1.9.14

 

Aprender a pegar numa caneta e num papel, e escrever. Ler e compreender uma mensagem. Tudo isso se processa graças a ensinamentos que, como seres humanos, vamos aprendendo, se eventualmente tivermos acesso a determinados mecanismos e ferramentas.

A Educação é, realmente, uma arma poderosa como defendem tantos. Sobretudo aqueles, a quem, a mesma é, constantemente, negada. Já outros, que a tomam por garantida, pouco valor lhe dão, ou até a desprezam.

Penso que saber ler é deveras importante. Um luxo que usamos diariamente, de uma forma mecânica, e que não damos o devido valor. Se, porventura, deixássemos de conseguir ler, muitas tarefas simples poderiam se tornar um verdadeiro martírio. Quando a comunicação falha sentimo-nos perdidos. Imaginemo-nos num local onde qualquer placa está escrita num idioma desconhecido. Facilmente, nos sentimos desamparados. Mas, mais do que ler, é compreender o que está para além das letras. E essa compreensão é algo que nem todos os instruídos conseguem atingir. Porém, mais do que esta educação formal, em que temos acesso a determinados conhecimentos e aprendizagens, formas de raciocinar e expressar, essencial é ter acesso à educação do ser.

Educar para o respeito. O respeito por nós próprios, pelos outros, pelos valores fundamentais. Hoje em dia parece que nem em casa nem na escola se educa para tal. Como se costuma dizer, parece que anda tudo mal-educado. Porque mal-educado e malcriado, são sinónimos. A forma como se cria uma cria, revela-se em resultados. E o respeito, valor básico das relações, parece não ser ensinado, nem estimulado.

Como esperar um resultado correto de uma equação, quando não se respeita os princípios básicos da matemática? Como se compreende um texto que não respeita as regras de sintaxe? Como nos tornamos seres cívicos quando não se educa para o respeito?

Realmente, se analisarmos a fundo, somos educados para aprender. De uma forma teórica, aprendemos idiomas, formas de raciocínio, aprendemos sobre evolução do mundo, das coisas naturais. São-nos concedidas formas de ver e, caso a educação formal seja completa, é-nos concedida também a possibilidade de desenvolver um sentido crítico face a essas aprendizagens e questionar as mesmas, de modo a explorar outras visões, tão ou mais plausíveis. E aí somos educados, para repararmos em tudo o que nos rodeia, de acordo com a nossa própria visão. Somos educados para a autonomia, para a independência, para uma mente aberta. E ensinados a usarmos certos conhecimentos no nosso dia-a-dia. Porque, para além de desenvolvimento mental, todos esses conhecimentos têm, eventualmente, uma aplicabilidade prática.

No entanto, antes de qualquer contacto com a educação formal, e posteriormente, em paralelo, vamos sendo educados. Sem estarmos sentados a olharmos para um quadro ou livro, somos educados. Pelo exemplo, pelas palavras, pelo modo que atuam connosco, pelo que vemos, ouvimos e sentimos. Desde pequeninos vamos aprendendo. E, às vezes, aprendemos que gritar em vez de falar é normal. Que bater em vez de debater é normal. Que esperar que os outros façam por nós é normal. Que não somos capazes de mais e melhor. Que não respeitar o espaço dos outros, as ideias, mesmo que contrárias às nossas, a forma de ser, o modo de estar na vida, a liberdade e valores básicos, tudo isso, não é importante. Até porque não somos educados a colocar-nos nos sapatos dos outros. E é tão fácil ser-se egoísta! E ao longo do tempo certos ensinamentos vão ficando impressos nas nossas crenças, na nossa forma de estar e ser no mundo. E porque, raramente, somos educados para o sentido crítico e para a análise de consciência, dificilmente conseguimos distanciar-nos de nós próprios e compreender onde falha o processo que nos impede de sermos mais respeitadores. E então, aí, a responsabilidade é sempre alheia (como quem diz: “A culpa é sempre dos outros”).

Todos gostam de ser respeitados. Mas, o inverso já não é tão importante.

Não faças aos outros, o que não gostas que te façam a ti. E é aí que reside o básico da educação, no respeito. E aprendendo o respeito, a equação final resultará num produto com mais valor e mais valorizado, não só pelos outros, mas também pelo próprio.

Educar para o respeito. Desde sempre e continuadamente!

 

Cecília Pinto

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 09:00  Comentar

Maputo | Moçambique

 pessoa(s) ligada(s)

Pesquisar
 
Destaque

 

Porque às vezes é bom falar.

Articulistas

> Alexandra Vaz (PT)

> Ana Martins (PT)

> Cidália Carvalho (PT)

> Ermelinda Macedo (PT)

> Fernando Couto (PT)

> Fernando Lima (PT)

> Jorge Saraiva (PT)

> José Azevedo (PT)

> Leticia Silva (PT)

> Rui Duarte (PT)

> Sandra Pinto (PT)

> Sandra Sousa (PT)

> Sara Almeida (PT)

> Sara Silva (PT)

> Sónia Abrantes (PT)

> Tayhta Visinho (PT)

> Teresa Teixeira (PT)

Setembro 2014
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6

7
8
9
11
13

14
16
18
20

21
23
25
27

28
30


Arquivo
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


Comentários recentes
gostei muito do tema artigo inspirado com sabedori...
Não podia concordar mais. Muito grata pelo comentá...
Dinheiro compra uma cama, mas não o sono...Compra ...
Caro Eurico,O cenário descrito neste artigo enquad...
Grande artigo, que enquadra-se com a nossa realida...
Parabéns Ana Martins, uma abordagem bastante suges...
Obrigado Denise, embora sinta que tenha sido basta...
Muito bom !Explicou exactamente o que eu penso!!!
Concordo plenamente caro Dr. Sendi, o facto é que ...
Gostei muito do artigo .Estou plenamente de acordo...
Presenças
Outras ligações
Música

Dizer que sim à vida - Carlos do Carmo:

 

Dizer que sim à vida - Luanda Cozetti: