10.7.12

 

Como está a saúde mental em Portugal? Bem, obrigado! Continuamos com as nossas festas cheias de vida, música, dança e petiscos. Continuamos com o nosso sol e a nossa chuva, que nos trazem tanta alegria. Continuamos com as nossas reclamações, não fossemos nós o povo português, cuja música que nos identifica é o fado, que só por si diz tudo. Continuamos assim na nossa zona de conforto, capazes de apreciar a vida, sentindo-nos bem connosco próprios em relação aos outros, mesmo que isso implique a falta de princípios e regras comunitárias.

Dizem alguns autores que o português é por natureza insatisfeito e procura sempre razões para se queixar. Ao tentar resolver as situações que podem pôr em causa a sua saúde mental, por vezes encontra contornos às soluções que poderiam gerar um bem comunitário e não apenas o seu próprio bem-estar momentâneo, sem olhar aos longos anos de vida que ainda lhe restam em sociedade. Lidamos assim com as situações de forma positiva, conseguindo ter sempre energias para festas e desfrutar delas. Mantemos a nossa saúde mental em bom estado pois temos sempre a procura incansável de equilíbrio entre o que fazemos e o esforço para o alcançar.

Quantas vezes já nos ouvimos dizer “Não posso admitir isto, não posso continuar assim porque senão dou cabo da minha saúde mental!”?

Temos até leis que defendem a saúde mental individual, que nos protegem aos olhos da justiça perante situações de que somos vítimas. Estas leis servem para assegurar que realmente a saúde mental comunitária se mantenha em bom estado. Mas ficar em bom estado para alguns indivíduos implica prejudicar a saúde de outros. Aí é que entra a zona de conforto individual como um obstáculo.

É nestas alturas de confronto de ideias e de formas de estar que o conflito começa. Quem está habituado a fazer sempre da mesma forma as mesmas coisas, não arriscando muito em fazer diferente para garantir que corre tudo bem, por vezes nem se apercebe que isso poderá ser prejudicial para ele próprio e para os que o rodeiam. Em Portugal preservamos muito as tradições, das quais nos devemos orgulhar. Mas preservá-las, em qualquer contexto, não deveria ser fechá-las ao mundo como inalteráveis. Isso é puro egoísmo, é medo de sair da zona de conforto.

Se continuarmos a fazer sempre o mesmo, chegará a um ponto em que nos cruzamos com pessoas diferentes que já viveram experiências diferentes e que até têm muito para dar, mas fechamo-nos a elas. Em vez de aceitarmos de bom agrado o que há de novo, fingimos que ouvimos para mostrar que estamos a ser culturalmente inclusivos.

Ora, penso que isto não é uma saúde mental em bom estado, pois os conflitos poderão surgir. Como o povo tradicionalmente diz, isso será “tapar o sol com a peneira”. Isso é puro cinismo, pois aceitamos as sugestões de outros, permitimos a sua entrada na nossa vida dizendo até que são bem-vindos, mas na realidade só estamos a tentar mostrar que somos indivíduos muito simpáticos e flexíveis.

Onde está a flexibilidade quando continuamos com os mesmos hábitos, mesmo depois de ouvir exemplos e conselhos diferentes do que estamos habituados?

Não, a flexibilidade acaba quando, no final da troca de opiniões e na aceitação de soluções diferentes dizemos “Vamos fazer como é costume. Talvez para o ano possamos mudar, mas por agora fazemos assim pois correrá tudo bem”.

Eu digo, e isto é apenas a minha opinião, o costume não ajuda em nada se se pensar nele como o mais certo, se tivermos medo de arriscar, errar e melhorar.

Mas para manter a saúde mental, continuamos em festa, que isso sabemos fazer bem e a nossa saúde mental agradece.

 

Sónia Abrantes (articulista convidada)

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 01:05  Comentar

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