19.6.15

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Foto: Cartão de crédito – Petr Kratochvil

 

O dinheiro, no geral, deve ser a maior motivação do ser humano. E a maior prisão. Regula, controla, esmaga, mata.

O dinheiro, no geral, deve ser a maior motivação do ser humano. E a maior liberdade. Faz crescer, afirma, liberta, dá vida.

Está presente em todos os aspetos da nossa vivência e da nossa sobrevivência. É culinária: “Nunca metas os ovos todos no mesmo cesto”, informação de pais para filhos: “Poupa para a velhice” e lema de negócio: “Só se fia a pessoas de 90 anos quando acompanhadas pelos seus pais”. É o “mal do mundo” e “o principal motivo de discussão entre casais”. É termo de atos, pactos, guerras e manifestações. É novo vocabulário para o povo. Troika, BES e FMI... Enfim... Dá-nos de tudo, de Rendeiros a sucateiros e novelas à porta de prisões. Ninguém escapa ao seu encanto, por muito alta que seja a posição.

Eu, diariamente, lido profissionalmente com a outra face. Ou a falta dela neste caso, dado que a sua existência implicaria a existência da moeda completa. Desemprego, habitação social, dependências, contas de farmácia, atrasos de pagamento. Apoios sociais cortados, pensões e reformas por invalidez de escassos cento e tal Euros.

Um certo dia, um economista disse-me: “Os bancos existem para se pedir dinheiro”. Mas isso não é para todos e muito menos agora. Nos idos 2000 era mais fácil entender a coisa assim. Queres dinheiro para casa? Leva para a mobília! E porque não para o carro na mesma prestação?

Estamos agora mal. Mas já estivemos pior. Já se perderam as casas por falta de pagamento e muitas vidas por falta de casas. Suicídios... Em certa medida parecem estúpidos quando andamos de Audi e Mercedes. Quando o crédito nos paga colégios, férias e telemóveis.

Mas atenção que “eles” continuam por aí. Já não podem emprestar para as casas, para a mobília e para os carros. “Eles” também já não têm o que tinham e sabem que boa parte do que já emprestaram não vão receber. Ou recebem em paredes vazias, prontas a revender em leilões. Mas se no domingo fores incauto no shopping, lá está... para além do passeio trazes um cartão de crédito. Daqueles sem comissões. Daqueles que só pagas qualquer coisa se o ativares. Ou daqueles para os electrodomésticos, ou para os discos e livros. Afinal de contas, quem não gosta de pagar as contas em suaves prestações?

Bom... sejam felizes, ou o mais próximo disso que conseguirem. E lembrem-se da velha máxima: “O dinheiro não traz felicidade”. Grande treta. Vou almoçar.

 

Rui Duarte

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 08:00  Comentar

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