29.1.13

 

a dúvida instala-se companheiro de fortuna...

boa ou má?

já sabíamos que assim seria

inúmeras vezes no correr desta nossa vida

em certezas de incertezas, senão

a morte decorreria

e que gozo assim daria

a falta da prova do sacrifício

à laia da batida no nosso peito, assim

impiedosamente dura e fria?

e quando a angústia da dessintonia com o tempo

não nos permitem sequer lamento

a decisão tem de se tomar.

mas em verdade até assim preferes

se a pergunta fazes e de escolher terás

liberdade!

mas dessa prisão não conseguirás escapar.

 

Rui Duarte

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25.1.13

  

Sonhei toda a vida com quimeras. Tenho-as sonhado com muito empenho. Acreditado bastante. Apostado ainda mais. No entanto, nada do que me foi dado ficou. Nada do que vivi me pareceu certo, a não ser pela metade: metade deste, metade com aquele, metade de alegria, metade de metade da metade. Concluo que tudo aquilo que desejei não existe na vida real; tem apenas a importância que sempre lhe dei e que me leva a sentir-me insatisfeita a dada altura da viagem. Um pormenor, um gesto, uma mentira pestanejada com languidez, um momento qualquer em que tudo muda. Faço as malas e vou-me embora; não me acomodo mas demoro uma eternidade até dar o grito do Ipiranga. Sofro como o caraças, faço um luto lento e esmiuçado e almejo, de novo, a quimera: o amor, o tal, aquele de que toda a gente fala. Aquela coisa maravilhosa que faz a alma planar em torno do sol, sem se queimar, e que torna o chão mais seguro debaixo dos pés, sobretudo nos dias em que tudo o resto desaba. Voar nas asas da quimera impede-me de ser feliz com qualquer outra coisa, com qualquer vírgula da existência que ouse encostar o casaco num ponto sem escrita da minha história. A quimera torna o resto insosso e insuficiente. Intragável. Ato insano o meu! Se não existe, porque a procuro? Serei tolinha, masoquista, dona quixote da parvalheira? Tanto mastiguei esta minha alucinação que deixei de a procurar, deixei de pensar nela. Passei a adormecer sem chorar e a acordar sem saudade. Cá dentro, o vazio deu lugar a uma paz que me transcendeu. De repente, podia ouvir uma música lamechas sem sentir um aperto no coração. Guardei a quimera na gaveta dos biquínis, para me lembrar dela apenas sazonalmente, e saí prá rua com o coração mais leve do que se este fosse feito de papel da mais fina gramagem.

Mas a quimera não gostou de ser esquecida. No meio da multidão, fez-se ver. Fez-se sentir. Aquele par de olhos verdes trazia a mesma paz que senti quando deixei de sofrer. Não sei como duas almas se redescobrem no mundo a sério mas deve ser algo muito parecido com isto. Com inteligência e subtileza, para não assustar, foi estreitando mais o abraço; foi dando forma ao amor sem lhe chamar amor. Aquela coisa magnífica era, nada mais, nada menos, do que a materialização dos sonhos mais belos, a simbiose que permite vibrar na mesma sintonia. Num passe de magia, encheu a mente de cores vibrantes e envolventes e o coração de uma plenitude que trouxe o mais doce dos amores, na mais absoluta paz de espírito. E, quando finalmente abraçou a alma e a fez sentir-se em casa, todo o chão tremeu. O encaixe que não precisa de palavras assusta, afinal, mais do que todas as desavenças do mundo. Como diz a canção: “Procuramos os sonhos no céu mas o que diabo fazemos com eles quando se concretizam?”. Ninguém me ensinou a viver a plenitude. E agora, faço o quê com tudo isto?

 

Alexandra Vaz

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22.1.13

 

Inerte é o tempo refletido em mim…

Pauso no pensamento do já passou por mim…

Agonizo a ausência de quem já foi para mim…

Remete-se ao silêncio a vontade de mim…

 

O que fazer,

Quando a aurora tarda em ser de novo?

