7.3.16

YoungGirlSmiling-AnnaLangova.jpg

Foto: Young Girl Smiling – Anna Langova

 

Segundo a Janela de Juari, a nossa personalidade divide-se em quatro partes:

- aquilo que nós e os outros sabemos de nós;

- aquilo que só os outros sabem de nós;

- aquilo que só nós sabemos de nós e

- aquilo que nem nós nem os outros conhecemos

Inevitavelmente, a vida, que é a mais sábia de todas as energias, correntes e filosofias, fez-me sentir na pele que não chega só saber aquilo que está à superfície, e que, de uma maneira ou de outra, os outros conseguem ver em mim. Desde então, aprofundar este conhecimento de mim, é um desafio que tenho encarado com respeito, porque nem sempre estou preparada para o que vou descobrindo. Tal como quando percebi, que ainda não tinha crescido… foi absolutamente desconcertante! Mas na realidade, eu, tão cheia de dor, de mágoa, de saudade, de força e de amor para dar, era apenas alguém que até essa altura, se tinha amado apenas através do amor dos outros, que nunca tinha nutrido a sua criança interior, e que tinha uma árdua tarefa pela frente, mudar o que não gostava em si, aceitar a sua essência e, acima de tudo, amar-se.

 

Durante anos, mais propriamente entre os 11 e os 36 anos, odiei visceralmente o meu segundo nome, com o qual sempre fui tratada, e assim que saí da minha “rede” geográfica, apresentei-me por Ana, “Só Ana”, repeti milhentas vezes, “o segundo nome não conta”. Porém, graças e esta necessidade de me conhecer que a vida me impôs, hoje percebo que odiava o meu segundo nome porque me remetia para o lado mais desfocado da minha existência, para o generation gap tão presente na minha adolescência, para todas as coisas que, até de forma inconsciente, não gostava em mim, portanto, se me chamassem Ana, talvez a aversão ao nome fosse a mesma…

É assim que a vida também revela a sua força maior, potenciando em nós uma súbita necessidade de fazer um reset. O arranque é demorado mas vale sempre a pena, se estivermos recetivos às atualizações. À parte a metáfora informática, na verdade este tem sido um dos maiores esforços que tenho feito: conviver comigo em amor, escavar bem lá fundo as pedras em que tropecei para que o caminho seja mais suave e sereno, sem receio das pedras que me esperam. Crescer não é propriamente fácil, pois não? Principalmente quando concluímos que afinal a crença não traduz a essência. A mim ainda me falta um longo caminho, mas é o que tenho aprendido que me faz seguir em frente, doa o que doer. E não me dou outra alternativa, mesmo assustada.

 

Eu? Eu sou sorriso, força, tristeza e nostalgia. Eu sou saudade, sou amor, sou mau feitio, sou cinismo, sou ciúme. Eu sou mimo, carinho e amizade fiel. Eu sou Filipe e sou João, eu sou Maria Rosa e Augusto, eu sou Lucinda, Conceição e Paulo, eu sou Cláudia e Ana Oliveira. Eu sou uma mesa cheia de amigos. Eu sou a casa barulhenta da Castanheira. Eu sou todas as pessoas que fazem parte da minha vida, as que me magoaram e deixaram, e as que partiram, apesar de me amarem. Eu sou sardas e corpo de mulher cheiinha. Eu sou Triana, sou Foz, sou todos os sítios que amo. Eu sou quem me ama. E preciso de todos estes “eus” para que possa ser simplesmente EU, a minha pessoa, um ser autónomo, independente de todos os outros, sem colagens ou dependências, um eu resiliente que dança conforme a vida toca.

Eu sou a Paula.

Assinado: Paula Bessa

 

Ana Martins

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 09:30  Comentar

Maputo | Moçambique

Pesquisar
 
Destaque

 

Porque às vezes é bom falar.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Landa Cortez

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Vanessa Santana

Março 2016
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
12

13
15
17
19

20
22
23
24
26

27
29
30
31


Arquivo
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


Comentários recentes
gostei muito do tema artigo inspirado com sabedori...
Não podia concordar mais. Muito grata pelo comentá...
Dinheiro compra uma cama, mas não o sono...Compra ...
Caro Eurico,O cenário descrito neste artigo enquad...
Grande artigo, que enquadra-se com a nossa realida...
Presenças
Outras ligações
Música

Dizer que sim à vida - Carlos do Carmo:

 

Dizer que sim à vida - Luanda Cozetti: