31.5.13

 

No artigo deste mês com o tema RISCO, gostaria de falar-vos do meu caso pessoal e de destacar como são ricas e relevantes todas e quaisquer experiências pelas quais, estou certa, cada um passará recorrentemente.

Em meados de 2007, estava eu com 28 anos, decidi concretizar uma ideia antiga – abrir um negócio. A experiência era pouca, o planeamento era pouco, o dinheiro escasso, mas a vontade de ser independente, de fazer algo útil pelo país e o otimismo eram grandes. Assim, procurei uma ideia de negócio “fácil” de aplicar, pedi dinheiro emprestado, organizei as questões burocráticas e logísticas necessárias e comecei, então, o tal afamado business.

Os especialistas em negócios e gestão dizem que os anos mais críticos estão entre os dois e os cinco primeiros anos de atividade. Escusado será dizer que ao fim de um ano, tive que “fechar as portas”. Fechei as portas ao tal mercado tão promissor; a uma vida que se estava a organizar “sustentavelmente” e, confesso-vos, que fechei as portas e janelas também ao sonho.

Consequências desta “atuação arriscada”, ou quem sabe, audaciosa: perdi todo o dinheiro que tinha, perdi casa, perdi toda a capacidade financeira de manter uma vida com alguma dignidade, contraí dívidas, perdi forças, perdi energia…

Depois de uma saída de casa dos meus pais, aos 24 anos, um pouco controversa, volvidos uns anos, ali estava eu a pedir guarida!

Por esta altura, vocês devem estar a perguntar-se por que razão exponho este pedaço da minha vida tão pessoal, e pensando, eventualmente, que o risco imprudente a que me sujeitei, é óbvio, não compensou.

Surpreendam-se… eu tenho uma opinião diferente.

Não procuro encontrar justificações para os passos mal calculados, as precipitações, os erros, o insucesso.

Via recentemente uma jovem de 23 anos a falar num programa de televisão, no qual relatava como tinha superado o cancro com humor (o qual virou o nome de um blogue), cancro esse diagnosticado aos 13 anos, e que hoje em dia é o motivo de apoio a tantas e tantas pessoas padecendo do mesmo mal. A dada altura, ela afirmou: “O cancro tirou-me todas as manias”. E eu senti-me imediatamente conetada com ela, pois considero que a experiência do fracasso de ser empresária fez o mesmo por mim.

Eu considero que tal risco compensou, porque apesar de ter perdido tudo, foi a experiência de vida mais enriquecedora, pedagógica, modesta e, igualmente, motivadora que tive até ao momento!

Para fazer jus ao seu elemento educativo, eis o que aprendi:

1. Agir é sempre melhor do que não agir. Consigo suportar melhor a dor do erro do que a dor da oportunidade perdida;

2. Só porque houve precipitação (com todas aquelas consequências), não significa que as motivações estivessem erradas;

3. A preparação é o melhor antídoto do insucesso;

4. Antes de tomarmos uma decisão que vai impactar toda a nossa vida, temos de refletir bastante, avaliar os prós e contras, e colocar as seguintes questões:

  • Qual a minha real intenção?
  • Está enquadrado com os meus valores e com a minha missão (visão) de vida?
  • Há algo que preciso aprender primeiro?
  • Poderá repercutir negativamente em alguém?
  • Há alguém com quem posso contar?
  • Tenho toda a informação de que preciso?
  • Há coerência entre o que desejo, o que já posso disponibilizar e a meta a que me proponho?
  • Vai ajudar alguém?
  • É a forma certa?
  • É o momento oportuno?

5. Tenho uma motivação, hoje, muito mais madura e firme para arriscar em novos projetos;

6. Aprimorei a minha capacidade de ver e distinguir aquilo que quero, daquilo que não me é útil;

7. As melhores estratégias de negócio baseiam-se nos seguintes princípios: conhecimento profundo da realidade onde queremos atuar; planeamento; previsão - plano B, C e, se necessário, D; integridade; organização; risco mínimo; total interesse pela área de atuação; trabalho árduo; colmatar necessidades reais do mercado (melhorar, de algum modo, a vida dos clientes); sentido de propósito;

8. Perder tudo pode, de facto, ser a melhor forma de crescermos e adquirirmos um equilíbrio íntimo corajoso para enfrentarmos desafios ainda maiores – desenvolvimento da resiliência;

9. Mais vale um realismo cauteloso do que um otimismo cego.

10. As experiências de vida podem ser altamente egoístas, se nos entregarmos às emoções negativas, às desculpas, às culpabilizações; ou altamente altruístas, se as usarmos como um trampolim para ajudar os outros.

Eu diria que arriscar não compensa quando está em causa a nossa própria vida e a de outros, quando a relação custo-benefício não compensa, ou quando somos motivados, essencialmente, pela emocionalidade. De resto, vale a pena!

 

Marta Silva (articulista convidada)


Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 09:00  Comentar

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