29.9.13

 

inFormação remete-me imediatamente para a dissociação. Fico, por um lado, com informação e do outro com formação. Não se trata, portanto, do estrangeirismo in = em (formação), ou ainda formação que seja chique = está in. Definido assim do que escrevo, vamos à informação:

Se for em demasia dificulta-nos a capacidade de seleção entre a relevante e a irrelevante, podendo ainda inibir-nos de reter o pormenor essencial da mesma. Temos, assim, um problema com a quantidade...

Tendo uma quantidade de fontes disponíveis em larga escala, torna-se por vezes difícil obter a melhor / fidedigna informação. Tendo uma quantidade de fontes disponíveis em larga escala, curiosamente acabamos por reduzir ao mínimo essas mesmas fontes. Ao fazê-lo podemos incorrer na informação tendenciosa e manipulada. Temos, assim, um problema com a origem...

Temos também um problema com o armazenamento. Mentalmente o que retemos afinal, e, qual o seu real interesse para as demandas do dia-a-dia? Informaticamente falando não se repetem as perguntas anteriores?

E se eu quiser passar a informação? Não será também um problema? Como é que eu (em certa medida sendo assim um (in)formador), posso garantir a qualidade do que transmito? Com base no bom senso, no meu conhecimento do assunto? Não me parecem suficientes como garantes. Lá está... “Só sei que nada sei”.

Quantidade – problema; origem – problema; armazenamento – problema; qualidade – problema; transmissão – problema...

Vamos à formação:

Considero-a, por uma série de razões, como de maior valor face à anterior. Em primeiro lugar porque geralmente se paga. Não que isto seja fator determinante, é certo, mas sendo paga geralmente implica que é procurada e dá-se valor. Sim, somos assim. Se for de borla não presta, podendo até ser melhor. Em segundo lugar, é pensada, mesmo que não seja eficaz na sua finalidade. E não escrevo apenas da formação que visa o conhecimento. A que visa o crescimento / maturação individual também aqui está incluída. Atualmente a formação cívica consta do plano curricular escolar, deixando assim de pertencer na totalidade ao escrutínio dos educadores ou da casualidade vivencial. Visto tal, arrisco em seguida que os nossos comportamentos derivam mais da segunda (formação), que da primeira (informação). Claro que não todos. Basta pensar num contexto laboral. Mas não serão os comportamentos “que realmente me caraterizam como indivíduo” mediados pela formação? Onde cabe a ética? A solidariedade?

Contudo, não estará a formação sujeita aos mesmos problemas levantados à informação? Claro que sim. Aliás, pensando bem no assunto não haveria formação sem informação. E de que serviria a informação se não fosse para formar? Se calhar, se reduzirmos esta cumplicidade apenas a esta questão, chegamos à conclusão que a única informação que vale a pena transmitir é (correndo os riscos anteriormente elencados), aquela que tem lugar no contexto formativo. Seja ele qual for...

 

Rui Duarte


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