19.1.10

 


 


Quando me lançaram o desafio de escrever um artigo, desta vez sobre a “Família no âmbito da Saúde”, confesso que não sabia muito bem o que dizer. Depois de largos minutos a olhar para a folha em branco, comecei a reflectir e a recordar algumas das famílias dos doentes que conheci desde que comecei a trabalhar como médica. De alguns, não me recordo do nome, apenas da face, da expressão, ou do olhar...

 

Recordo um casal de meia-idade. Ele estava na fase terminal de um cancro e ela passava dia e noite, sem descanso, à cabeceira da sua cama, com receio de não estar presente quando chegasse o momento final, para acompanhá-lo.

 

Recordo um senhor invisual. Vivia sozinho e tinha uma irmã com quem não falava há mais de 10 anos. Ele guardava religiosamente o papel com o seu número de telefone na carteira. Durante o internamento contactou-se a irmã e proporcionou-se o reencontro. Teve alta dois dias depois.

 

Recordo um casal de idosos. Ela tinha Demência de Alzheimer e ele, todos os dias, fazia questão de a vestir, pentear e maquilhar como se fosse para uma festa, porque ela sempre tinha gostado de estar bonita e arranjada.

 

Lembro-me do Sr. Machado. Andava sempre com um pequeno rádio, a pilhas, para ouvir os fados da Amália. No dia em que fez 90 anos, no hospital, vieram os filhos e os netos da França para lhe dar os parabéns. Faleceu no dia seguinte.

 

A Família participa activamente na Saúde dos seus membros. A doença e a possibilidade de perda tornam, muitas vezes, as relações familiares mais fortes, ou revelam outras que julgávamos não existirem.

 

Joana Gonçalves


 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 16:30  Comentar

De Ana Gomes a 24 de Janeiro de 2010 às 16:23
Vivemos para as ligações, para o contacto com os outros, para as trocas com aqueles que amamos.

De Cidália Carvalho a 21 de Janeiro de 2010 às 00:05
Nestes casos, e principalmente na primeira situação, quem está próximo da partida definitiva, sente menos a solidão da morte ...

Um beijinho!

De ES a 20 de Janeiro de 2010 às 23:53
Estas memórias em folha branca são certamente momentos que ficaram gravados no coração de quem os viveu.
Para além de muitas outras coisas, a família representa a protecção, o ponto de partida em que tudo começa, aquele porto seguro que acabamos por considerar um dado adquirido, ao ponto por vezes de nos esquecermos o quanto é importante e frágil.
E quando a família em que crescemos, ou construímos, é abalada, quando a saúde vacila, é a nossa própria estrutura que desaba… Percebemos que por muito fortes que sejam os nossos laços, nada podemos fazer para proteger aqueles que mais amamos.
Só podemos amá-los, enquanto é tempo.

ES

De Abílio Leite a 20 de Janeiro de 2010 às 02:01
Ola Joana, li o teu artigo e sem saber como nem porquê deu-me luzes para um artigo que irei tentar escrever.
Pequenas coisas, por vezes tornam-se grandes ideias.
Gostei muito de todos esses pequenos mas tão grandes promenores da vida das pessoas, que na finalidade é a vida de todos nós.

Abílio Janeiro

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