril 2013
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
13

14
15
17
18
20

21
22
24
25
27

28
29


Arquivo
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


Comentários recentes
gostei muito do tema artigo inspirado com sabedori...
Não podia concordar mais. Muito grata pelo comentá...
Dinheiro compra uma cama, mas não o sono...Compra ...
Caro Eurico,O cenário descrito neste artigo enquad...
Grande artigo, que enquadra-se com a nossa realida...
Presenças
Outras ligações
Música

Dizer que sim à vida - Carlos do Carmo:

 

Dizer que sim à vida - Luanda Cozetti: