19.8.15

HappyWeddingDay-GeoffDoggett.jpg

Foto: Happy Wedding Day – Geoff Doggett

 

- Vejo-te ansiosa, olhar o relógio à espera do encontro que não vai acontecer. Não me escapam as vezes sem conta que olhas o telemóvel, na esperança de veres brilhar um número no pequeno écran. Uma chamada, uma mensagem, qualquer coisa que te tranquilize. Esperas, desesperas e continuas a aguardar que aconteça, não sabes bem o quê, mas que aconteça. Queres sair desse estado de ignorada e não sabes como fazê-lo. Vejo-te triste. Explodes de ódio quando percebes que embarcaste sozinha numa viagem que termina no sítio e no momento em que começou. Início e fim são dois momentos colados de tão vazios que estão de acontecimentos. Não há dimensão onde há vazio. Tudo não passou de um delírio teu. Não, não me venhas culpar. Os meus avisos de nada valeram. E, se em algum momento me ouviste, inventaste explicações para me aplacar mas que só serviram para te encorajar a viver paixões inventadas, sem culpa ou contrição. Sabias que esse não era o caminho mas iludias-te, enganavas-te. Em questões de coração tens mentido sempre – não agora em que a dor e as lágrimas são sinceras - só és verdadeira quando a paixão te abandona. Faz um favor a ti mesma, não te enganes! Sê honesta e vais ver que te poupas a muita dor.

- Quem quer que tu sejas, o que te leva a pensar que podes dar-me conselhos?

- Sou a tua consciência. Enfrenta-me! Não tenhas medo, de nada serve evitares-me, estarei sempre contigo ainda que tu me ignores e não queiras ouvir-me.

- Eu só conheço a felicidade quando estou apaixonada, tu és diferente, basta-te a razão. Deves estar muito feliz porque transbordas de razão. O teu dedo apontado e as tuas unhas afiadas sangram-me o coração. Onde estavas quando era preciso temperar esta paixão com a razão?

- Já te disse, eu nunca te abandono, tu é que nem sempre queres ouvir-me. A minha voz incomoda-te.

- Despeitada, é como te sentes quando não vejo nem ouço nada para além da minha paixão. Sim, não aceitas que a paixão me domine, gostavas de ser tu a fazê-lo, obediência cega, ponderada, assertiva nas palavras e nos atos, tudo calculado e analisado à luz da razão. Mas eu não sou assim. De novo hei de deixar-me levar pelo desejo, entregar-me e exigir entrega. E sabes, alegra-me ver-te assim, medrosa por saberes que as minhas paixões são fortes e me animam, e que tu não consegues destruí-las; por isso cala-te!

- A paixão rouba-te lucidez, ela é o teu maior inimigo. Apaixonada, és patética. Mas se a paixão te cega e não te deixa ver com clareza, se não encontras em ti razões que te impeçam de te lançares em aventuras malucas, pensa ao menos na exposição pública que te ridiculariza. A família não te compreenderá, os amigos rir-se-ão nas tuas costas, os conhecidos não atribuirão seriedade e a sociedade ignorar-te-á. Achas ainda que devo calar-me?!

- Tu és forte. Transformas, dás vida, matas princípios e moralidades, vigias e ordenas comportamentos, mas, bem podes continuar a ditar-me as tuas regras que nada vai ser diferente. Quando ele chegar vou ignorar-te, vou fazer o que a minha vontade mandar sem medo do que possa acontecer, por isso, cala-te! Deixa-me ser feliz! E, quando ele sorrir para mim e me abraçar, desse cantinho seguro de onde nunca mais sairei, hei de rir-me de ti, das tuas cautelas e da tua moralidade. Por isso cala-te!

 

Cidália Carvalho

 

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