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É aceite que o “delinquente” é-o porque as condições foram propícias. Talvez porque a família mostrou-se incapaz de educar e não teve o efeito pretendido de transmissão de valores. A figura paterna, mesmo que às vezes “presente”, mostrou-se ausente. O jovem não sentiu o “controlo” desejado. As “regras” e os limites estavam mal definidos. Estes jovens habitualmente sentem-se desajustados no seio familiar e veem-se numa relação de distanciamentos e indiferença.

Estas poderiam ser razões por detrás do fenómeno. Outras haverá. Senão vejamos.

A escola, mesmo que às vezes criticada pelo seu facilitismo, muitas das vezes falha porque não consegue cativar os jovens. A metodologia e as matérias são por vezes desinteressantes para eles, e já agora, para a população estudantil em geral. Não existe o desejo de aprender.

A inadaptação destes jovens à escola pode ter vários fatores associados, como uma autoimagem negativa, insucesso escolar, falta de apoio por parte dos pais e má relação com os agentes educativos.

Assim, este desamor e a ausência de ambição futura, promovem comportamentos delinquentes na escola. Parece ser uma forma de mostrar a revolta e permite evidenciarem-se de outra maneira e marcar uma posição.

O iniciar de uma atividade profissional precocemente, por volta dos catorze a dezasseis anos, o insucesso e abandono escolar, aparecem normalmente também associados à carreia desviante.

Outra razão por detrás de comportamentos criminosos é a influência dos amigos que é apontada como base para o início destes atos ilegais.

Obter objetos caros como sapatilhas ou calças de ganga de marcas conhecidas, que de outra forma não conseguiriam ter porque muitos provêm de meios desfavorecidos, é com frequência um motivo válido para estes “miúdos” começarem a roubar.

A adrenalina explica em muitas situações o início de atividades delinquentes. Muitos jovens afirmam cometer delitos pela “pica”, pelo prazer ou pelo divertimento, pela curiosidade ou por experimentarem algo de diferente.

Por um lado, Fréchette e LeBlanc falam-nos de uma síndrome de personalidade delinquente em que traços psicológicos como a inclinação criminosa, antissociabilidade e egocentrismo têm uma influência determinante na forma como o sujeito interpreta as circunstâncias sociais.

Por outro lado, a autora F. Digneffe defende que o sujeito é totalmente responsável pela construção do seu projeto de vida.

A quem responsabilizar ou o quê? Uma causa? Várias? Hereditárias, biológicas, ambientais ou sociais? Como podemos ajudar estes jovens? O que precisa ser reestruturado no nosso sistema social?

 

Ana Teixeira

 

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