24.6.15

Janus.jpg

 

Na antiga Roma surgiu um deus chamado Janus.

Estamos a falar do deus do passado e do futuro. Das portas e portões. Das mudanças e transições, incluindo a passagem da vida primitiva para a civilização. Da guerra e da paz. Das entradas e das saídas. Das trocas comerciais e do intercâmbio. De acordo com o mito, Janus foi o primeiro a cunhar moeda.

Este deus simbolizava frequentemente a mudança de um estado para outro, de uma visão para outra. Era invocado no início das plantações e das colheitas, dos casamentos, da morte. Diz-se que, muito provavelmente, era o deus mais importante do panteão romano. Era aliás a ele que se devia prestar vassalagem se se pretendia chegar a outras divindades. Era Janus que permitia o acesso, ou não. Janus era a força primordial que deu forma ao universo.

Janus tinha, muito apropriadamente, duas faces, viradas em direções opostas. Era tão importante que do seu nome surgiu Janeiro, o primeiro mês do ano.

Penso muitas vezes nesta sociedade bipolar, às vezes esquizofrénica, em que vivemos. Atualmente Janus continua omnipresente. Quando crescemos, quando recebemos a correspondência, quando casamos, quando “subimos” ou “descemos” na vida. Quando as pessoas à nossa volta nos atribuem um “valor”. É ele a definir quem somos e a nossa importância no mundo. É a ele que adoramos constantemente, em quem pensamos a toda a hora. Quando se ausenta, angustiamo-nos. Sabemos, ou pelo menos estamos convencidos, que não podemos viver sem ele. É para ele que trabalhamos, é a ele que nos submetemos.

Sem Janus, o mundo seria pois uma massa amorfa e estagnada.

Hoje em dia, Janus chama-se Dinheiro.

E, curiosamente, os gregos não tinham nenhum deus que lhe fosse equivalente.

 

Laura Palmer

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 08:00  Comentar

Maputo | Moçambique

Pesquisar
 
Destaque

 

Porque às vezes é bom falar.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Junho 2015
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6

7
8
9
11
13

14
16
18
20

21
23
25
27

30


Arquivo
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


Comentários recentes
gostei muito do tema artigo inspirado com sabedori...
Não podia concordar mais. Muito grata pelo comentá...
Dinheiro compra uma cama, mas não o sono...Compra ...
Caro Eurico,O cenário descrito neste artigo enquad...
Grande artigo, que enquadra-se com a nossa realida...
Presenças
Outras ligações
Música

Dizer que sim à vida - Carlos do Carmo:

 

Dizer que sim à vida - Luanda Cozetti: