11.5.10

 

O envelhecimento demográfico da população, o registo crescente de doenças oncológicas, infecciosas (como a infecção VIH/SIDA), doenças neurológicas degenerativas e a insuficiência de órgão (como a insuficiência cardíaca, pulmonar ou hepática) tem levado ao aumento do número de doentes crónicos, para quem o objectivo da cura não faz sentido. Estes doentes padecem de grande dependência e sofrimento, quer físico, decorrente dos sintomas causados pela patologia de base, quer psicológico.
Os profissionais de saúde são “treinados” para a cura, o que faz com que tratamentos penosos e exames desnecessários sejam realizados na tentativa de alcançar uma “cura utópica”. A falência da cura não deve ser encarada como uma derrota, mas sim como um ponto de partida para um tratamento diferente: o tratamento dos sintomas que causam sofrimento, o apoio ao doente e à família, a aceitação da MORTE e a aposta na qualidade de vida. Este é o objectivo dos Cuidados Paliativos. Através de equipas multidisciplinares os Cuidados Paliativos centram-se nesta missão e impõem-se como uma necessidade cada vez mais iminente na sociedade e como um direito humano.
 

Joana Gonçalves

 

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7.5.10

 

 

Vamos morrendo ao longo da vida. Morremos todos os dias um pouco, ao mesmo ritmo que vamos renascendo, que nos vamos renovando. É como se as mortes fossem passagens, portas de transição obrigatória, marcos que indicam o caminho a seguir. Será provavelmente esse o sentido da vida: uma caminhada solitária.
No instante em que tomamos consciência da nossa finitude passamos a viver condicionados pelo tempo, em função do prazo. E aqui reside a origem do medo, da protecção e da crença. Passamos a ter medo de morrer, a proteger a vida e, dada a inevitabilidade do fim, a creditar em soluções para a morte. Tal como a vida, que pertence a um só ser, com a exclusividade e as características que lhe pertencem, também a morte é uma caminhada solitária. Cada um sabe sobre a morte um pouco mais que o vizinho. Cada qual sente a morte à sua maneira.
 
Vejamos o exemplo daquele que acaba de ser informado de que a falência progressiva do seu organismo determinou uma data mais ou menos próxima para morrer. Começará por negar, duvidando por vezes da sanidade mental do clínico. Enraivecer-se-á depois, distribuindo em redor e sobre si mesmo violentos protestos e musculadas manifestações de revolta. Tentará negociar a vida, prometendo sacrifícios para obter a reversão do processo degenerativo. Entrará em profundo estado de tristeza quando se aperceber que nada há a fazer. E aceitará enfim, desprovido de emoções, o desfecho.
O mesmo acontece com aquele que é enganado pela companheira. Porá em causa tudo o que lhe dizem a esse respeito, questionará a objectividade das provas que vai recolhendo e escudar-se-á na crença de que o comportamento dela foi motivado pelo stress. Revoltar-se-á contra ela, contra terceiros e contra ele mesmo. Prometer-lhe-á mudanças estruturais de personalidade se ela reconsiderar. Remeter-se-á à depressão quando tomar consciência de que a perdeu. E, instalado o hábito, conformar-se-á com o recém-adquirido estado de celibato.
 
Nestes exemplos, tal como noutros em que o resultado é a perda iminente de alguém ou de algo importante, o percurso é quase sempre e mais ou menos este: negação (dúvida), raiva (revolta), negociação (reversão), depressão (ensimesmação) e aceitação (conformação).
Este caminho, o que antecede a derradeira porta, que é longo e penoso, tem por grande característica a solidão, a solidão mais profunda. O caminho solitário parte de nós e em nós termina.
 

Smith

 

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4.5.10

 

Alguém disse, recentemente, que sobre a morte não se pode falar com certeza, apenas se pode especular; aquilo de que se pode falar com certeza é da vida e do percurso que cada um faz.

Vi há dias um vídeo que me impressionou bastante, de um professor universitário a dar a última aula. O que me impressionou não foi o facto de ser um qualquer professor a dar uma aula sobre a mesma matéria que sempre dera, mas sim o facto dessa última aula ser consequência de um cancro do pâncreas, incurável, o que lhe dava uma esperança de vida de apenas alguns meses.

Ao contrário do que seria de esperar, esta aula não teve nada de auto-comiseração, ou de lamentação pela sorte que se avizinhava, antes pelo contrário, falava dos seus sonhos e do que tinha aprendido com a frustração de não ter atingido alguns deles e com a satisfação de ter atingido outros...

