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- Tens de ir para a escola, ser bom aluno, para teres notas que te habilitem a entrar numa boa universidade, num curso que depois te dê um bom salário e possas, assim, construir uma carreira.

- Excelente! Obrigadinha, ah!!”

Era mesmo isto que eu, enquanto jovem sonhadora, com a mente ainda pouco formatada, cheia de energia e vontade de fazer coisas, precisava ouvir.

Eu sei que temos dificuldade em lidar com a volatilidade, em aceitar o incerto, mas francamente… Não que eu tenha alguma coisa contra ir para a escola, tirar um curso universitário, ou ter sucesso num determinado percurso de carreira. Tudo isso é muito positivo e salutar, tanto para a pessoa humana, como para a sociedade. Mas convenhamos… temos de usar o nosso senso crítico para pensar nas coisas. Sobretudo se é do nosso futuro que estamos a falar. E mais: sem pensar criticamente, sem construir raciocínios sustentados, não conseguimos ampliar a nossa visão do que será o futuro, concretamente o futuro laboral.

Vamos aos factos. O que é que nós já sabemos empiricamente:

- que precisamos de ter um trabalho que nos pague as contas;

- que devemos procurar (leia-se capacitar-nos para) a autossuficiência financeira para não dependermos de pais, de subsídios, ou do Estado;

- que, contrariamente ao que acontecia há algumas décadas, temos previdência social, defendendo direitos em casos de deficiência, entre outros casos;

- que a legislação laboral visa a proteção dos trabalhadores, procurando, em sua essência, manter a dignidade nas relações entre empregadores e empregados;

- que hoje podemos aprender qualquer coisas e, portanto, desenvolver qualquer competência;

- que hoje vivemos na era do empreendedorismo, da gestão por projeto, do networking, das redes sociais, dos negócios online, das parcerias, da inovação em todas as áreas funcionais e de negócio.

Saber o que será o futuro do trabalho, para alguns, poderá funcionar como uma espécie de futurologia, para outros, é um exercício habitué de observação, de antecipação, não só de quais serão as necessidades futuras, mas da coragem de construir, com a profissão, a realidade que queremos, mesmo que isso implique quebrar as regras, mesmo que isso implique sentir borboletas no estômago, na peregrinação diária de fazer diferente.

 

Marta Silva

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 08:00  Comentar

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