27.12.13

 

Vivo-a e vivo em… mas não a ganhei.

 

Tenho 37 anos e sempre ouvi falar de outro tempo. Tempo em que não a viveria. Ouvi falar em repressão, em perseguição e em tortura. Em controlo, punição e ditadura. Ouvi falar em legalidades espantosas, tais como reuniões até x pessoas. Da PIDE, do Salazar e de uma cadeira. Dos cravos, de um Abril e dos capitães. De colónias e ex-colónias. De retornados, e de mãos à frente e outras atrás.

 

Ouvi, também, falar de respeito. Respeito pelas figuras da autoridade, da educação, da cultura e da ciência. De ordem e de segurança. De se poder passear pelo Porto a que horas fosse e por onde fosse. E em que todas as suas casas estavam habitadas. Ouvi falar de lisura e bons costumes. Um tempo em que o professor era professor. Um tempo em que o padre era insuspeito. Um tempo em que se cortejava e escreviam-se poemas de amor. 

 

Agora, o tempo leva-me a recordar o que significavam certas coisas. Não o que significavam, mas O que significavam. Classe média. Trabalho. Autorização para sair da mesa. Emprego. Agricultura. Pesca. Lavar o carro ao domingo. Subsídio. Vencimento. Poupança. Crédito. Férias. Escudo. Almoço de família… Vou parar por aqui. Recordar é viver e voltar ao passado não é possível.

 

Agora, o tempo leva-me a aprender o que significam certas coisas. Não o que significam, mas O que significam. Resgate. Troika. Crise. Restruturação. Aguenta. RSI. Desemprego. Desespero. Emigração. Desertificação. Submarinos. Offshore. BPN. Política. Soberania. Euro. Compadrio. Corrupção… Vou parar por aqui. Aprender isto é castigo e voltar atrás começa a não ser possível.

 

“A liberdade é uma prisão da qual não conseguirás escapar” (Rui Duarte, 2008)

 

Rui Duarte

 

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