 

Mas mais tocante do que falar sobre esta palestra, é vê-la e ouvi-la com todos os sentidos e sentimentos receptivos:

 

 


Alexandre Teixeira

 

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30.4.10

 

A Morte é o desaparecimento de uma pessoa querida, é uma separação. E de carácter irreversível; dramática e definitiva, sem a esperança de um possível regresso. Uma mudança súbita que pode pulverizar a vida de quem fica.

São muitas as pessoas que permanecem fiéis à recordação da pessoa amada, passando o resto da sua vida como que “hibernados”, porque não conseguem fazer o luto nem aceitar a perda. Isto lembra-me um filme de Hollywood, Espírito do Amor, que aponta precisamente, de modo comovente, as etapas necessárias ao desapego. Demi Moore, depois de ter perdido o namorado num desastre, põe-se em contacto com o seu fantasma através de um médium (Whopi Goldberg), e, pouco a pouco, aprende a “deixá-lo ir”, para recomeçar a viver.

 

Um luto pode, por vezes, levar a evoluções inesperadamente positivas. Foi o que aconteceu com Mary Higgins Clark, a famosa autora americana de thrillers. Viúva aos 35 anos, com cinco filhos para criar, depois do choque inicial decidiu experimentar vender algumas novelas. Para distrair-se com a disciplina da escrita, mas também para ganhar a vida. Assim nasceram os primeiros romances. Agora tem 70 anos, é milionária e já vai no terceiro casamento.

A Morte põe, por vezes, fim a um conluio, a uma cumplicidade que havia consolidado o casal, mas bloqueado as energias dos parceiros. Bloqueio esse que impede a liberdade de cada um como pessoa, a sua autonomia, por viver apenas em relação ao outro, a pensar sempre no outro, esquecendo-se de si mesmo. Não será isso um certo tipo de Morte?

 

Sónia Moura Sequeira

 

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27.4.10

 

- “Deus morreu, Marx também e eu mesmo já não me sinto lá grande coisa.” Não me parece interessante continuar a falar de um tema que se esgota em si mesmo. Deixemos as especulações sobre a morte para os fracos e para os devaneios dos românticos decadentes.  

Álvaro procurava assim pôr termo a uma conversa na qual não via qualquer utilidade. Considerava que o tempo gasto a falar sobre a morte era tempo roubado à vida. Usava a frase de Maio de 68 como um semáforo vermelho e normalmente intimidava o interlocutor.

- Pois para mim, esse é o “tema”. - enfatizou Luís - Aquele que dá sentido à vida ou, se quiseres, a morte como princípio da verdadeira vida. Se não acreditasse nessa vida para além da morte, num propósito, num desígnio, restar-me-ia o vazio, o nada a que remetem as tuas palavras. Reduzir o sentido da vida à nossa passagem terrena, seria demasiado pouco. O Deus de que falo, ilumina a minha vida.

Álvaro pensou: “Olá, hoje temos luta, vou ter de me aplicar”.

- Não remeti para o nada. Se o nada pudesse existir, já seria alguma coisa. Remeto para o fim das nossas vidas terrenas e para a recusa de uma outra vida nascida da imaginação. O argumento que utilizas, baseado no conforto e em Pascal, não me convence. Não se acredita por decisão. E se tal fosse possível, não seria aceite pelo teu deus, que certamente preferiria o céptico verdadeiro ao utilitarismo do crente.

- Mas então, em que é que tu acreditas, se recusas Deus e o nada?

- Acredito que fazemos parte do cosmos. Acredito que as partículas de que me componho surgirão mais tarde fazendo parte de outros conjuntos. Posso imaginar-me em parte numa pedra, em parte numa árvore e ainda na unha de um orangotango e por aí fora. Mas, apesar de tudo, prefiro ver-me a integrar uma flor, a fazer parte de um lago, de uma estrela errante e, como ainda sobram bastantes partes, a completar o olhar de uma criança que, junto de um lago, contempla o firmamento.

- Um romântico, afinal! – disparou Marta com malícia.

- Assumido, mas não decadente…

- Nada do que conhecemos tem o aspecto de ter sido concebido, a menos que o tenha sido. Esta obediência a um desígnio só nos pode conduzir a Deus – apressou-se Luís, receando que os remoques desviassem a atenção do tema.

- Não devias ter parado em Tomás de Aquino. Devias ler Darwin – replicou triunfante Álvaro, que gostava de exibir os seus conhecimentos e descobrir os nomes dos autores, em especial quando a citação não era explícita. Era uma outra forma de intimidação, mais sofisticada.

- À medida que a ciência avança, aumenta o reconhecimento de que sabemos menos do que pensávamos saber antes.

- Sabemos cada vez menos, sobre cada vez mais. E se existir um deus, mas não existir vida depois da morte? E se houver vida depois da morte mas deus não existir?

Quanto mais receamos a morte, mais difícil ela se nos afigura, já que se alimenta dos nossos medos, tornando a morte mais dolorosa do que a dos animais, que nada sabem. Do que realmente temos medo não é da morte, mas sim da vida que acaba. Mas como seria insuportável se fossemos condenados à vida eterna na terra! Vivamos a vida como uma oportunidade que não se repete. Encaremos a morte como uma dádiva para que outros possam viver. Aceitemos a morte como um sono. Um sono eterno.

- Recusas não só Deus, como toda a metafísica…

Álvaro apercebeu-se que a conversa caminhava para o fim e não resistiu:

- “Come chocolates, pequena; come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates”.

- Fica com o teu homónimo que eu fico com a fé no meu Deus, que é mais doce que o chocolate e mais belo que o teu lago.

 

José Quelhas Lima

 

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23.4.10

 

A palavra ritual, tal como está descrita no dicionário, vem da palavra rito que quer dizer, sucintamente, “ordem prescrita das cerimónias que se praticam numa religião” (in http://www.priberam.pt/DLPO/). Nesta linha de raciocínio, falar dos rituais da morte implicaria falar das celebrações levadas a cabo pelas diferentes religiões aquando da morte de alguém, como é o caso da “câmara ardente”, típica do catolicismo. Neste caso particular, a família “faz turnos” em redor do corpo, enquanto diferentes pessoas, mais ou menos próximas, vão fazendo fila para dar “os sentimentos” e oferecer flores ornamentais. O ambiente é pesado e silencioso e os olhares são de pena. A cerimónia dura o dia todo e o corpo é enterrado no dia seguinte.

 

Como não me identifico com este tipo de ritual desactualizado e penoso, e como considero que os rituais da morte vão muito além daquilo que são as celebrações religiosas logo após morte, vou abandonar a definição mais convencional.

Pensar em rituais da morte, na minha perspectiva, implica pensar em todas as celebrações/acontecimentos que mais directamente se associam à morte, quer ocorram antes, durante ou após a mesma, sejam desenvolvidos pela família, pelo próprio ou por amigos. E falar em morte implica ter em conta todas as suas formas: velhice, doença, acidente, suicídio, homicídio, etc.. Deste ponto de vista, há todo um leque de situações passíveis de serem incluídas na definição de rituais da morte.

A filha que vai todas as semanas à campa dos pais e dos sogros lavar a pedra mármore e ornamentá-la de flores, executa um ritual de morte. A viúva que veste preto anos a fio, usa as duas alianças e guarda os pertences mais significativos do marido perto da cama, executa um ritual de morte. A mãe que perdeu o filho e que, passados anos, mantém o quarto do menor intacto para manter a sua memória viva, também executa um ritual de morte. Os amigos que se reúnem para jantar no dia de aniversário do amigo falecido e relembram os momentos passados, também executam um ritual de morte.

E o doente cancerígeno, apenas com 2 meses de vida, sem hipótese de recuperação, que começa a decidir o destino dos seus bens, tenta realizar os últimos desejos e despede-se de todos os seus familiares. Ou o idoso, proprietário de um jazigo, que morre após meses na cama, porque desistiu lentamente de viver e cujo único ritual era pedir a Deus, todos os dias, que o levasse. Ou o suicida, que planeia com meses de antecedência a sua morte – a escolha do local, o método, as palavras finais num papel – celebrando-a pouco a pouco como uma conquista. Parece-me que todos estes comportamentos, cujo único motor da acção é a morte, devem ser considerados rituais de morte já que estão directamente relacionados com a mesma.

 

A morte faz parte da nossa vida. E todos nós executamos rituais de morte pois todos nós conhecemos alguém que morreu, pensamos na nossa morte e na morte daqueles que mais amamos. E os nossos rituais, tais como os rituais que descrevi, assentam fundamentalmente em um de dois conceitos opostos, o da aceitação e o da negação. Nesta linha de raciocínio, com qual dos conceitos te identificas quando lidas mais directamente com a morte?

