30.1.09


 


Há um velho provérbio português que diz que cão que ladra não morde.


Este provérbio, aplicado a quem fala em suicídio, poderá ser traduzido para: aquele que fala em suicidar-se, nunca o tentará.


 


Esta ideia poderá ser tranquilizadora para quem está próximo de uma pessoas que fala em colocar fim à sua própria vida. Com essa tranquilidade, poderá descansar e esquecer a importância e a gravidade incomodativa daquilo que ouviu, viu, ou percebeu.


 


Acontece porém que essa ideia, na maioria dos casos, não contém qualquer verdade.


De facto, em cada 10 pessoas que fazem uma tentativa de suicídio, pelo menos 8 delas deram sinais prévios dessa vontade. Muito raramente a decisão de um suicído é tomada repentinamente e executada de imediato. Os sinais podem ser muito explícitos e claros, mas também poderão ser bastante subtis.


 


Frases como: "Só me apetece desaparecer.", ou "Já não me importo mais.", mudanças de atitude, comportamento ou aparência, uma aparência deprimida ou taciturna, a preocupação em colocar os assuntos pessoais em ordem, ou dar objectos de estimação, assim como um aumento dos consumos de drogas ou de álcool, são sinais que deverão deixar-nos alerta.


Convirá que a nossa atenção fique desperta, que a nossa curiosidade funcione e nos leve a esclarecer a situação, com cuidado, mas sem medos.


 


Se, efectivamente, os sinais corresponderem a uma ideia de suicídio, convirá aproximar aquele que assim pensa, de uma ajuda. E essa primeira ajuda poderá ser um serviço de apoio emocional (a lista desses serviços, em Portugal, está neste blog, na coluna do lado direito).


 


FCC


 

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Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 02:00  Comentar

De Susana Cabral a 28 de Fevereiro de 2009 às 23:13
O suicídio , a morte, a doença, o cancro, a diferença, a homossexualidade são assuntos e palavras que evitamos usar. O seu peso negativo tem tamanha força que preferimos muitas vezes utilizar adjectivos que tornem o seu significado "mais leve".
É da mesma forma que nos "escondemos" atrás de ditados populares , de crenças para facilitar o convívio com situações ou possíveis situações que com as quais não sabemos lidar.
Nunca foi uma solução meter a cabeça na areia e fingir que a "debandada" não vem contra nós. A solução é enfrentar as situações, por muito que nos custem, e quando não sabemos o que fazer pedir ajuda é sempre um bom caminho a seguir

De Cidália Carvalho a 30 de Janeiro de 2009 às 14:59
Perante um suicídio, é comum ouvirmos comentários do género:" nunca pensei que ele/ela fosse capaz" ;" é certo que ameaçava mas pensei sempre que não falava a sério"; "dizia-o tantas vezes que já nem ligavamos".

A "verdade tranquilizadora" do ditado popular, não passa disso mesmo, ajudar-nos a digerir a nossa falta de desempenho com aquela pessoa.
E aqui, ainda que pareça, não está implicito nenhum julgamento ou acusação, penso apenas que o medo que referes nos tolhe.
Perante alguém que ameaça suicidar-se, o que devemos fazer? Deveremos incentivar a pessoa a falar do seu suicídio? Desvalorizar os seus desabafos?
No fundo, penso que temos medo de lidar com este tema por não estarmos preparados para o fazer.

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