26.1.10

 


 


O que lhe parecia impossível, aconteceu...

As dores, tão insuportáveis que chegou a temer não aguentar, esfumaram-se, deram lugar à alegria de ser mãe.

Enlevada, olha o filho que a enfermeira lhe pôs sobre o ventre. Retrai o impulso de lhe tocar; parece-lhe tão frágil que tem medo de o magoar. Depois, timidamente, afaga-lhe a carinha, as mãos e os pezinhos - é perfeito. Ternura é o que transmite nos gestos e a cada choro, ou tremura, encosta-o mais a si; quer que se sinta seguro.

 

Ainda no gozo deste primeiro encontro e já o marido irrompe pela sala, ansioso, e como ela, feliz. Hesita, não sabe a qual deles dar atenção. Olha o filho com amor enquanto acaricia a sua mulher.

Ela sente-se completa e muito orgulhosa, também ela conseguiu dar à luz...

Uma lágrima solta-se a reclamar a recompensa: atento ao sinal, ele beija-a. Entre ambos, promessas mudas de estarem sempre juntos e serem uma família feliz.

 

Inexperientes na tarefa de criar e educar fizeram do tema motivo de grandes diálogos; com o tempo, terminaram em grandes discussões. Discordaram de pequenas coisas, acabaram em total desacordo.

 

---

 

“Gosto muito dos meus pais mas fico muito triste porque estão sempre a discutir”.

 

Quiseram poupar o filho ao estigma de “filho de pais separados”; lutaram por aquela união. O empenho foi recíproco mas as zangas sucediam-se e as acusações eram mútuas. Ele cada vez mais ausente, ela cada vez menos compreensiva e tolerante, ambos a reclamar para si o esforço de ainda estarem juntos. Entre eles, a preocupação com o bem-estar do filho, com o seu futuro.

 

---

 

“Em casa do meu pai tenho mais liberdade, posso fazer o que quero mas também gosto de estar em casa da minha mãe. Ela obriga-me a estudar mas depois deixa-me brincar com a playstation”.

 

Cidália Carvalho


 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 02:05  Comentar

De Alexandra Vaz a 29 de Janeiro de 2010 às 00:05
Ana,

poucas palavras que dizem tudo...

De Ana Gomes a 27 de Janeiro de 2010 às 22:59
Para ultrapassar um "drama" precisamos, primeiro que tudo, de sair dele... "Mais vale ser de um lar desfeito do que viver num lar desfeito". A frase não é minha mas subscrevo-a na totalidade.

De Cidália a 26 de Janeiro de 2010 às 23:39
Joel,

Ser filho de pais separados não é um drama, mas em momentos criticos pode vir ao de cima o estigma. È preciso ser "bem formado/a" para não se cair na vulgaridade de se tecerem considerações ao comportamento das crianças sem atender à situação dos pais.
Mas tendemos a melhorar, acredito nisso

De Cidália a 26 de Janeiro de 2010 às 23:32
..."Penso que o que uma criança precisa acima de tudo, é de amor, e esse pode ser dado pelos pais, independentemente do facto de estarem juntos ou não."

Manuela,
Completamente de acordo contigo. Penso que todos concordam com isto, o problema é que quando há problemas entre um casal, facilmente se esquecem e os filhos passam, muitas vezes, a ser instrumentalizados por cada um dos pais.
Jogam os filhos e com os filhos e estes, atentos, depressa sabem tirar proveito deste joguete. Mas faça-se justiça, há famílias que, separadas conseguem um bom entendimento.

De Joel a 26 de Janeiro de 2010 às 21:13
Eis um dos maiores pomos de discória (e de concórdia) entre casais. Os filhos, a sua criação e educação, as expectativas que neles são colocadas, a visão de pai e mãe nem sempre coincidem. Não havendo concessões aqui ou ali está traçado o caminho do divórcio. Não me parece um drama ser-se filho de pais separados. Não será certamente a situação ideal mas, em muitos casos, será certamente a melhor.

De manuela sousa santos a 26 de Janeiro de 2010 às 16:13
Cidália, gostei bastante do texto porque aborda vários sentimentos. Muito actual o tema da Família .
O amor incondicional por um filho. A alegria do seu nascimento. No meu ponto de vista a maior alegria que temos na vida.
Em contraste , os pontos baixos – tentativa de manter um casamento, apesar de…
Mas, infelizmente, um filho não é hoje em dia um argumento suficiente para duas pessoas se manterem juntas.
Penso que o que uma criança precisa acima de tudo, é de amor, e esse pode ser dado pelos pais, independentemente do facto de estarem juntos ou não. Tudo é preferível a um mau ambiente onde não exista paz, factor de extrema importância para um crescimento saudável.
Bem ajam os casais que têm muitos filhos (bem precisamos de uma renovação na população) e que conseguem ultrapassar todas as adversidades da vida.


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