 

Ana Gomes

 

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20.4.10

 

Sou jovem, nunca me morreu ninguém que amasse; já tive medo que isso acontecesse, mas não é a mesma coisa; a minha profissão também não me coloca em contacto com a morte. À minha volta, a morte não é um assunto presente. Parece-me que isto acontece com a generalidade das pessoas; diria que a morte é algo de que nem sequer nos lembramos no dia-a-dia, ocupados com a tarefa de viver. Por isso não diria que é um tabu - nada tem de interdito, de transgressão, de moralmente chocante; de todas as realidades, a morte, o grande destino comum, é, com certeza, uma das mais consensuais.

Ao nível macro, não é difícil falar de morte. Quase todos os dias há notícia de mortos pela guerra, danos colaterais ou mortos pela fome; mais do que a morte em si, as circunstâncias poderão chocar; os ilustres também morrem de vez em quando na televisão e facilmente a reacção a estas notícias é de algum pesar. Nos últimos tempos tem-se intensificado a discussão de questões adjacentes à morte, como a eutanásia, a distanásia, o suicídio ou a importância dos cuidados paliativos. Somos capazes de reconhecer em algumas religiões, práticas espirituais e alguma poesia, pelo menos, a recomendação da consciência de que vamos morrer um dia como essencial para uma vida melhor vivida.

 

Mas é verdade que estamos habituados a associar à morte temor e sofrimento, só mitigáveis através de uma fé. Seja pelo término da vida que se conhece e o absoluto desconhecido que se segue; seja pela dor da perda alguém querido; seja pelo receio de sofrer ou ver sofrer até à consumação da morte; seja por receio do julgamento final, o divino ou o próprio.
O que poderá fazer da morte tabu, como assunto de que é difícil falar, não será a morte em si mas o facto de acontecer em casa - de se tratar da nossa morte, da morte de alguém que amamos, ou da morte que faz sofrer alguém que nos é querido - e de nos obrigar a abrimo-nos profundamente; é a aproximação à intensidade de sentimentos que lhe está associada, em que as referências deixam de servir e nós deixamos de estar no comando. O tabu da morte é o tabu da entrega absoluta.

 

Ana Álvares

 

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16.4.10

 

A morte bate-nos à porta todos os dias, na televisão, nos jornais, ou quando perdemos familiares, amigos ou conhecidos. Não é escondida e é muitas das vezes explorada, mas, ao mesmo tempo, é encarada com receio, com medo, como uma espécie de tabu individual.

 

Receio da incerteza? Insegurança perante o desconhecido? A morte aparece sempre mais ou menos envolvida num manto de mistério. É um acontecimento que temos como certo, que aparece de surpresa, mesmo para aqueles que esperam por ela. Uns anseiam-na como prémio esperado por um percurso de vida condicionado pelo fim da existência, outros vêem-na como solução para os seus problemas, como um fim para uma vida de sofrimento, Outros ainda, receiam-na e, inclusive, sentem terror perante o seu pensamento.

Numa tentativa para explicar esta ansiedade, entendida como um medo difuso, ou mesmo medo de algo concreto, alguns estudos referem que as pessoas com maior medo da morte tendem a vê-la de forma mais negativa e temem-na mais à medida que envelhecem. Outros estudos mencionam que o medo da morte aparece associado a três dimensões: ao próprio significado subjectivo da morte, à lamentação face ao passado do não concretizado e, finalmente, em relação ao futuro, porque a pessoa verifica que não pode atingir todos os objectivos propostos dada a finitude da sua vida. Há alguns dados que mostram correlação entre a ansiedade face à morte e a espiritualidade e religiosidade. Parece que as pessoas com elevada ansiedade face à morte vivem mais insatisfeitas em comparação com aquelas que sentem uma baixa ansiedade, o que é compreensível.

 

Claramente, a “fé”, seja ela qual for, tem um papel fundamental na forma como se encara a morte e a vida e o seu sentido.

Epicuro, filósofo grego nascido em 341 A.C., examina a morte como não sendo nada. Ele diz: “A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais.” Será o nada, o não mais ser? Ou o portal para o tão aguardado prémio ou temido castigo?

Por outro lado Immanuel Kant apresenta-nos um pensamento audaz: “Se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então morrer também vale a pena…”

Será uma passagem, uma porta para outra dimensão, o acesso a outro nível de consciência, o encontro com a nossa alma, o regresso à nossa essência espiritual?

Certezas? Para poucos. Dúvidas - diria eu - são muitas e preocupam a maioria das pessoas.

 

A morte poderá ser decisiva, poderá ser o fim em si mesma, mas também pode ser compreendida, sentida, chorada. Pode ser entendida como lição de vida e de amor das pessoas que fizeram parte do nosso mundo individual, que recordamos com saudade e que deram, e dão, sentido à nossa existência fazendo parte de nós e da nossa história.

