14.1.11

 

- Ah! A liberdade… É a liberdade, a normalidade e a felicidade. Há assim uns termos curiosos que soam bem em diversas línguas. Alguns deles figuram em bandeiras, outros em hinos. Para mim não passam de ilusões estéreis e cretinas.
Ninguém é livre, pelo menos no sentido mais utópico da palavra. Ninguém é normal e, muito menos, feliz. Que é isso de liberdade? Deve ser como a presunção e a água benta: cada um toma a que quer. Neste caso a que pode.
Julgo que a liberdade mais prática reside neste balanço entre o que se quer e o que se pode fazer. Ou talvez não passe daquele ditado que corta a nossa liberdade no começo da liberdade dos outros. No fundo agarramo-nos às migalhas de liberdade que outros vão deixando cair.
- Certo, meu velho, tens toda a razão. A liberdade deve estar algures entre os direitos e os deveres. Do lado dos deveres está a ditadura e do lado dos direitos a anarquia. No meio temos o quê? A democracia? E que bela liberdade nos deu esta democracia…
- Joga!
- Ninguém sai de casa sem a trancar a sete chaves. Oito horas do dia (fora as do trânsito) são para trabalhar. Depois cozinhar, jantar, arrumar, ver novela ou futebol (porque é isso que fazem as pessoas normais), falar, calar, discutir, rir, chorar e dormir para depois acordar e voltar a fechar a casa a sete chaves. Onde está a liberdade dessa gente?
- Não culpes a democracia pela tua falta de liberdade. E joga, bolas!
- Toma!
- A democracia não é para aqui chamada. É tudo uma questão de escolha. A liberdade é a possibilidade de escolheres o que queres para ti. Se podes escolher, és livre; se não podes… Bom, não és. E há também a questão da escolha acertada.
- É complicado. E aqueles que nunca acertam?
- Outros escolhem por eles. Olha para nós aqui, por exemplo. É o que te digo: a liberdade é uma ilusão. Eles julgam-se livres mas têm que arranhar oito horas por dia e segurar bem as carteiras para não ficarem sem elas. Nós só temos que esperar que o tempo passe.
- Então? Não jogas?
- Não. Guarda o baralho e apaga a vela. Ainda nos faltam dois anos e tal.
 
Joel Cunha
 
Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 02:05  Comentar

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