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Foto: Beggar – Dean Moriarty

 

Dar não é um ato de caridade, mas sim uma obrigação moral e de recompensa com o seu semelhante, por fazermos parte da mesma geosfera, e de gratidão por termos sido iluminados para alcançar desideratos comuns. Quando recebemos, emerge a necessidade de partilhar para eternizar e valorizar a nossa conquista, a vida é um sistema de trocas de sinais que os seres emitem comunicando valores e mesmo que a oferta seja digna de realce, se não se faz acompanhar por uma oferta de valor intrínseca, o carente pode duvidar.

A velha máxima já sugere que quanto mais damos mais recebemos em troca, numa medida ou contrapartida igual ou superior respetivamente, mas somente a plena consciência de ter honrado e cumprido um dever moral constitui uma recompensa incomensurável, que não tem escala de avaliação de impacto.

Entretanto, é razoável questionar a medida justa para se considerar que tal recebimento seja adequado ou meritório, no primeiro caso, assume-se uma avaliação objetiva, e no segundo, imaterial. A discórdia consiste em não sabermos reconhecer a natureza e momento da recompensa, conforme se assume receber certo padrão ou natureza da ação, ou pelo diferimento que o vencimento da recompensa possa sofrer, ou ainda exigir um retorno justo como se de uma transação com fins comerciais se tratasse.

 

Um dos maiores atos de ofertar é através do voluntariado direcionado para pessoas carentes, grupos desfavorecidos ou, indiretamente, através do exercício de profissões de natureza social por serem atividades plasmadas e impulsionadoras da qualidade de vida.

Pretendendo assemelhar ou traçar uma simbiose entre iniciativas empresariais e sociais, deduz-se o fenómeno empreendedorismo social, segundo a Endeavor é todo o negócio em que a responsabilidade social é o core business, são ideias que se consubstanciam em soluções de problemas sociais passíveis de serem transformados em produtos e serviços vendáveis e geradores de lucro a longo prazo.

É precisamente deste ponto que interessa fazer a articulação entre as dimensões social e material da atuação do Homem, ciente que uma persegue a outra; para se conseguir sustentabilidade num projeto empresarial, condição indispensável para o sucesso, é fundamental que as soluções propostas sejam ideias válidas e que gerem valor, transformando essa transação que comporta um risco numa operação mutuamente vantajosa. Nesse processo a comunicação tem um papel duplo desde o condutor de ideias à transmissão de valores indispensáveis para o comprometimento de todas as partes interessadas.

A ideia patente é de que, independentemente da forma como a pessoa está organizada, individual ou coletiva, para se receber algo em troca, a regra é antes dar. Se essa fórmula for copiada e replicada pelos níveis seguintes, semelhante à técnica de socalcos, o efeito da partilha será maior assegurando a distribuição dos rendimentos de forma abrangente e integral, gerando o efeito multiplicador. Esta é, aliás, a fórmula de crescimento em cadeia que muitos pequenos agentes organizados em rede podem seguir, obtendo vantagens de partilha de custos, geração de sinergias e escala de produção de forma a adquirir massa crítica para penentar e competir em palcos mais exigentes.

 

António Sendi

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 09:30  Comentar

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