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Os estados emocionais são condição essencial da experiência humana. Traduzem sensações subjectivas, positivas e negativas, que variam em intensidade e duração, sendo de carácter transitório e sensível às experiências do indivíduo. São resultado da actividade cerebral e influenciam áreas específicas do funcionamento neurocognitivo como a atenção e a motivação, determinando o que é relevante para os seres humanos. Nesta medida, são consideradas uma representação da saúde psicológica do indivíduo e possuem um amplo papel no ambiente clínico.
Não existe uma taxionomia ou teoria para as emoções que seja geral ou aceite de forma universal e é grande a panóplia das emoções vivenciadas por todos nós. De entre as diferentes emoções, onde se pode incluir o prazer, a alegria, a euforia, o êxtase, a tristeza, o desanimo, a depressão, o medo, a ansiedade, a raiva, a hostilidade e a calma, a depressão e a euforia apresentam características opostas. Isto porque o sintoma cardinal da depressão é o humor disfórico, termo que implica tristeza, geralmente incluindo perda de interesse ou prazer na maioria das actividades da vida. Já a euforia é um estado de espírito caracterizado por uma satisfação e alegria fora do normal, aceleração extrema e inquietude, estimulando o impulso para compras e a hiper-sexualidade, entre outras reacções. Então, euforia e disforia são dois estados opostos, tal como alegria e tristeza e felicidade e infelicidade.
 
Do ponto de vista da utilidade, os estados emocionais são auto-reguladores e, pela informação que transmitem, podem ser poderosos aliados em termos de conduta. Mas esta aliança nem sempre acontece, já que o ser humano tende para a rigidificação ao nível do pensamento e é com grande facilidade que se deixa guiar por aquilo que sente sem pensar muito sobre o que está a acontecer.
A meu ver, tal como nos relacionamos com os outros, relacionamo-nos com nós próprios e com os nossos estados emocionais (não só a euforia e a disforia, como com todos os outros). Neste processo, a relação estabelecida pode ser adaptada, com os estados emocionais a serem usados como forma de orientação e regulação pessoal, ou desadaptada, quando as pessoas são apenas veículos para a sua expressão desorganizada. Daí que seja importante que cada um de nós se pergunte regularmente: Que tipo de relação tenho com as minhas emoções? Esta relação é vantajosa para mim?
 

Ana Gomes

 

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