30.9.15

MacroDragonfly-PetrKratochvil.jpg

Foto: Macro Dragonfly – Petr Kratochvil

 

Abri a caixa esquecida num recanto da sala e descobri a antiga máquina fotográfica com que o pai registava os momentos importantes da família. Peguei nela e rodo a sua objetiva, comecei a focar a sala. A objetiva parou numa pequena foto pendurada na parede. Fiz uma focagem meticulosa e apercebi-me que era uma foto minha, de adolescente. Nunca tinha reparado naquela foto ao longo dos anos. E ela esteve sempre ali, pendurada, à vista de todos. Foi preciso focá-la com a máquina fotográfica para reparar nela e tomar consciência que ela existiu sempre ali.

Intrigou-me como não temos consciência das coisas, das situações que vivemos, apesar de tudo se passar em frente a nós. Olhamos, mas não vemos. Não é um olhar qualquer! É um olhar com atenção, com curiosidade e intenção que nos faz ver, nos faz focar e aí sim, reparamos, vemos e tomamos consciência. Fiquei consciente que para se ter consciência da realidade é preciso olhar para ela com atenção, focar cada detalhe e compreender o significado de cada um deles.

Como tudo seria mais fácil se eu tivesse consciência de todos os momentos da minha vida, consciência de mim, de quem sou, de como sou! Mas para isso eu precisaria de ter sempre o foco virado para mim e para o que se passa à minha volta. Se os meus olhos pudessem rodar e focar para dentro de mim, eu seria conhecedora de todas as transformações que se operam no meu interior. Lembrei-me das libelinhas que têm uma visão de 360º, conseguindo ver tudo o que se passa à sua volta.

Criei para mim o desafio libelinha! Todas as noites, antes de dormir, passei a focar com atenção todos os acontecimentos desse dia, observando-os em detalhe, analisando-os com curiosidade, esforçando-me por compreender o significado de cada acontecimento. Como num ritual diário, passei a observar o que cada acontecimento do dia desencadeava em mim e comecei a ter consciência do que sentia dentro de mim. Com o tempo fui percebendo que me tornei mais confiante e verdadeira comigo mesma. Com o olhar de libelinha, passei a conhecer-me melhor, a ter plena consciência de quem sou, do que sinto e do que quero para mim. Percebi que ser consciente é estar atento, é ter uma atenção focada e observar para compreender.

 

Tayhta Visinho

 

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