Neste desprazer vivo encoberto,

Sem avanço, nem recuo,

Perco-me indefeso neste interregno

Que de mim possuo…

 

O que fazer,

Quando o ar já não me inspira, o alento quebrado,

Esta paragem na existência,

Em que me sinto anestesiado?

 

O que fazer,

Quando lá longe, vai veloz a Vida,

E eu permaneço aqui, em mim,

Como terra batida?

 

Cecília Pinto


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18.1.13

 

"Sonhe muito, concretize mais".

Em início de uma nova etapa, quer seja ano, constitui momento especial para retrospetivar e perspetivar os objetivos e resultados alcançados, em momento único, a fim de conferir um novo ímpeto à sua caminhada progressiva, acompanhando assim a dinâmica de cada desafio.

Esta reflexão procura resgatar a importância do sonho como experiência de imaginação do subconsciente, em paralelo a perspetiva meramente ilusionista do sonho, até porque sendo o Homem ser pensante, a geração de ideias é alimentada pela sua vivência.

Como apanágio do foi referido, a orientação e predisposição para a sua operacionalização é o cerne desta reflexão, como mecânismo diferenciador dos Homens, sempre que os resultados colhidos das ideias implementadas, tornam-no melhor sonhador.

Pretende-se assim definir um percurso ou processo inclusivo e unidirecional que retrata este objeto, composto por três fases assentes numa lógica dedutiva, sendo duas das três fases os seus pontos críticos ou máximos e a terceira, a intermédia, a fase de alavancagem ou enabling entre os pontos máximos. Cada uma das fases gera sinergias que alimentam a fase seguinte, são elas: (1) o sonho, (2) a predisposição e (3) a ação.

O sonho é momento único de confluência de ideias, brainstorming, muitas vezes descoordenadas e conflituantes, carecendo por isso de um software ou lógica de tratamento dos dados assumindo certos pressupostos que derivam de critérios imbuídos na cultura e personalidade do indíviduo.

A predisposição é o momento crucial de validação da visão implícita ou explicitamente definida na fase 1. Exige um exercício mental de aceitação dos objetivos o que pode implicar uma remodelação comportamental ou adequação estratégica para assegurar consolidação entre as ideias e o sonhador. A inteligência emocional constitui assim fator diferenciador, agindo como filtro para afinar os objetivos ora validados.

Satisfeita a fase anterior inicia-se o momento decisivo de aplicação das ideias num contexto adverso, eixgindo para tanto pragmatismo e capacidade de negociação de forma a facilitar a aceitação supra e dilatação na base. Não basta ter-se boas ideias, o timming certo e modalidade de aplicação coroam a ação. O sucesso desta fase depende do nível de envolvimento e domínio nas fases anteriores, evitando-se rigidez, inflexibilidade e iminente colapso (bloqueio mental).

Em termos de distribuição de recursos dispendidos, dentre mentais e físicos, mantendo-se o resto constante, ocorrem simultaneamente pelas três fases sequenciadas embora com pesos distintos, onde o primeiro recurso cresce e o segundo varia na razão inversa.

 

António Sendi (articulista convidado)


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15.1.13

 

Como habitualmente, Inês chegou cedo à empresa. Gosta de ter tempo para tomar café e dar dois dedos de conversa com os colegas antes de começar a trabalhar. Pousa o saco, tirou o casaco e liga o computador. A atualização das pastas é sempre um processo demorado, aproveita então para se dirigir à copa e tomar café. As conversas, nos últimos tempos, não variam e esgotam-se no processo de reestruturação em curso. Há sempre alguém que conhece alguém que foi contactado para rescindir amigavelmente. Os comentários, os mesmos de sempre mas ainda assim repetidos e enriquecidos com notas pessoais de indignação pela forma como decorre o processo, manifestam pesar e solidariedade para com os colegas atingidos e alívio por os presentes terem sido poupados ao drama do desemprego. Relembram-se os critérios para a seleção dos rescindidos, critérios que ninguém conhece mas que se pensa estarem ligados à antiguidade, às notas de classificação de desempenho e às ausências. Inês dá-os como válidos até porque lhe convém porque não se enquadra em nenhum deles e, com esta confiança, prepara-se para iniciar mais um dia de trabalho.

