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Há pausas que são deliciosas. Comparo-as à primeira dentada numa pasta de chocolate, quando o meu cérebro começa a assimilar todo o prazer gustativo que esta iguaria está a proporcionar-lhe. Estes primeiros segundos de descoberta do sabor são para mim, inigualáveis. Todo o meu ser fica envolvido neste deleitoso sabor. As dentadas seguintes, por muito apreciadas que sejam, já não superam o impacto que o primeiro contacto ofereceu; o cérebro habitua-se aos poucos ao sabor e cai na rotina dos automatismos. Em contrapartida, os primeiros segundos são uma tomada de consciência do aqui e do agora; neste momento dou toda a minha atenção às minhas papilas gustativas em euforia. Neste instante, não quero saber do telefone a tocar, dos assuntos pendentes, dos problemas para resolver ou das contas para pagar. Neste momento de pausa, só quero estar concentrada em mim, na minha respiração, no meu corpo vivo, nesta bolha de bem-estar que se desenhou à minha volta e que se vai manter enquanto os meus olhos ficarem fechados. Sei que lá fora, do outro lado das minhas pálpebras, o turbilhão continua; mas neste momento, deixo as pressas do lado de lá e fico do lado de cá, a saborear a minha primeira dentada. Inspiro e expiro muito lentamente, observo-me do lado de dentro. Apercebo-me do espaço que existe dentro de mim, não como um vazio, mas sim com um sentimento de amplitude, de abertura de mim mesma. Sinto-me plena e quase pronta a abrir os olhos. Gozo dos últimos segundos desta minha viagem interior, deste surto de vida que surge de dentro de mim. Daqui a instantes vou regressar ao mundo exterior, retemperada. Centrada em mim, desperto novamente e então abro os olhos.

 

Estefânia Sousa

 

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