17.7.09

 


 


“A admiração é uma súbita surpresa da alma, que a leva a considerar com atenção os objectos que lhe parecem raros e extraordinários. Assim, é causada primeiramente pela impressão que se tem no cérebro, que representa o objecto como raro e, por conseguinte, digno de ser muito considerado; em seguida, pelo movimento dos espíritos, que são dispostos por essa impressão a tender com grande força ao lugar do cérebro onde ela se encontra, a fim de fortalecê-la e conservá-la aí (…).”

 

Embora a admiração não produza efeitos em outros órgãos além do cérebro, isso não a impede de ter muita força.

 

No que consiste a força da admiração.

O que não a impede de ter muita força por causa da surpresa, isto é, da súbita e inopinada ocorrência da impressão que modifica o movimento dos espíritos, surpresa que é própria e articular a esta paixão; de sorte que, quando se encontra em outras, como costuma encontrar-se em quase todas e aumentá-las, é porque a admiração está unida a elas. E a sua força depende de duas coisas, a saber, da novidade e do facto de o movimento que a causa possuir, desde o começo, toda a sua força (…).”

 

A surpresa é assim um elemento psicológico essencial na admiração, mas esse elemento pode levar a excessos, como no caso do espanto:

 

O que é o espanto.

(…) e o espanto é um excesso de admiração que só pode ser mau.”

 

Para que serve particularmente a admiração.

E pode-se dizer particularmente da admiração que ela é útil porque nos leva a aprender e a reter em nossa memória coisas que dantes ignorávamos; pois só admiramos o que nos parece raro e extraordinário. (…)”

 

No que ela pode prejudicar e como se pode suprir sua falta e corrigir seu excesso.

Mas acontece muito mais admirarmos em demasia e nos espantarmos ao perceber coisas que merecem pouca ou nenhuma consideração, do que admirarmos demasiado pouco. E isso pode subtrair inteiramente ou perverter o uso da razão.”

 

Zita Sousa

 
Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 01:28  Comentar

De Aníbal V a 21 de Julho de 2009 às 13:39
Espanto-me por o Descartes achar que o espanto, como excesso de admiração, seja mau.
Eu gosto de ficar espantado; é bom ficar espantado.
Espero encontrar sempre coisas que me espantem: desarrumam o arquivo, obrigam-me a pensar, a arrumar o arquivo mas já de outra forma.

De Augusto Küttner de Magalhães a 21 de Julho de 2009 às 07:30
O espanto nunca é prejudicial, bem pelo contrário. depois temos é que passar, aquem e além desse espanto!!!!

De Augusto Küttner de Magalhães a 21 de Julho de 2009 às 07:28
Obrigado pela simpatia da resposta!

Acredito que a abordagem destes temas, não possa ser feita de animo leve, logo a não possibilidde de ultrapassar os 3 post semana! Em “rece” e dentro das possibilidade de todos e de cada um, e do tempo, vamos – “sem compromissos” – dando todos um contributo, para todos os blogs, qie merecem estar “bem vivos” o possam estar!!!!!!!!!!!!

Augusto Küttner de Magalhães

De MiL RAZõES... a 20 de Julho de 2009 às 20:56
Caro Augusto Küttner de Magalhães:
A sua vontade de querer mais movimento neste Blog é certamente um sinal do agrado com que nos lê, o que nos dá enorme satisfação.
O nosso objectivo actual é o da publicação de um a três artigos por semana; dadas as múltiplas actividades que desenvolvemos, mais não seria realista. Com o seu estímulo, talvez em breve possamos rever o nosso objectivo, juntando-lhe um pouco mais de ambição.
Contamos com o seu olhar atento e com os seus comentários.

MiL RAZõES...

De Zilda Cardoso a 20 de Julho de 2009 às 17:19
É vulgar dizer-se que do espanto nasceu a filosofia. Pode o espanto ser alguma vez demasiado e prejudicial ? Ou é questão de conteúdo de palavras?

De Augusto Küttner de Magalhães a 20 de Julho de 2009 às 07:34
Muito parado este Blog!!! Férias?????

De ©Marcolino Duarte Osorio a 17 de Julho de 2009 às 08:51
Escolástico!

De Augusto Küttner de Magalhães a 17 de Julho de 2009 às 02:00
Não estou certo, mas pareceu-me que a Sua análise ao basear-se muito em Descartes, foge – não intencionalmente – à emoção, ou seja fica-se pela razão que é e bem elaborada pelo cérebro, mas deixa talvez escapar a emoção, que está “também” no nosso cérebo, que está lá localizada, tanto como a razão, em áreas bem distintas.

Todos os estudos de António Damásio vão nesse sentido, e as emoções penso que terão cada vez que mais serem estudadas para além da razão e tudo “materializável” no nosso cérebro.

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