As pastas do mail já estão actualizadas; o Inbox mostra as novas mensagens por ordem alfabética. A primeira é da Direção dos Recursos Humanos. É tomada por um nervoso miudinho e por um suor frio que a invade e abala a sua confiança. Não quer acreditar. Ela não pode ser apanhada na rede dos desempregados, era demasiado mau. Mas depois de ler o mail, a clareza da convocatória não lhe deixa dúvidas, marcaram-lhe uma reunião para o dia seguinte, para discutir a possibilidade de uma rescisão amigável.

O que fazer? Que decisão tomar? Aceitar o que lhe proporão?

Segundo consta, as condições são muito generosas e muito acima do exigido pela lei. Ainda assim tem medo de encarar o futuro sem emprego.

Não aceitar e permanecer na empresa? Casos houve em que os colegas não aceitaram, mas corre a notícia que, para esses, haverá um novo plano muito mais desfavorável: o despedimento coletivo sem direito a indemnização.

Nada fazia prever que ela tivesse de encarar súbitas alterações na sua vida; não contava com isso. Mais, o que ainda é pior, exigem-lhe que seja ela a decidir como será o seu dia de amanhã, desde que essa decisão vá no sentido da vontade deles e no interesse da viabilização da empresa, claro está. Viabilização da empresa?! Cínicos! A viabilização da empresa está na força do trabalho e ela sempre teve brio profissional, sempre deu o seu melhor. A mágoa dificulta-lhe o raciocínio lógico, o que acabou de ler fragilizou-a demasiado para poder decidir se deve ou não aceitar. Que sabe ela do amanhã para tomar hoje uma boa decisão?

A dor que sente no peito obriga-a a respirar fundo. Controla-se para não gritar a sua indignação. Não sabe o que fazer, sendo certo que não se decidir é uma decisão que não é aceite. Alguma coisa terá que fazer.

Está muito nervosa e sem condições para desempenhar o que se propunha fazer naquela manhã, de resto, como em muitas outras anteriormente, trabalhar com empenho, por isso, e pela primeira vez desde que foi admitida, tomou a decisão de faltar ao trabalho. Encerrou o computador, vestiu o casaco, pegou no saco e saiu, desta vez sem se despedir com o habitual: “Até amanhã”.

 

Cidália Carvalho


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11.1.13

 

E porquê? Porque fico eu aqui parado todos os dias durante tanto tempo? Se calhar é por causa da chuva… Se chovesse todos os dias, claro. Ou então é porque as estradas são esganadas para tanto trânsito. Com tanta estrada por aí afora tem que entupir sempre aqui? Vai-se a ver e não é nada disso.

 

Ao longo da vida vamos apanhando pessoas que nos marcam e pessoas que nos deixam indiferentes. No meio ficam todas as outras. De entre as que me marcaram está um professor da faculdade, rude, com os delicados modos de um cavador, austero todos os dias de sol (e de chuva) (e de tempo encoberto) (e de precipitação moderada), que nos dizia, de entre muitas outras tiradas vitais para a formação de gente adulta: "se é possível fazer, é possível fazer bem". Esta máxima foi levada muito a sério, principalmente nos trabalhos da cadeira que ele ministrava. Mas aos poucos tornou-se viral e hoje ainda replico esta mensagem sempre que o contexto me pede para replicá-la, principalmente em causa própria.

E aqui surge o reverso de uma medalha que estava destinada a colher apenas aplausos. Na verdade, nem sempre é possível fazer bem. Ou porque não há tempo, ou porque não me deixam, ou porque não quero, ou mesmo porque não sei o que isso quer dizer. Fazer bem qualquer coisa parece ser um conceito simples de compreender e de aplicar. No entanto a vida é curta demais para se poder adjetivar tudo que se faz. Por exemplo: se é possível amar, é possível amar bem. Mas será possível amar mais ou menos ou até amar mal? Que disparate. Ou se ama ou não se ama, ponto final. Amar é sinónimo de amar bem, então. Tudo que desça abaixo de amar bem é deixar de amar, como na lei do tudo ou nada. Interessante mas impreciso, por dois motivos: amar bem implica estar sempre bem, independentemente de tudo mais; amar bem entra naquele espaço obscuro dos conceitos definíveis apenas por cada um, onde também se encontram o de liberdade, amizade, fidelidade, crença, intenção, civismo, educação, basicamente todos os que não forem física e matematicamente qualificáveis.

