6.1.12

 

Em momento algum do ano se resolve tanto como neste mês. É típico do português deixar tudo para o fim. Aposto que quase 100% de nós passa os 11 primeiros meses do ano a tomar “decisões” e dezembro a formular “resoluções”. Dito isto assim, torna-se curioso. Apesar de as duas palavras serem sinónimas, quantas vezes ouvimos dizer, ou dissemos, “decidi tomar uma resolução para o próximo ano”? Ou seja, decidimos decidir, ou resolvemos resolver e depois logo vemos o que sai daí. E geralmente o que sai? Para alinhar com o espírito festivo – em verdade vos digo…

Para mim, as resoluções só existem quando são concretizadas. Quando executado e levado a bom porto o proposto, o planeado. Quando há um início e um fim. No entretanto, podemos classificá-las de várias formas:

Intenções – quando somos mais esperançosos que propriamente determinados, estando presente uma dúvida mais ou menos persistente que coloca em causa a suposta resolução.

Complicações – quando formulamos uma suposta resolução e acreditamos piamente que a conseguiremos concretizar, investindo e mobilizando o necessário para tal, percebendo mais tarde que se tornou noutra coisa, no mínimo desconfortável, quando compreendemos e temos de aceitar o rotundo falhanço. Neste caso, não existindo uma dúvida inicial, ela sempre aparece, por vezes insidiosa, outras sem apelo nem agravo, algures no decurso desta transmutação suposta resolução – complicação.

Mentiras autoimpostas – quando sabemos perfeitamente que a suposta resolução não passa de uma mentira. Um placebo do momento. Uma operacionalização mental de objetivos que sabemos bem cá dentro serem nados-mortos. Aqui, não existe qualquer dúvida.

 

Para que o próximo ano corra melhor que este (objetivo principal das supostas resoluções de fim d’ano), DECIDI (processo que já teve início mas não fim) pensar na minha quota-parte de intenções, complicações e mentiras autoimpostas. Para que não seja muito doloroso, costumo colar os objetivos por grau de DÚVIDA da sua execução às classificações sugeridas. Vejamos três exemplos que ilustram tal: a) fazer mais exercício e alimentação mais saudável – intenção; b) comer uma só francesinha por mês – possível complicação; c) pagar o condomínio dentro dos prazos – mentira autoimposta.

 

Esta é a prenda que vos quero dar este ano, para gozarem no próximo. Não digam a vós próprios ou aos outros que tomaram resoluções. Digam simplesmente que “tenho a intenção de…”; “será complicado mas quero…”; “sei que estou a mentir a mim mesmo mas gostava de…”. O que ganham realmente com isto? Não faço ideia. Acabei de tomar a resolução de voltar a oferecer os três pares de peúgas que a minha tia-avó me deu no Natal passado. Tenho INTENÇÃO de as oferecer a alguém que goste delas, o que vai ser COMPLICADO, e sei perfeitamente que estou a MENTIR A MIM MESMO quando digo que ela vai gostar.

 

Rui Duarte

 

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