Vale a pena o atrevimento de sermos felizes, de sermos o que quisermos, de fazermos o que decidirmos e de viver intensamente cada minuto como sendo o último, e único, porque nada está garantido. E a vida? É tão frágil!

 

Ana T

 

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13.4.10

 

A morte chega cedo

 

A morte chega cedo,

Pois breve é toda vida

O instante é o arremedo

De uma coisa perdida.

O amor foi começado,

O ideal não acabou,

E quem tenha alcançado

Não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte

Risca por não estar certo

No caderno da sorte

Que Deus deixou aberto.

 

Fernando Pessoa


 

É breve toda a vida e longa toda a morte…

A longevidade da morte é o que nos assusta… com a morte surgem sentimentos como culpa, raiva, medo, saudades, solidão, desespero, melancolia, ansiedade, e associado surge o choro… Estes sentimentos surgem porque nos apercebemos que é o fim, o fim de uma vida, o fim de tudo e que não mais existe… A morte é uma perda… A morte faz-nos questionar o porquê de tudo… Pode também a morte ser esperada ou inesperada, ao ponto de podermos dizer “eu já o esperava” ou então “não contava que acontecesse”.

Podemos dizer que morrer significa: deixar de viver… e o deixar de viver não significa só deixar de existir pois, por vezes, pessoas que embora ainda vivam por possuírem sinais vitais não vivem, sobrevivem!… ou seja, morreram para a vida! Acarretam muitas vezes um fardo e a morte para elas seria a sorte grande, outras vêem a morte como uma saída, uma fuga… uma fuga para os problemas!

A morte pode ser vivenciada de várias formas, nem todos reagimos da mesma maneira… O afecto, a relação que temos com a pessoa vai determinar a forma como encaramos a morte, a sua previsibilidade, a própria personalidade, entre outros factores… Contudo pode concluir-se que, em quase todos os casos é difícil encarar a morte de alguém…

Com a morte surge o luto, uma dor… e este luto pode ser comum, pois é normal todos passarmos por um processo de dor que é passageira, e por outro lado pode ser patológico - o luto permanece mal resolvido ao longo do tempo!

Todos passamos por um processo de luto… que acarreta algumas fases e algumas respostas! O luto é então um processo natural de vida… e constitui uma fase transitória… mas muitas vezes não sabemos como gerir todo este cocktail de sentimentos!

Deixo então uma questão: porque é tão difícil a morte, ao ponto de não sabermos o que dizer, por exemplo, a um amigo que perdeu alguém querido?

 

Liliana Pereira

 

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13.11.08

 
Venho ao blog para vos desafiar a discutir o tema da Eutanásia.
 
Vem este desafio a propósito de uma notícia que acabei de ver na televisão:
Uma menina de 13 anos tem leucemia e desde muito pequena que faz quimioterapia. Uma complicação no coração e os médicos dão-lhe seis meses de vida. Existe uma possibilidade de prolongar este período se se fizer um transplante do coração.


 A menina recusa tal operação.


A protecção de menores moveu uma acção para retirar a menina aos pais, penso que por acharem que eram os pais a recusarem a operação. O juiz depois de ouvir a menor reconheceu-lhe autonomia para decidir sobre o seu futuro.

 

Na televisão a jovem explica as suas razões que, resumidamente, se prendem com o facto de estar cansada de sofrer e não querer prolongar esse sofrimento.


A mim, impressionou-me a maturidade com que a menina defende o seu ponto de vista e, fazendo eu voluntariado no sentido da defesa do bem Vida, nem por isso deixei de sentir um enorme carinho pela menina que tranquilamente apela para que a deixem morrer.


Mas, esta concepção não abrirá precedentes que, sendo aceitáveis nuns casos poderão ser decisões de grande leviandade noutros?


E quem poderá ajuizar da aceitabilidade de uns ou outros casos?


Ser contra a eutanásia não é deixar de compreender e de certo modo julgar aqueles que sem coragem para continuar puseram fim a uma tortura?


Por outro lado, todos nós conhecemos casos de pessoas que aprenderam a lidar com estados físicos de grande limitação e sofrimento e, confessam que no início só queriam era morrer...


Não se mataram porque não tinham os meios à mão...


E se alguém lhes tivesse feito esse "favor"? Já não estariam cá para nos darem o testemunho de coragem e de conquista que pauta o dia a dia dessas pessoas.


A morte assistida é muitas vezes defendida por questões de dignidade. Dignidade na hora da morte. Mas viver numa cama é indigno?


Interrogações minhas que estou bem de saúde.


Cidália Carvalho

 

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