De Ana Gomes a 24 de Janeiro de 2010 às 15:47
Ao falar das configurações familiares e dos seus resultados, não podemos deixar de pensar nas crianças, os produtos das famílias.
Antigamente, os menores (tal como a restante familia) estavam à mercê do poder patriarcal, que quase não lhes atribuía direitos, apenas deveres. As crianças iam trabalhar para o campo em tenra idade, muitas das quais não virião a ter qualquer formação escolar.
Com o desenvolvimento societal, foi dado às crianças um papel mais central na nossa sociedade e na família. Foram pensados os seus direitos, que estavam esquecidos, e desenvolvidas organizações de defesa dos menores, que actuam (assim se espera) quando a família não cumpre o seu papel ou quando os pais não se entendem relativamente á parentalidade.
E os agentes externos trabalham, agora, para criar na família as condições necessárias ao crescimento adaptado das crianças, seguindo princípios fundamentais de intervenção mínima e proporcionalidade (entre outros).
O trabalho infantil passa a ser limitado (tem que ser do interesse do menor, autorizado pela CPCJ da área de residência e não pode ultrapassar x horas diárias, dependendo da idade do menor), o tempo livre das crianças passa a ser um problema para os pais, o "brincar na rua" uma excepção, o cuidado infantil a grande prioridade.
A infância e a adolescência começam a ser valorizadas como palco de desenvolvimento pessoal e crescem grandemente no tempo - antes tinhamos adultos com 12 anos, hoje temos crianças com 30.
Na família, o papel da criança cresce e o poder (que era patricarcal) passa a ser repartido por todos os membros da família. Na sociedade, afastam-se os vizinhos, perde-se o sentido de comunidade, fecham-se as crianças em casa.
O conceito de "família" muda o seu significado e os diferentes intervenientes mudam a sua acção. Desta mudança como de qualquer processo mutativo resultam, claramente, ganham e perdas. Se, por um lado, aumenta a probabilidade de a criança ter uma vida adulta com maior qualidade, por outro, crescem os "pequenos ditadores" e os "eternos dependentes".
Mas não será a evolução mesmo assim, perdas e ganhos? Tentamos perder só o que não nos interessa mas acabamos sempre por abdicar de mais do que o que queríamos perder inicialmente. Tentamos ganhar só o que precisamos, mas acabamos por adquirir vícios e maus costumes que não estavam planeados.
Evoluir é ajustar constantemente. E ainda temos muito o que ajustar, tanto na família como na sociedade em geral.

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