14.3.14

 

Os valores afirmam a humanidade, salientam a personalidade do indivíduo, configuram a linguagem corporal cada vez mais importante para comunicar e vender ideias e sentimentos, num contexto em que a arte de negociar é imprescindível nas relações humanas.

Inesperadamente não irei focar-me nos valores na perspetiva do código ou traço de personalidade a nível comportamental geralmente aceites num contexto específico. Faria mais sentido, eventualmente, numa época caraterizada por uma intensa migração de culturas, pessoas e bens, imposta pela globalização e desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação, abordar a inevitável diluição dos valores morais das pessoas perigando a soberania das nações. Mas este não será o podium nem o tempo privilegiado para o efeito.

Propõe-se sim, através de uma abordagem pragmática do termo, abordar os valores ou pontuação que alguém possa merecer em resultado de uma avaliação que tiver sido sujeito no decurso, nomeadamente, de um processo ensino-aprendizagem. Obviar-se-á a moralidade dessa abordagem mais adiante, afinal, valores morais são transversais e tangenciais a variados contextos.

Uma prova, teste ou exame escrito e/ou oral são modalidades tradicionais de avaliação do grau de cumprimento dos requisitos emanados nos resultados de aprendizagem esperados no final do programa de formação, como sejam os resultados esperados. Estes elementos são comunicados explícita ou implicitamente no início do programa de ensino, juntamente com a metodologia de ensino e toda informação necessária para que haja transparência e imparcialidade no processo.

Após esse ato, segue-se um período de interação e troca de informação, a nível comportamental e deontológico do professor as práticas pedagógicas assumem três pressupostos epistemológicos, a saber: pedagogia diretiva, pedagogia não diretiva e pedagogia relacional. Nos modelos mais contemporâneos e ciclos de ensino mais avançados, o centro de gravidade passou para o estudante, este deve assumir um papel mais ativo na busca de informação nas várias fontes e domínios. Do lado do professor o seu papel simplificou-se a de um facilitador com a missão de despertar no aluno o conhecimento que já existe dentro de si, regime laissez faire.

Espera-se, contudo, que ao fim de um certo período de formação possa ocorrer a incontornável avaliação para certificar o aluno da sua aptidão no domínio de certa matéria. Alguns desvios podem ocorrer neste ciclo de duração da formação nomeadamente desistência, interrupção, ausência forçada ou voluntária, qualquer outra situação que implique a interrupção da frequência por parte do professor ou do aluno. Em condições normais, caso não hajam condições adversas como sejam as enumeradas acima, o processo de avaliação ocorre na perspetiva de avaliar o conteúdo programático integralmente cumprido com o requerido rigor alinhado ao grau de exigência de cada disciplina, integrado no plano de estudo como um todo, sem intuito de dilacerar a capacidade dos estudantes.

Acontece que, como apanágio do comportamento humano, ocorrem reações de ambos os lados pouco abonatórias para aquele fórum sublime que devia concentrar partes engajadas na mudança social e desenvolvimento humano. A escola é por excelência um centro de formação e transformação do Homem num agente impregnado de valores científicos, técnicos e cívicos.

Assiste-se, de contrário, a uma diluição desses valores por falta de ambição e capacidade de capitalizar o conhecimento, um desconhecimento ou ignorância absoluta da importância da ciência na vida humana, tudo por causa da luta desenfreada para ter uma nota mínima que habilite a apossar-se de um diploma.

 

Na tentativa ingrata de impedir o imperialismo desta prática maléfica usando-se a razão, dependendo dos contextos pode-se arrastar o imbróglio até um ponto de inflexão onde o bom senso prevalecente destaca-lhe como herói vilão que pretende mudar o mundo.

Esta realidade ao invés de catalisar a desilusão com o sistema alega a derramar melhores práticas conducentes a aceitação das responsabilidades adstritas a cada uma das partes no sucesso ou insucesso do processo de ensino, desarmando paulatinamente os que escondem-se da verdade com uma atitude manifesta por locus de controlo externo.

 

António Sendi

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 10:00  Comentar

De Jose Carlos F. Pereira a 17 de Março de 2014 às 12:04
Tema difícil, volátil e por vezes intangível. Mas não deixa de ser pertinente abordar.
Caminhamos para um mundo em que cada vez mais nos colocam rótulos e certificações, sejam elas académicas e/ou profissionais. Tento sinceramente fugir disto pois a avaliação por mais rigorosa, credível e metodológica nunca é 100% justa. Mas é importante criar métricas para medir performances e/ou competências. Talvez a única forma de poderemos comparar desempenhos, ou criar requisitos mínimos para avaliação – mas leva a normalização.
E a experiência aonde fica, como se avalia? Por isso preferir sempre não falar de certificações mas sim de demonstração de resultados, experiências, passiveis de medição. Tentar dar tangibilidade ao intangível (ao difícil de medir).
E se estivermos a falar de negócios aquilo que as pessoas procuram/compram são estados emocionais e não produtos/serviços. Logo aqui não entra a razão e o conhecimento, mas sim a confiança e o processo de influência – e arte de os utilizar é uma prática diária baseada na credibilidade e competência (não formal).
Parabéns pelo artigo!

De Cidadão Atento a 17 de Março de 2014 às 15:33
Os estados emocionais que orientam a compra resultam de processos racionais das escolhas anteriores (experiência de compra) estes, por sua vez, baseados na razão e algum conhecimento prévio, pelo menos esse parece-me a configuração razoável de um racional processo de compra.
A definição de métricas de avaliação é um instrumento da normalização difícil de replicar estes modelos para contextos adversos. No limite, porém largamente contestável, seria um processo de avaliação de desempenho à medida customer made ), creio que isso destruiria por completo o percurso da humanidade nomeadamente no campo económico trazido pela mecanização, produção em massa e escala.
Partilho da mesma opinião: a experiência é apenas uma referência, os resultados trazidos pela competência (capitalizada pela experiência) é que sustentam as distinções nas avaliações.
Abraço e obrigado pela sempre valiosa contribuição

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