24.8.12

 

Estar longe remete-me para saudade. Saudade do que fui, do que vivi, com quem vivi, com quem fui. Estar longe é uma panóplia de sensações. Quando estamos longe temos a sensação de que todo o mundo que conhecemos parou num certo momento. Congelou. Esperando por nós, que longe desse mundo, sentimos a nossa vida a avançar. Nem sempre como queremos. Muitas vezes de forma surpreendente. Estamos tão ligados em nós, que não nos apercebemos que o mundo que deixamos lá longe também gira, avança, com ou sem contratempos. Saber, sabemos, pelos contactos que estabelecemos, mas acabamos sempre por nos espantar como as pessoas mudam. Como as coisas mudam. Até as cidades mudam. Como as crianças que conhecêramos já são crescidas, como os adultos ganham rugas e cabelos brancos que não estavam ali. Como novas ruas aparecem do nada. Enfim! Como tudo o que estava intacto na nossa memória se modificou bruscamente. Talvez, tenha sido gradualmente, mas a distância barrou-nos o acesso a esse deslumbramento. E por isso, ficamos tão admirados, porque ainda estamos presos a memórias do passado. E de repente, dá uma sensação de vazio. De traição. Porque nós não estávamos lá para acompanhar essas mudanças. Sabíamos delas. Mas não as vivemos. É como se tivessem continuado sem nós. Claro que nós também continuamos. Sem eles. Ambos os lados perdem. Mas essa sensação de perda de preciosos momentos é inevitável.

Porém estar longe não significa não estar. Apesar de não ser como estar perto, é possível estar e ser, mesmo longe. Mas, o que mais domina é a saudade. E não só a saudade do que já foi. Também a saudade do que não podemos viver, mas que por outras bandas se vive. A saudade do que poderia ser se fossemos mais perto. Esta tristeza, que só culmina com o perto, num abraço bem apertado. Num riso bem sentido. Afinal, estar longe é estar bem mais perto da saudade!

 

Cecília Pinto

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 20:05  Comentar

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