26.11.09


  


O domínio da incapacidade de escutar não é o mesmo do da incapacidade de ouvir: aceitamos que alguém não é capaz de ouvir, porque o seu organismo não lho permite, mas é difícil aceitar que outra pessoa não seja capaz de escutar (especialmente se queremos ser escutados) – afinal, o que a impede?

 

É frequente ouvirmos que hoje em dia as pessoas são incapazes de escutar, ou que fulano ou sicrana não me compreende (logo, não me escuta). Como se escutar fosse tão natural como ouvir. Sabemos que não é.

 

Escutar outra pessoa pressupõe dar-lhe atenção (“Escuta com atenção” é um pleonasmo!): pelo menos ao que diz, como diz e como encadeia o seu discurso; e para fazer isso, é necessário que o pensamento de quem escuta não divague para outras paragens, nem esteja ocupado com concordar, discordar, refutar, comparar, interpretar, julgar, etc.. Difícil, não é, descentrarmo-nos do nosso umbigo? Quantas vezes já nos apanhámos a descarrilar mesmo estando a fazer um louvável esforço?

 

Sim, porque escutar exige um esforço da vontade - é preciso querermos escutar para nos dispormos a fazê-lo (termos tempo e vontade para); e provavelmente queremos fazê-lo por considerarmos que vale a pena. Escutar tem de fazer sentido para quem escuta, tenha que ver com a pessoa que se exprime, com o que é dito, com a situação ou até com as suas próprias convicções. Escuto o meu filho para o compreender e para que ele sinta que o amo e estou com ele; escuto o meu cliente para, compreendendo o que procura e o que o orienta, poder servi-lo melhor, o que será proveitoso para o meu negócio; escuto aquela melodia até se entranhar em mim porque me dá prazer.

 

Enfim, aprendemos a escutar. Ou não.

 

Ana Álvares

 
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Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 01:48  Comentar

De Ana Álvares a 1 de Dezembro de 2009 às 23:40
Oá Marcolino,

Obrigada.

Sim, recíproco é o ideal!

Até breve,

Ana

De Marcolino a 26 de Novembro de 2009 às 03:34
Olá, Ana!
Gostei imenso deste seu estudo, desta sua reflexão sobre um dos dons mais nobres dos seres humanos: O escutar!
Mas também quem escuta, quantas, mas quantas vezes, tem necessidade de ser escutado por alguém, cujo dom de escutar também faça sentido.
Cumprimentos
Marcolino

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