E aqui reside a beleza da questão. Fazer qualquer coisa reúne imediata, instintiva e culturalmente, um rol de energias iniciais que, pelo menos em intenção (lá está), propiciarão um resultado satisfatório, bom, que alcance ou supere os objetivos traçados. Assim, sim: fazer bem deve ser isto. Tecnicamente pode ser definido como a tentativa de alcançar ou superar os objetivos traçados. Mas então pergunto: o amor mede-se por objetivos traçados? Há um objetivo no amor? Ama-se em função de um fim? Raios! Que estranho. Talvez amar seja um processo e tenha o seu fim nesse processo. Só assim se explica que tenha tantos altos e baixos, se ame ou se deixe de amar ou, vá lá, se ame bem ou menos bem.

 

Este trânsito é insuportável. Mas dá-me para isto, para pensar, ou para praguejar baixinho. Se fosse sempre possível fazer bem eu não estaria todos os dias enfiado neste caos. Tanto poderia eu fazer melhor do que estar aqui como poderiam os senhores dos projetos das vias fazer qualquer coisa para pôr os carros a andar.

Fazer bem implica tomar e implementar resoluções. Implica cortar com hábitos, alguns deles velhos e teimosos, e redefinir as linhas de atuação. E coragem. Coragem para mudar e ser melhor. Cá está uma possível resolução de ano novo. Eu subscrevo, pelo menos em intenção.

 

Joel Cunha


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8.1.13

 

O que fazer?

Colocar, colocarmo-nos, esta pergunta pode já ser um bom sinal, pois pressupõe intenções de ação numa determinada circunstância. A questão terá como razão de ser e ponto de partida que quem a faz se põe, a si na circunstância, em causa, como potencial ator e não como uma mera consequência.

A pergunta é tão mais importante e atual quanto nós, que vivemos em Portugal, estamos a ver tudo à nossa volta em risco de se desmoronar, perdendo-se a esperança, as referências, os horizontes que teríamos como seguros e estáveis.

Consciente ou inconscientemente, o ambiente que nos rodeia – a começar e a acabar na generalidade dos órgãos de comunicação social – pode levar-nos a desistir, subjugados com mais ou menos queixas, descoroçoados com mais ou menos revolta, remetendo-nos para um ‘estatuto’ de consequência (quase que como), mero fruto das circunstâncias.

Não é uma questão de pretendermos ser heróis quixotescos, nem tartarugas encolhidas dentro da carapaça perante as intempéries.

Antes, será um posicionamento perante as circunstâncias em que nos vemos como causa, perguntando: perante isto, o que me cabe a mim fazer?

Quanto mais nos responsabilizarmos a nós próprios (não, não estou vagamente a falar de sentimentos de culpa, não é isso) como entidades capazes de fazer (o quê, como, quando), mais facilmente nos libertaremos, individual e colectivamente, da etiqueta e da condição de coitadinhos, dependentes da proteção e da orientação de um qualquer chapéu-de-chuva, perante o qual de outra maneira não deixaremos de ser reverentes e obrigados.

 

Jorge Saraiva (articulista convidado)


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4.1.13

 

2012 não será um ano que vou lembrar com um sorriso no rosto, pelo contrário, agora quase no fim, tenho vontade de fazer uma festa, apenas para comemorar o fato de ter sobrevivido a um ano tão caótico, difícil, tenso e longo. Pelo que me dizem e leio, não fui a única, muitos sentiram a mesma coisa.

