25.6.13

 

Todos nós sentimos a necessidade de procurar sensações novas. Desejamos experiências gratificantes que estimulem o nosso intelecto e os nossos sentidos.

Variando de intensidade e atingindo picos no final da adolescência, esta necessidade aparece relacionada com a desinibição, a procura de emoções, de entusiasmo, a necessidade de aventura, de novas experiências e de uma maior ou menor tolerância ao tédio.

Zuckerman (1994) definiu esta caraterística como “um traço que descreve a tendência para procurar sensações e experiências novas, variadas, complexas e intensas, e a disposição para correr riscos com a finalidade de satisfazer tais experiências”. Arnett (1994) concetualizou-a como uma predisposição que depende de outras caraterísticas de personalidade e do próprio ambiente de socialização para a sua concretização. A procura de sensações não é apenas um potencial para assumir riscos, mas implica a uma procura intencional dirigida à gratificação.

Este traço pode ser visível em várias áreas da vida e pode concretizar-se de formas diferentes. Por exemplo, num nível baixo, pode traduzir-se pela procura de companhias interessantes e estimulantes ou, num nível mais elevado, traduzir-se em comportamentos antissociais como vandalismo. Pessoas com altos níveis de necessidade de estimulação sensorial tendem a procurar situações novas que envolvam vivências diferentes, de grande intensidade, porque há pouca tolerância à rotina e ao tédio.

Esta procura de novas sensações pode traduzir-se em preferências pouco convencionais, por exemplo, ouvir músicas com letras provocadoras e que desafiam o sistema estabelecido, como o heavy metal e, inclusive, adotar algumas práticas, rituais, relacionadas com as mesmas; aderir a práticas sexuais de risco, como não usar contracetivo ou ter vários parceiros(as). Parece haver uma necessidade de chocar e de testar sempre os limites.

A própria vida do sujeito pode ser colocada em perigo e terminar de forma dramática porque não há uma noção clara das possíveis e prováveis consequências desses comportamentos. A título de exemplo, um sujeito tinha por hábito, procurar passar na “Via Verde” a alta velocidade e tentava sempre ultrapassar o último limite conseguido. É claro que a experiência não acabou bem.

Referem os estudos que, conforme acima mencionado, são os adolescentes do sexo masculino que apresentaram maior tendência para a procura de novas sensações. No caso da idade, constatou-se uma correlação negativa, quer dizer que as pessoas mais velhas têm menos probabilidade de adotarem comportamentos de risco.

Será assim? Será que à medida que envelhecemos deixamos de sentir essa necessidade de experimentar coisas novas e de viver no limite? Será apenas uma questão de conformismo, adaptação, desinteresse ou de qualidade do estímulo?

 

Ana Teixeira


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