8.10.13

 

Minha filha tão querida:

 

Quero falar-te sobre sexualidade. E, como este tema tem tanto de importante como de delicado, escolhi este meio de comunicação já em desuso para “conversar” contigo.

Adivinho já o rótulo de “antiquada” que me estás a pôr, tendo eu o Facebook à mão para te mandar uma mensagem. Mas uma carta é um objeto físico, que poderás guardar ou levar para onde quiseres, e o objetivo é mesmo esse, que a tenhas sempre por perto, e que, como com um livro, a possas ler várias vezes, e a cada nova leitura, possas daqui retirar uma mensagem diferente.

E não te abespinhes já a pensar que vais ler aqui um discurso moralista acerca das virtudes da virgindade ou alguma patetice do género! A abstinência sexual não é, em si, saudável. Mas, como eu te costumo dizer noutras ocasiões, há um lugar e um tempo certos para tudo!

E, sendo que a sexualidade engloba as preferências mas, sobretudo as experiências sexuais, tu terás uma vida inteira para desenvolver a tua sexualidade, filhota!

Sabias, por exemplo, que quando eras ainda uma bebé viveste as tuas primeiras experiências sexuais aninhada no meu colo, agarrada à minha maminha? Sim, estavas a alimentar-te mas, também a obter prazer. É Freud quem o diz, não é maluquice minha!

E nessas que foram as tuas primeiras manifestações de desejo, apoiei-te incondicionalmente!

Agora, não me peças para te apoiar em preferências como a que manifestaste ontem, quando saíste do provador da loja vestida com aqueles calções e top que pareciam 3 números abaixo do teu tamanho. Sabes que tipo de experiência vivem miúdas como tu, vestidas daquela maneira? Serem alvo de pensamentos (e quando se ficam por pensamentos…) libidinosos da pior espécie por parte das pessoas erradas.

Que satisfação terias tu em saber que o motorista do 903, o porteiro da tua escola, o mecânico aqui da rua, se excitariam com as curvas visíveis do teu corpo e sonhariam com as que a roupa mal cobriria?

Nesta altura, imagino-te a pôr a tua típica cara de enojada e, se assim for, pela primeira vez parece-me bem adequada.

Vai chegar um momento em que tu vais querer mostrar partes ou a totalidade do teu corpo a alguém, mas esse momento deverá ser vivido de forma íntima, a dois.

E que esse e outros momentos sejam decididos por ti, com plena consciência do seu significado!

Por isso, se algum dia, apesar de mil vezes repetidos os meus conselhos, te encontrares embriagada ou drogada (Deus te livre, rapariga, que eu nem sei o que te faço!), podes ter a certeza de que esse não é de todo o momento indicado para tomares essa (ou qualquer outra) decisão.

E que todas as decisões que tomes nesse âmbito sejam livres de comparações ou de pressões de grupo: se a Joana já beijou ou se a Sara já sentiu, as experiências são delas, é a vida delas e a tua vida tem um percurso próprio. Não existe uma idade limite para se dar linguados ou para receber apalpões!

Quando as coisas tiverem que acontecer, vão acontecer; naturalmente, sem pressões, vão saber-te muito melhor, filhinha.

Em suma, se viveres a tua sexualidade de forma plena e equilibrada, vais ser mais feliz.

Por isso, é importante que dês um passo de cada vez, que desfrutes de cada etapa sem pressa de passar à próxima ou de “saltar degraus”.

E um dia, já adulta, munida de toda a informação teórica e prática sobre este assunto, não deixes de te esforçar em ter a tua sexualidade em dia. Às vezes, as rotinas, os filhos, o trabalho, o stress, fazem-nos votar para 2º plano os apelos da líbido; nada mais errado!

Mas bem… para essa etapa da tua vida, talvez tenha que te escrever uma outra carta…

Esta termina por aqui, mas se me quiseres perguntar sobre como se fazem os bebés, para que servem aqueles comprimidos que eu tomo todos os dias, ou qualquer outra pergunta, não te esqueças de que a tua mamã já cá anda há mais tempo que qualquer das tuas amigas e, por isso, tem mais conhecimentos para te poder esclarecer.

 

Adoro-te e estarei sempre a teu lado.

A mãe.

 

Sandrapep


Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 09:00  Comentar

Maputo | Moçambique

Pesquisar
 
Destaque

 

Porque às vezes é bom falar.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Estefânia Sousa Martins

Fernando Couto

Fernando Lima

Jorge Saraiva

José Azevedo

Landa Cortez

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Vanessa Santana

Outubro 2013
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
12

13
14
16
17
19

20
21
23
24
26

28
30
31


Arquivo
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


Comentários recentes
gostei muito do tema artigo inspirado com sabedori...
Não podia concordar mais. Muito grata pelo comentá...
Dinheiro compra uma cama, mas não o sono...Compra ...
Caro Eurico,O cenário descrito neste artigo enquad...
Grande artigo, que enquadra-se com a nossa realida...
Presenças
Outras ligações
Música

Dizer que sim à vida - Carlos do Carmo:

 

Dizer que sim à vida - Luanda Cozetti: