1.1.16

BabyIncubator-IsabelVanzieleghem.jpg

Foto: Baby Incubator – Isabel Vanzieleghem

 

Testemunho, com alguma frequência, pessoas a vivenciarem uma transição de saúde-doença. Se por um lado a doença assusta, destruindo caminhos já muito determinados e formas de lidar com acontecimentos da vida, por outro, pode levar a que as pessoas acionam a sua criatividade para lidarem com ela. É o poder criativo da doença. Descobrem-se poderes latentes, nunca previstos, e a vida transforma-se num modo inimaginável. Oliver Sackes, no seu livro Um antropólogo em marte, chama-lhe o “paradoxo da doença”. Estas pessoas que acionam a criatividade fazem e refazem, pensam e repensam, formulam e reformulam vezes sem conta. Não sei se se surpreendem com elas próprias, mas sinto que surpreendem os outros. Reaprenderam a viver; agora vivem com a sua doença.

 

Testemunho com alguma frequência pessoas que passam a cuidar de outras em situações difíceis e vivenciam também, por isso, uma transição. Da mesma forma, cuidar de alguém em situações difíceis pode, por um lado, destruir caminhos de quem cuida e, por outro, pode fazer com que o cuidador acione a sua criatividade para cuidar. É o poder criativo e, da mesma forma, paradoxal do cuidador, diga-se, cuidador informal; o cuidador familiar. Estes cuidadores que cuidam de pessoas em situações difíceis, fazem e refazem, pensam e repensam, formulam e reformulam vezes sem conta. Os que vão observando “de fora” questionam como se consegue tal desempenho. Não sei se estes cuidadores têm tempo para se surpreenderem, mas sinto que surpreendem os outros. Reaprenderam a viver; agora vivem com os seu(s) doente(s); com o(s) seu(s) familiar(es).

 

William Osler (Sackes, 1995) diz: “Não pergunte que doença a pessoa tem, mas antes que pessoa a doença tem”. E, porque o cuidador tem o poder de poder ajudar, eu diria “Não pergunte que doente o cuidador tem, mas que cuidador o doente tem”.

 

Ermelinda Macedo

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 08:00  Comentar

Maputo | Moçambique

Pesquisar
 
Destaque

 

Porque às vezes é bom falar.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Estefânia Sousa Martins

Fernando Couto

Fernando Lima

Jorge Saraiva

José Azevedo

Landa Cortez

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Vanessa Santana

Janeiro 2016
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
12
14
16

17
19
21
23

24
26
27
28
30

31


Arquivo
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


Comentários recentes
gostei muito do tema artigo inspirado com sabedori...
Não podia concordar mais. Muito grata pelo comentá...
Dinheiro compra uma cama, mas não o sono...Compra ...
Caro Eurico,O cenário descrito neste artigo enquad...
Grande artigo, que enquadra-se com a nossa realida...
Presenças
Outras ligações
Música

Dizer que sim à vida - Carlos do Carmo:

 

Dizer que sim à vida - Luanda Cozetti: