18.11.11

 

Quando eu era pequena fui a casa de uma amiguinha. As bonecas dela estavam em perfeita ordem e não podíamos tirar elas do lugar. A mãe orgulhosa mostrava a organização da filha, que sempre que podia ia a minha casa brincar com minhas bonecas, sempre bagunçadas.

Sou organizada, mas dentro de uns limites. Gosto dos meus perfumes organizados, mas não separo eles por família (floral, frutal, cítrico, oriental). Tento manter em ordem minha casa.

Mas não consigo o mesmo com minha mente, que vive em uma desorganização total. Uma hora quero uma coisa, depois mudo de ideia. Penso que odeio uma coisa e depois esqueço disso. Tudo desorganizado, muitas vezes sem sentido.

Queria poder organizar minha mente como organizo minha casa e algumas vezes minha vida. Queria que minha mente fosse uma bagunça casual, sem parecer aquela bagunça de anos.

E as vezes surge alguém e me bagunça mais ainda os pensamentos. Faço o que jurei não fazer de novo. Mas há tempos ninguém bagunça um pouco minha mente.

Não sei se gostaria de viver isso de novo. Sim, talvez, não. Bagunçado tudo continua.

Na minha bagunça mental me perco e poucas vezes me acho. Lembranças se misturam, sem datas exatas. O passado ruim parece presente, parece que foi ontem, o passado bom parece distante, como se nunca tivesse acontecido.

Mas disfarço bem a bagunça na minha mente e no meu coração. Coloco minha casa em ordem, tudo organizado, então as pessoas pensam que tudo na minha vida está bem.

Alguém uma vez disse que o quarto representa nossa mente. Organizado, estamos bem, desorganizado, estamos mal. Meu quarto é organizado, mas meus pensamentos não.

Mas me sentir desorganizada me dá a sensação de trabalho pela frente. Vou organizar todos meus sentimentos e pensamentos. Mas eu me conheço, vou fazer isso apenas para desorganizar tudo de novo. E novamente começar.

 

Iara De Dupont (articulista convidada)

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 02:05  Comentar

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