Sendo um ano tão complicado me apeguei à teoria dos maias, o famoso fim de mundo em 21/12/12. Não acreditei que o mundo fosse acabar, mas pensei que alguma coisa poderia mudar, melhorar, o famoso novo ciclo e então eu sentiria o ar mais leve e o coração cheio de esperança.

Mas o dia 21 chegou e nada aconteceu. Mesmo para um fim de ciclo nada pareceu mudar, o ar é o mesmo, continua pesado e lento.

Não fui além de minhas crenças, não comprei comida nem guardei velas para esse dia, que seria o último, apenas esperei, como quem espera uma visita, sem saber se vai chegar ou não.

O mundo não acabou, mas eu fiquei com essa sensação de espera. E se acabar amanhã? Espero mais um pouco ou faço planos para 2013? Não fiz antes, estava esperando para ver o que acontecia.

Sei que existem muitas interpretações do que as pessoas supõem que os maias disseram, mas meu coração cansado gostou de pensar nesse dia final, depois de tanto sofrimento, não posso negar que me consolou pensar que um dia as coisas poderiam acabar.

Já que não acabou retorno naturalmente ao ponto inicial, aquela próxima data que muda as coisas, o ano novo. E então me pergunto, o que fazer? Não sei, não tenho a menor ideia. Não visualizei o ano novo, não comprei calendário nem agenda ainda.

Os tempos são outros, meus avós tinham os pés no chão, eu vivo em outro mundo, onde tudo muda, a economia derruba e levanta países sem avisar, as pessoas já não parecem saber o que querem, a vida é mais rápida, cheia de brinquedos e distrações. O tempo que eu tenho, que eu sinto, não é o mesmo de anos atrás. Planos, posso fazer muitos, mas dependo mais do que nunca da boa vontade divina, alguma coisa que jogue o vento na direção certa do meu barco.

O que fazer? Não sei, a única coisa que sei e acredito é que não existe mais nenhuma alternativa além de continuar a jornada, o barco continua no mar procurando seu porto seguro e um dia ele vai chegar ao seu destino, com ou sem calendários.

 

Iara De Dupont (articulista convidada)


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1.1.13

 

Quando acordamos de madrugada, sem conseguir adormecer, quando toda a família ainda está a dormir?

Quando, ainda deitados, pensamentos dispersos pairam sobre a nossa cabeça, num vaivém de ideias e novos projetos, e nós nem um papel e caneta temos à mão?

Quando a alegria de uma boa notícia é tanta que não nos conseguimos manter apenas dentro do nosso corpo, transbordando de sentimentos para onde quer que vamos e contagiando quem quer que se cruze connosco?

Quando, finalmente, nos levantamos da cama e decidimos exteriorizar tudo isto escrevendo num teclado e esse teclado não acompanha a velocidade dos dedos e dos pensamentos que por eles saem?

Será magia, passar de um estado de melancolia e insatisfação por faltar algo, para um estado de êxtase, euforia e felicidade?

O que fazer quando milagres da vida acontecem e nós temos medo de os perder, por qualquer erro não controlado?

Quando todas as pessoas à nossa volta teimam em pensar em crise e a nossa cabeça teima em pensar que a vida é mesmo muito bela? Parecemos uns deslocados, mas… O que fazer?

E quando pensamentos menos bons também surgem, relembrando que a vida não é só a felicidade pela qual passamos agora?

Acolhemos esses pensamentos e ficamos tristes, recalcando a felicidade?

Vivemos a felicidade como se não houvesse amanhã contando que um dia poderemos voltar a viver a dor, também como se fosse o último dia da nossa vida?

O que fazer, quando finalmente conseguimos colocar algumas das nossas dúvidas em palavras escritas, e ao lê-las percebemos que viver a felicidade é bem melhor, pois um receio enorme sobre o futuro e sobre o que fazer surgem por cima da felicidade?

Parar de escrever?

Parar de pensar?

Parar de ser feliz?

Parar de ter medo?

Não! Deixar qualquer uma delas para trás seria parar de viver!

Talvez a pergunta “O que fazer?” seja aquilo que nos move para o que vem a seguir.

 

Sónia Abrantes

 

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